21 de setembro de 2026

Chiquinha Gonzaga: compositora mulher mestiça

Chiquinha Gonzaga

A mítica compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) representa um divisor de águas na história da música brasileira.

Nela, convergem 3 marcos principais: o musical, o feminino e o racial.

Em relação ao aspecto musical, a obra dela foi das primeiras vezes em que a música de um(a) compositor(a) brasileiro(a) de música escrita refletiu traços inequívocos de brasilidade, em vez de funcionar como mera XEROX de modelos estéticos europeus; antes (e mesmo depois) de Chiquinha, a música escrita feita no Brasil era difícil de distinguir das referências europeias (clássicos, barrocos, românticos e afins); em alguma medida, esse colonialismo da música escrita brasileira permanece vastamente presente até hoje; neste sentido, sua obra é uma afirmação da possibilidade do brasileiro de existir como sujeito de sua própria Música! De existir como sujeito!

Já em relação ao aspecto feminino, Chiquinha representa a possibilidade de vislumbrar a Mulher como sujeito da música brasileira (em vez de vê-la sempre como mera vítima do patriarcado) e, assim, sua obra oferece a oportunidade de traçar Matriarcados através da História da Música, em vez de apenas genealogias masculinas; neste sentido, sua vida e obra são uma afirmação do feminino! VAI, MULÉ!!!

E, finalmente, em relação ao aspecto racial: Chiquinha é mestiça, preta e branca, o arroz com feijão do Brasil, e reconheceu sua ancestralidade ao longo da vida tanto em obra quanto em sua atuação em prol da abolição. Ela representa uma oportunidade de ver o mestiço como sujeito de sua própria história, e não como mero fruto dos projetos nacionais de embranquecimento e do abuso; ou seja, se não se trata mais do mito equivocado da democracia racial, tampouco se trata de condenar seres humanos que resultaram das origens dupla (europeia-africana) ou tripla (europeia-africana-americana) do Brasil. Sua vida e obra são uma afirmação do plural!

O mundo dos compositores eruditos brasileiros ainda é acachapantemente branco OMO. Não há praticamente mestiço. Muito menos negro. É a apoteose do colonialismo, espelho branco pra rostos mestiços, a eterna negação do Brasil.

Isso dá a medida do desafio que foi pra Chiquinha Gonzaga,
E que é, ainda, hoje… .. .

Artigo escrito por Luiz Castelões em 2023

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

O disco que lançou Zé Ramalho

Bossa Nova é homenageada pelo compositor islandês Ingvi Thor Kormaksson em single lançado pela banda

Islândia, 2025. É no norte europeu que ressoa a voz de uma brasileira com cidadania islandesa, Jussanam. Ela é uma.

LEIA MAIS

SP/RJ: Bloco dos Dubladores se manifesta contra o uso indiscriminado da inteligência artificial no enredo

O carnaval deste 2024 nas metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo também questiona o uso indiscriminado das Inteligências Artificiais.

LEIA MAIS

A Via Dolorosa de Iaperi Araújo

A Via Dolorosa de Iaperi Araujo Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce.

LEIA MAIS

[RESENHA] A literatura brasileira é seca, é úmida, é árida, é caudalosa.

            Desde a civilização mais antiga, a vida humana é orquestrada pelas estações do ano.  No poético livro “bíblico de.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Elis Regina em detalhes (com Julio Maria)

O experiente jornalista musical e biografo Julio Maria é autor do livro “Elis Regina. Nada Será Como Antes”. A obra.

LEIA MAIS

Pacífico Medeiros: ressignificando a fotografia

No fundo, a fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa.                                                              Roland Barthes Pacífico.

LEIA MAIS

Streaming gratuitos: filmes, séries, novelas, jornalismo, entretenimento e educação

Com o crescimento do acesso à internet e a popularização das smart TVs, inclusive com modelos mais robustos, como uma TV.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: o registro da etnografia de um tempo extinto++++++++++++++++++++++++3

Há pouco se apagou de vezno reduto dos dicionárioscerta palavra-chave. Henriqueta Lisboa 1. Nilson dos Santos (17.06.1970) nasceu em Currais.

LEIA MAIS

Novo pop rock de Jan Thomassen se esbarra na “crise dos 40” 

“Envelhecer consciente de que não há caminho de volta”. É este um dos pensamentos do novo single do cantor e.

LEIA MAIS

As tradições culturais do Pará e de Minas Gerais se encontram na banda Tutu com

Bruna Brandão / Divulgação Apesar do disco de estreia ter sido lançado em novembro de 2021, a banda Tutu com.

LEIA MAIS