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Música

Novo single do duo Sample Hate: “a chuva como inspiração e companhia”

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(Capa do lançamento)

A pandemia iniciada em 2020 foi o ponto de partida de “Hope It Rains”, novo single do duo Sample Hate, vindo do integrante Artur Porpino e Dante Augusto. Em meio a tantas incertezas e um período em que o próprio artista desconfiou estar contaminado pelo coronavírus, Artur se isolou até mesmo do seu grande companheiro: o filho Ravi. Assistindo aflitamente o governo Bolsonaro em suas medidas a respeito das questões sanitárias do país, nasceram as primeiras ideias daquilo que viria culminar em “Hope It Rains”.

“Curiosamente, era um período típico de chuvas aqui em Natal; e toda vez que chovia, eu sentia uma estranha companhia. Eu não estava mais sozinho; era eu e a chuva. Aí eu pensava recorrentemente: tomara que chova. Era como um abraço invisível, como se o céu chorasse lágrimas comigo e escoasse o que tivesse de peso de dentro de mim. Em uma dessas noites de chuva, comecei a cantar os primeiros versos; fiz o tema inicial no violão e fui desenvolvendo.”, explica ele.

VAMOS ENTENDER MELHOR!

A letra da música é um pouco diferente do que se vê por aí, porém não abandona o romantismo em frente a natureza e a citação do amor como salvação para o mundo. Se for ver por um aspecto pessoal, Artur diz que a poesia é como se fosse uma carta para seu filho. Os versos indicam o quanto a sensação da companhia da chuva é importante em momentos de solidão. Segundo ele, o sentimento que compartilha na canção é algo transparente e sincero, o que pode atingir a todos que experimentaram estar só.

Por outro lado, no refrão, a música é otimista tendo como centro o amor. Ao longo da letra, percebe-se uma procura pela companhia. “Mesmo aqui trancado, não estou só. Tem a chuva, tem o céu. A gente compartilha o mesmo céu, a mesma lua e isso já nos conecta de certa forma.”, reforça o artista.

“A ponte final nos leva à eternidade: o amor que construímos já é infinito, e já estamos além do azul. Em um documentário sobre o Lil Peep, seu avô conforta as saudades que sente relembrando uma letra gospel antiga, que tinha “beyond the blue” em seus versos, referindo-se ao infinito. Achei lindo e inspirador e decidi usar. Nos dois versos finais, parafraseei William Blake: “to see a World in a grain of sand, and a Heaven in a wild flower” – relativizando, assim, a complexidade sobre a compreensão do mundo e desmistificando o paraíso, trazendo-o para as coisas mais simples da vida.”, reflete Artur.

(Crédito: Pedro Victor Souza)

MUSICALMENTE FALANDO…

Uma característica marcante em “Hope It Rains” é que a colaboração de várias influências musicais foi possível de uma forma remota, algo que, com muita clareza, traz uma liberdade maior para cada músico participante. Tirando os dois integrantes da banda, o single contou com o brilhante sax de Emerson Carpegianne (@carpegi.1) com a proposta de que o arranjo fosse feito de forma livre, do jeito que ele quisesse, resultando em uma combinação rara de técnica e feeling. Depois, veio a contribuição valiosa de Cassio Zambotto (@cassiozambotto) na mixagem e masterização. Lembrando que Cassio vem trabalhando com a Sample Hate em outros lançamentos.

“Montei a estrutura harmônica da música em tonalidade menor, usando alguns acordes que poderiam entrar na estética bossa/neosoul – tipo Cm7, Cm6, Ab6, Abm6 – e alguns licks entre eles, pra costurar o tema. Conduzi a mão direita com uma pegada meio percussiva, tentando dar um balanço interessante. A ponte do final da música é tipo uma celebração da consciência, uma retomada, um relaxamento.”, comenta Artur.

“Uma vez que eu tinha a guia pronta (violão e voz no metrônomo), com uma sonoridade introspectiva, com cheiro de chuva e rastros de solidão, enviei para Dante. Eu sou um cara dos orgânicos – do violão, da bateria, do batuque, da voz, da composição. Dante tem essa pegada mais de cientista maluco, de criativo e estudioso tecnológico, curte os analógicos e costuma cozinhar o som passando por eles. Por si só, essa mistura acaba colocando em um mesmo compartimento o som de violão nylon e voz, em tonalidade menor, com baterias eletrônicas, synths, pedais, reamps e outras coisas; deixando um som, a meu ver, curioso e denso, embora seguindo um flow dentro desses parâmetros.”

OLHA QUE LEGAL!

Em relação à escolha de lançaram singles ao invés de EP ou álbum, a decisão foi tomada em conjunto com a ideia de preservar a liberdade criativa e estética entre cada música. Como esse formato de lançamento propicia um tempo maior de experimentação e, ao mesmo tempo, mantém a banda ativa nas plataformas de streaming, tornou-se possível uma maior dedicação nos quesitos de composição, produção e gravação. Assim, soou como uma estratégia mais atrativa e, até mesmo, mais estimulante.

Indo além, 2020 congelou as apresentações presenciais, dando vida as famosas “lives”. No entanto, Artur explica que essa saída não os interessou. “É curioso que mesmo após o lançamento de 8 singles, não tenhamos tocado nenhuma vez sequer ao vivo. Mas acho que estamos alinhados com os novos tempos, um tempo em que uma banda existe sem inicialmente se preocupar em tocar ao vivo, mas tem seu som difundido em todas as plataformas. Estamos respeitando o momento e aproveitando para gerar conteúdo – já que naturalmente estamos fluindo para isso.”

Uma notícia importante para complementar esse trecho da reportagem, é que o duo já tem uma nova música finalizada que está passando pelo processo de mixagem e masterização. Outras duas da mesma safra criativa já estão em finalização. Além disso, os caras preparam, para breve, o clipe de “Hope It Rains” e outros novidades.

SOBRE O DUO

Entre o fim de 2018 e 2019, Artur e Dante integravam a banda Fukai (@_fukai). Na época, viajaram juntos para tocar num festival e, ali, ficaram aproximadamente um mês e, assim, criaram uma espécie de rotina criativa. Como o local abrigava cachoeiras e uma vasta natureza, os dois se divertiram nesse ambiente que os acompanhava com violões, bateria e percussões. Com essa proximidade, as árvores e as montanhas levaram ambos a reflexões a respeito de várias questões, entre elas, a dinâmica urbana da rotina daqueles que vivem a loucura da cidade. Pode-se considerar, então, este o início da necessidade de tocarem e criarem juntos.

“Em poucos dias a gente já tinha composto várias músicas, que não se enquadravam ao Fukai. Quando voltamos a Natal, estabelecemos uma frequência de encontros e novas músicas foram acontecendo, enquanto íamos arranjando e gravando as estruturas que havíamos composto na Chapada. Muitas vezes eu já dormia na casa de Dante, pra no outro dia acordar cedinho, ir surfar e depois voltar pra uma sessão de gravação. Continuamos nesse processo com calma e mal sabíamos que 2020 estava por vir do jeito que veio.”, conta Artur.

O músico ainda descreve um pouco mais sobre. “Com muitas músicas encaminhadas, decidimos, mesmo em isolamento social, inaugurar a banda. No dia 11 de abril, soltamos o single “Spiral Dynamics”. No decorrer de 2020 lançamos “Lose the Ground”, “Same Old Situation”, “Wake Alive”, “Beautiful”, “Overdue” – em parceria com Potyguara Bardo (@potyguarabardo) e “Love Paradox”. Agora, em janeiro de 2021, estamos dando início aos lançamentos do ano com o single “Hope it Rains”.

Pensando na questão musical deles, Artur define que é “difícil ser pontual a respeito disso”, mas que, para eles, os clássicos do grunge, os rocks dos anos 60, 70, 80, 90, e 2000 são grandes referências. Ele cita bandas como Bealtes, Red Hot, Chilli Peppers, Alice in Chains como inspirações.

FICHA TÉCNICA

Artur Porpino (@arturporpino): composição, violões e vozes;

Dante Augusto (@dantexaugusto): produção, arranjo, beats e eletrônicos;

Emerson Carpegianne (carpegi.1): saxofones;

Cassio Zambotto (@cassiozambotto): edição, mix e master.

Gravado remotamente

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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