27 de julho de 2026

Chiquinha Gonzaga: compositora mulher mestiça

Chiquinha Gonzaga

A mítica compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935) representa um divisor de águas na história da música brasileira.

Nela, convergem 3 marcos principais: o musical, o feminino e o racial.

Em relação ao aspecto musical, a obra dela foi das primeiras vezes em que a música de um(a) compositor(a) brasileiro(a) de música escrita refletiu traços inequívocos de brasilidade, em vez de funcionar como mera XEROX de modelos estéticos europeus; antes (e mesmo depois) de Chiquinha, a música escrita feita no Brasil era difícil de distinguir das referências europeias (clássicos, barrocos, românticos e afins); em alguma medida, esse colonialismo da música escrita brasileira permanece vastamente presente até hoje; neste sentido, sua obra é uma afirmação da possibilidade do brasileiro de existir como sujeito de sua própria Música! De existir como sujeito!

Já em relação ao aspecto feminino, Chiquinha representa a possibilidade de vislumbrar a Mulher como sujeito da música brasileira (em vez de vê-la sempre como mera vítima do patriarcado) e, assim, sua obra oferece a oportunidade de traçar Matriarcados através da História da Música, em vez de apenas genealogias masculinas; neste sentido, sua vida e obra são uma afirmação do feminino! VAI, MULÉ!!!

E, finalmente, em relação ao aspecto racial: Chiquinha é mestiça, preta e branca, o arroz com feijão do Brasil, e reconheceu sua ancestralidade ao longo da vida tanto em obra quanto em sua atuação em prol da abolição. Ela representa uma oportunidade de ver o mestiço como sujeito de sua própria história, e não como mero fruto dos projetos nacionais de embranquecimento e do abuso; ou seja, se não se trata mais do mito equivocado da democracia racial, tampouco se trata de condenar seres humanos que resultaram das origens dupla (europeia-africana) ou tripla (europeia-africana-americana) do Brasil. Sua vida e obra são uma afirmação do plural!

O mundo dos compositores eruditos brasileiros ainda é acachapantemente branco OMO. Não há praticamente mestiço. Muito menos negro. É a apoteose do colonialismo, espelho branco pra rostos mestiços, a eterna negação do Brasil.

Isso dá a medida do desafio que foi pra Chiquinha Gonzaga,
E que é, ainda, hoje… .. .

Artigo escrito por Luiz Castelões em 2023

Rogério Skylab: o feio e o bonito na MPB

O disco que lançou Zé Ramalho

FAROL DE HISTÓRIAS – Projeto audiovisual que aproxima crianças da leitura

Para Michelle Peixoto e Vinícius Mazzon, a literatura tem seu jeito mágico, prático e divertido de chegar às crianças brasileiras..

LEIA MAIS

Podcast Investiga: A arte como resistência política e social (com Gilmar Ribeiro)

Se a arte é censurada e incomoda poderosos do capital, juízes, políticos de todas as naturezas, chefões do crime organizado,.

LEIA MAIS

Silvo Carlos: eu quero uma casa no campo, de um tamanho ideal…

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,Pergunto a.

LEIA MAIS

Queriam vê-lo como um monstro, morto ou perdido no crime; e GU1NÉ os respondeu com

“Nasce Mais Um Monstro”, o EP de estreia do rapper GU1NÉ, é também uma resposta aos que não acreditaram nele..

LEIA MAIS

Kelline Lima: linhas sinuosas e orgânicas como arquétipos do feminino

O  coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate. Provérbios, 15:13 1. Kelline Lima.

LEIA MAIS

“Fiz da arte um motivo para viver” – por Pedro Antônio

Quadro “Cinco Girassóis” de Pedro Antônio   Meu nome é Pedro Antônio, tenho 23 anos, e hoje eu posso afirmar que.

LEIA MAIS

Novo pop rock de Jan Thomassen se esbarra na “crise dos 40” 

“Envelhecer consciente de que não há caminho de volta”. É este um dos pensamentos do novo single do cantor e.

LEIA MAIS

A arquitetura sonora de Roberto Menescal

Gênio da bossa nova e ativo no mercado até hoje, Roberto Menescal já teve sua trajetória retratada em seis livros..

LEIA MAIS

Uma aula sobre samba paulista com Anderson Soares

Patrimônio cultural imaterial do nosso país, o samba foi descrito e explicado por incontáveis fontes, como estudantes do tema, jornalistas,.

LEIA MAIS

Damião Costa: a pintura como morada do instante

O artista Damião Costa (São Vicente, RN, 1987), desde a infância, quando os olhos se detinham nos leilões televisivos de.

LEIA MAIS