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Cinema

[ENTREVISTA] Pamela Otero investe no cinema independente como “Vitória” na primeira série steampunk brasileira

Matheus Luzi

Publicado

em

(Divulgação)

O audiovisual brasileiro independente é algo que vem crescendo muito nos últimos anos, ganhando forças e, inclusive, atores e atrizes aderindo ao modelo. É nesse contexto, que Pamela Otero investe neste cenário. Ela participa com a personagem Vitória Acauã na primeira série steampunk brasileira “A todo Vapor”, disponibilizada na Amazon Prime Video.

Pamela possui grandes experiências nas artes cênicas, tendo participado de produções da Disney Brasil como a do programa “Quando Toca o Sino”. Com essa bagagem, ela acrescenta muito no histórico daquilo que ainda vai dar muito certo, por mais que demore: o nosso querido cinema nacional e seus adeptos independentes.

No momento, a atriz participa de webséries e, muito em breve, vai viver a protagonista de um filme de terror independente. Agora, na entrevista a seguir, você vai conhecer melhor essa jovem artista.

“[…] para mim é dentro do cinema independente que a gente cresce, aprende e entende como a paixão é fundamental para qualquer produção.”

Matheus Luzi – Querida, seria legal abrir essa entrevista com você falando um pouco de você e da sua história como atriz.

Pamela Otero – Oi, Matheus! Eu estou muito feliz por estar aqui conversando com você! Bom, digamos que sou uma cria da arte. Como cresci em uma família conflituosa e em meio a uma separação dos meus pais, a arte neste período foi o meu refúgio. Durante este tempo me dediquei ao ballet clássico, no qual é a minha formação e com o tempo, a atuação foi entrando em minha vida. Com a dança eu entendi que amava usar o meu corpo como uma forma de expressão e com o teatro, a possibilidade de interpretar um personagem diferente de mim é a minha maior alegria, minha razão de viver. Desenvolver empatia por diferentes histórias, culturas, pessoas através das obras que lia, dos textos que estudava, das coordenadas dos diretores… Arte é a ferramenta fundamental para minha existência!

Matheus Luzi – Por que migrar para o cenário independente do audiovisual?

Pamela Otero – Na verdade não migrei. Não vou mentir e dizer que não quero um papel importante numa série de uma grande plataforma, num longa maravilhoso, numa novela com uma boa trama e que cative o público, é claro que eu quero, mas para mim é dentro do cinema independente que a gente cresce, aprende e entende como a paixão é fundamental para qualquer produção. Sendo assim, quando uma oportunidade de maior visibilidade vier, sem dúvida estarei pronta, porque estudo desde os meus 7 anos. Eu me alimento de ensaios e de LUZ, CAMÊRA, AÇÃO. É claro que o fato de eu querer fazer parte de uma grande produção tem relação com o lado financeiro, pois todo artista sonha em se sustentar da própria arte e no cenário independente isso praticamente não acontece, vamos todos por amor à arte. E com tantas séries bacanas sendo rodadas aqui no brasil, seria uma concretização de um desejo.

“Com a dança eu entendi que amava usar o meu corpo como uma forma de expressão e com o teatro, a possibilidade de interpretar um personagem diferente de mim é a minha maior alegria, minha razão de viver.”

Matheus Luzi – Fale sobre seu papel na série “A todo vapor”.

Pamela Otero – A série é a primeira série SteamPunk brasileira e conta com os personagens da nossa literatura clássica para viver a narrativa. Crimes e rituais acontecem numa antiga Vila e os Heróis se encontram para tentar desvendar. A minha Personagem é a Vitória Acauã. Ela é uma médium indígena e ela veio dos “Contos Amazônicos” de Inglês de Souza. Foi um belo presente de Felipe Reis (diretor, protagonista) e Enéias Tavares, ambos idealizadores da obra!  Preparar minha Vitória foi delicioso, até aulas de luta fiz para algumas cenas. As cenas de luta eram coreografadas e tinham que ser muito bem ensaiadas, foi uma experiência muito boa, amo artes marciais, então, me joguei.

Matheus Luzi – O que você pode nos adiantar a respeito da sua participação como protagonista no filme de terror que ainda não foi lançado.

Pamela Otero – Ah, esse projeto me apareceu em meio à uma pandemia, então foi MUITO BEM VINDO [rsrsrs]. Ensaiamos e estruturamos tudo online e rodamos em 6 diárias no mês passado. Foi um gênero que eu não tinha muita intimidade, fui entendendo durante a construção e me apaixonei pelo processo. A minha personagem se chama Elisa e ela é super fina e dona de uma galeria de arte, mas as obras desta galeria são feitas com sacrifícios… Ela promete honrar as mulheres que já choraram por homens… está IMPACTANTE. EU AMEI. Teve até cena de suspensão corporal no curta, igual vimos na série MARAVILHOSA brasileira que lançou faz pouco tempo: “Bom Dia, Verônica”!

É um filme de Flávio Carnielli e eu também tive a possibilidade de me conectar com uma equipe maravilhosa que sei que trabalharei inúmeras outras vezes… agora é esperar este filme ficar pronto e participar de todos os festivais do gênero que o diretor quiser! Então, aguardem, ansiosos como eu! pois ficou lindão!

“O Brasil PRECISA consumir mais do que é do Brasil, dar críticas construtivas e fazer com que o nosso cenário artístico fique sempre aquecido, somos uma terra de artistas incríveis e merecemos reconhecimento, valor, espaço…”

Matheus Luzi – Você teria algum papel que mais te marcou? Se sim, qual?

Pamela Otero – Olha, todos as minhas personagens deixam um pouquinho de história em mim e eu também acabo emprestando algo meu para elas… Difícil escolher assim, mas a Clarissa de um curta chamado “Papel de Carta” foi uma mulher que me marcou muito, pois era uma história em tom de brincadeira onde um grupo de jovens se encontrava depois de um certo tempo pra um evento divertido que acaba virando um acerto de contas. A Clarissa tem um comportamento depressivo, é sozinha, homossexual e vê sua namorada tirando a própria vida… Um curta lindo, forte, que faz todo mundo pensar em que palavras escolher ao se direcionar ao outro, reflete sobre o peso ou alegria que a sua comunicação exerce sobre alguém. Este trabalho também foi conteúdo independente e neste, inclusive, fui uma das produtoras, além de protagonista.

E a própria Vitória de “A Todo Vapor” me marcou muito. Ela é uma mulher forte, atenta, guerreira, inteligente, um presente e uma delícia fazê-la. Foi a minha primeira personagem em uma grande plataforma (a série está disponível na Amazon Prime Video), então, sou MUITO GRATA a ela. E à toda a equipe dessa série que mora em meu coração.

Matheus Luzi – Como você enxerga o desafio de ser atriz no Brasil?

Pamela Otero – É realmente um DESAFIO. Não é simples e tem que querer muito, pois as interferências são inúmeras. O Brasil PRECISA consumir mais do que é do Brasil, dar críticas construtivas e fazer com que o nosso cenário artístico fique sempre aquecido, somos uma terra de artistas incríveis e merecemos reconhecimento, valor, espaço… Veja o que aconteceu nessa pandemia, como se consumiu séries, filmes e etc…

“Olha, todos as minhas personagens deixam um pouquinho de história em mim e eu também acabo emprestando algo meu para elas.”

Matheus Luzi – Teve algum papel que você teve mais dificuldade de viver?

Pamela Otero – Não, quanto mais desafiador, mais vontade eu tenho de fazer, quanto mais distante de mim, mais desejo eu tenho em pesquisar. Me nutro disso tudo.

Matheus Luzi – Pamela, você tem alguma curiosidade ou história interessante para nos contar sobre esta nova fase sua?

Pamela Otero – Olha, acho que tive muitas novas fases e 2020 foi uma reinvenção diária [hahahahahhahaha], um amadurecimento eterno, mas a maior curiosidade é que mesmo sendo praticante de yoga a 15 anos e professora a 2, era uma área que eu explorava pouco e a pandemia fez com que eu me tornasse uma professora muito confiante, com muito amor por guiar práticas de yoga e meditação. Yoga é minha filosofia de vida e o curioso é que na arte, atuando, amo personagens mais densas, estresses brigas e desafios profundos.

Matheus Luzi – Fique a vontade para falar o que quiser.

Pamela Otero – Amei a entrevista, a oportunidade de estar aqui contando um pouquinho da minha trajetória profissional e caso queiram acompanhar meu trabalho de atriz e também de professora de yoga me sigam no insta (@pamelaotero), amo conversar com meus seguidores e vou amar compartilhar meus projetos com vocês, tenham um bom dia, um bom fim de ano e nos vemos em uma próxima entrevista sobre um novo projeto, quem sabe? hein? [rsrsrs]. Beijo!

“Yoga é minha filosofia de vida e o curioso é que na arte, atuando, amo personagens mais densas, estresses brigas e desafios profundos.”

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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