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Música

O vocalista Brenno William em bate-papo sobre o disco “Meu Grito de Alerta” da banda Nora

Matheus Luzi

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Foi em Nilópolis, na baixada fluminense, no Rio de Janeiro, que Brenno recebeu a visita de seu amigo Lucas e Daniel Messias. Os três combinaram de ir à um estúdio que tinha na cidade, e começaram a ensaiar. Já no segundo ensaio, Brenno levou suas músicas para Lucas. E assim começou a história da banda Nora.

No começo da carreira da banda, dois dos membros (o baixista Daniel Messias e o Guitarrista Rainier Lavoisier), decidiram se afastar do grupo por questões religiosas e a banda entrou em hiato. Em outro momento, mais adiante, novamente a banda sofreu com separações. A cada ruptura, saída de membro, os únicos integrantes que continuavam, Lucas e Brenno ficavam muito mal e decepcionados. Mas tudo isso colaborou para o crescimento e amadurecimento da Nora.

Nós convidamos Brenno William, vocalista da Nora para uma entrevista. Ele falou um pouco da história da banda e também sobre o novo disco “Meu Grito de Alerta”. Veja:

 

De 2011 pra 2017, muita coisa aconteceu com a Banda Nora. O que mudou artisticamente no grupo após esses 6 anos de experiência? E quais foram as principais conquistas?

A grande evolução que teve na banda Nora foi a questão musical, completamente, porque artisticamente a banda continuou ouvindo as mesmas influencias. Inclusive, as futuras gravações sempre terão resquícios das composições antigas, porque a composição pra mim se dá como uma necessidade, então, existem várias composições que foram criadas no mesmo período.

E assim, a banda Nora, ela foi feita de pequenos hiatos, então, eu nem considero que ela tenha seis anos de experiência, porque como cada formação era completamente nova, os únicos membros que sempre continuava era eu e o Lucas. Então, eu acredito que a banda tenha por volta de uns 3 anos, se você linkar todo o período.

As principais conquistas foram os videoclipes, participar de grandes festivais, como o evento da tocha olímpica que tinha milhares e milhares de pessoas no evento. Uma outra conquista que eu também achei maravilhosa, foi poder cantar com a banda Fresno. Dividir o palco com eles foi completamente surreal, cantar com meu maior ídolo foi maravilhoso e também criar uma base de fãs, poder organizar nosso próprio festival e ser remunerado pelo nosso trabalho também é uma grande conquista.

 

Como vocês definem musicalmente e poeticamente “Meu grito de alerta”?

Musicalmente, “Meu grito de alerta”, é uma fusão do rock nacional, do rock internacional e de algumas sutilezas e fragmentos da música brasileira, porque é uma grande influência pra mim, na hora da minha composição, os cantores da MPB, principalmente a MPB mais moderna, e isso as vezes esbarra no meu rock. Artisticamente falando, é um álbum de pop rock.

É bom lembrar que o álbum faz menção ao período de 2006, 2007, onde o HardCore, o EmoCore eram muito influentes. Então, a carga artística do álbum tem muito disso, dessa mescla de músicas agitadas com músicas mais lentas. E ao mesmo tempo como eu sofri essa influência da música gospel, então a última faixa do CD deixa isso bem claro.

Poeticamente, é até bem difícil responder, mas a escrita é bem simples, a mensagem procura ser mais direta possível.  “Meu grito de alerta”, eu quero que seja um susto, quero as pessoas ouçam da primeira faixa à última faixa e saibam do que eu estou falando exatamente.

Eu uso de uma linguagem simples, e é tudo muito real. Tudo que você ouvir, tudo que você lê, se você pegar uma letra da minha música e tentar interpretar, aquilo ali é real. Eu nunca vou escrever sobre algo que eu não tenha vivido, ou que eu não tenha pensado, porque eu preciso disso. Como falei antes, a composição pra mim é uma válvula de escape, é uma maneira de me ajudar a enxergar o mundo e me entender melhor como indivíduo.

 

 

Em relação ao disco “Meu Grito de Alerta”, qual foi o maior desafio de gravá-lo, e como surgiu a ideia?

O desafio de gravar o disco foi basicamente financeiro. Assim, porque foi tudo gravado e custeado por mim e pela minha família que me ajudou também. Esse foi o maior desafio, porque como eu não tinha mais uma banda própria, e o Lucas morava em São Paulo, e eu queria, fiz questão de ter gravado esse disco comigo em algumas faixas. Eu fiz questão de pagar a passagem dele, ele ficou na minha casa. O desafio realmente foi conseguir a grana pra fazer o sonho dar certo.

A ideia surgiu porque a Nora estava dando tudo certo. A Nora estava com os membros muito legais, o som da banda estava amadurecendo muito rápido, e a gente precisava de um material sério pra poder divulgar, pra começar a fazer os próprios shows com músicas autorais. A gente precisava de um trabalho que marcasse aquela fase.

 

Qual o contexto do título do álbum “Meu grito de alerta”?

“Meu grito de alerta” é tirado de um trecho da música “Grito de alerta” do Gonzaguinha, que eu escutei pela voz da Maria Bethânia que interpretou lindamente, e dali surgiu o título do disco. Eu achei interessante a frase dele que dizia “Vê se entende meu grito de alerta”. É uma canção desesperada de amor, pura, com uma mensagem simples, e eu acho que isso traduzia o que eu queria passar no disco. Era um alerta inicial para que as pessoas entendessem e entendessem minha mensagem, sabe? Eu achei que combinou super bem, tanto que a música “Chega!”, primeira faixa do disco é um grito, eu fiz questão de colocar uma exclamação no título dela pra fazer jus ao título da obra, e também pra poder citar Maria Bethânia quando fosse falar desse trabalho, porque ela é se não a maior uma das maiores artistas que temos no Brasil.

 

Em release você disse que a ideia é que o ouvinte entenda a mensagem simples e direta do disco como uma forma de exclamação aos pensamentos e sentimentos do compositor Brenno William. Poeticamente e musicalmente, qual a mensagem que o disco crava?

Não considero que o álbum tenha apenas uma mensagem. Eu acho que ele tem dez mensagens, porque eu não criei ele nos moldes daqueles discos que tem um tema específico. Eu criei “Meu grito de alerta” para dizer algumas histórias que passaram pela minha vida, alguns pensamentos que eu tive. E como é um disco de muitos anos atrás, claro que muitas coisas já aconteceram, mas todas as histórias e pensamentos do disco são verídicos. Se você ouvir cada faixa, cada faixa vai dizer alguma coisa pra você, contanto que os fãs que já conheceram o trabalho da banda, quando eles gostam muito, eles vêm e dizem “Nossa, essa faixa me fez chorar”, “Eu gostei muito da faixa Y e Z”. E aí, cada pessoa tira um sumo daquele disco, alguma coisa mexe com ela, porque as histórias se esbarram. Então, as mensagens que estão no disco aconteceram comigo realmente, e as vezes uma pessoa se encontrou em alguma daquelas faixas, e isso faz com que o trabalho seja bem amplo. Como era o meu primeiro trabalho, e eu queria que as pessoas se identificassem, então, eu escolhi não lançar como primeiro disco que tivesse um tema, como eu falei no começo. Por isso eu escolhi fazer com que “Meu grito de alerta”, soasse como histórias. Então, ele tem várias mensagens. Cada faixa conta alguma coisa.

 

No disco “Meu grito de alerta”, há composições próprias e músicas escolhidas a dedo. Como foi esse processo? E como funciona a criatividade dos compositores da banda?

Quando eu falo “músicas escolhidas a dedo”, eu tô me referindo à quantidade de composições que eu já tenho pra lançar. Então, sempre que vocês ouvirem as composições, serão músicas minhas. Podem acontecer de rolar parcerias. Com certeza devem haver parcerias no futuro. Mas nesse álbum em específico, todos os arranjos e composições foram criados por mim. Eu já cheguei no estúdio com tudo certinho para a gravação. E banda me ajuda a lapidar aquelas ideias já semi-prontas pra transformar em canções de banda. Sair da voz e violão (instrumento que eu uso pra compor) pro coletivo, e com vários instrumentos. Então não existem outros compositores no momento.

 

 

O disco é influenciado pelo pop rock. Quais são as inspirações para a gravação do álbum? Teve alguma situação, livro, poesia ou qualquer cosia que tenha inspirado a banda na gravação?

“Meu grito de alerta”, é um álbum cronologicamente um tanto complexo, porque tem composições que entraram que são de 2005, ou 2006, se não me engano. E tem composições no álbum de 2013, por exemplo, que foi a época em que eu já estava entrando em estúdio. Foram músicas criadas pouco tempo antes de eu entrar em estúdio. Então, esse disco sofreu muitas influencias. Tem influencias de Jorge Vercillo, Ana Carolina. Tem influencias de Fresno, muito forte, porque 2006/2007, o EmoCore reinava. Bandas de pop rock e EmoCore como Nx Zero, Pitty,Hevo 84, Leela  também influenciaram muito no som da banda. O punk, o grunge do Nirvana também. E também rolou algumas influencias do gospel que eu usei que foram Leonardo Gonçalves e a banda Oficina G3 que tem um trabalho maravilhoso. Isso tudo serviu de influência pra tudo na música, desde a gravação até as composições.

Livro, poesia, filme, não. A gente não teve nenhuma influência desse tipo, foram só influencias musicais mesmo. Claro, a gente sofreu influencias por tabela, assim, por exemplo, ouvindo Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, ouvindo Jorge Vercillo, Maria Gadú. Indiretamente, eu estava sofrendo influencias de alguma dessas vertentes da arte.

 

Tem alguma pergunta que eu não fiz sobre o disco e sobre a banda que você queira comentar?

Eu acho que a entrevista foi maravilhosa. Eu quero agradecer aqui a oportunidade de estar dando essa entrevista, que é a primeira sobre o nosso disco. Eu acho que foi maravilhoso tudo que você perguntou, você foi muito pertinente. Eu só tenho um comunicado a fazer, que o Lucas, o baterista da primeira formação da Nora, saiu da banda no final do ano passado (2016), e agora a gente tá com um baterista provisório, que é o Leo, que tá fazendo essa substituição. A formação atual da Nora, eu no vocal (Brenno William), Mario Santos no Baixo, Rodrigo Monteiro na Guitarra e o Leonardo Mirabeal na Bateria.

Eu acho que você esqueceu de perguntar o significado da banda Nora (risos). Muita gente me pergunta isso!

 

Verdade, passou despercebido (risos). Então, qual o significado da banda e também do nome da banda?

Bem no começo, quando a gente se juntou pra criar essa banda, a gente queria que ela tivesse um nome que tivesse haver com música. A gente queria que tivesse um nome feminino, não se sabe porquê. A gente queria, porque queria, que fosse um nome feminino, um nome incomum de mulher. Então, a gente escolheu “Nora”, e o significado mais profundo vai ser lançado. Fica como uma dica aí pros fãs que em breve o significado da Nora vai ser lançado. Aguardem! (risos).

 

 

 

 

 

 

 

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