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RELESPÚBLICA – Banda fundada no final dos anos 80 revive o bom rock no álbum “Sem Ninguém Ao Lado”

Matheus Luzi

Publicado

em

(Fabiano Ferreira / Divulgação)

No final dos anos 80, dois adolescentes do Colégio Santa Maria de Curitiba-PR, Fábio Elias e Eamnuel Moon fundaram a banda Relespública, grupo influenciado pelo rock britânico dos anos 60, em especial, aquele feito pela The Who. Anos mais tarde, Daniel Fagundes e Ricardo Bastos passaram a fazer parte desses garotos sonhadores que trouxeram para a cena um som autoral e, até mesmo, revolucionário para a época e para a região.

A Relespública foi um marco na cena cultural de Curitiba e, em mais de três décadas de atuação, teve seus pontos baixos e altos. Talvez o momento mais difícil para essa, na época, garotada, teria sido a morte do vocalista Daniel em 1994, vítima fatal de um acidente de carro. Mas, bola pra frente! Assim, eles participaram de vários festivais, e com o álbum “Rock’n Roll Brasil”, foram um dos primeiros a quebrar o eixo Rio-São Paulo, tendo o disco em destaque em boa parte do Brasil. O auge foi quando a Relespública recebeu o convite para tocar no Rock In Rio do ano 2000, após lançar “O Circo Está Armado”, pela gravadora Universal.

Além disso, a banda chegou a gravar um especial na MTV, emissora de música que, naquele período, despontava em referência musical. Em 2013, eles realizaram um sonho antigo de tocar na Inglaterra, em uma pequena turnê em clubes da cidade de Londres.

Viva e madura como nunca, a Relespública, atualmente formada por três integrantes, lançou, neste ano, o álbum “Sem Ninguém Ao Lado”, um registro dos 32 anos de carreira e que é a volta do trio ao estúdio depois de quase 13 anos sem gravar. O disco também é o reencontro com o produtor Marcelo Crivano, que auxiliou a Relespública na gravação de “MTV Apresenta” (2006) e “As Histórias São Iguais” (2003.

Nesta novidade, o grupo paranaense teve que revisitar o próprio baú. Desse garimpo, cinco canções de repertórios de shows, mas que nunca haviam sido gravadas, entraram para o álbum, tendo duas versões para cada: a cantada e a instrumental.

A seguir, você confere uma entrevista que realizamos com os caras!

Matheus Luzi – Quando a banda foi formada, vocês ainda eram adolescentes. Qual a diferença que vocês enxergam entre aquele grupo do final dos anos 80 e esse de agora?

Emanuel Moon – Quase nenhuma, a vontade de tocar e o sangue nos olhos continuam. Talvez agora a gente tenha aprendido a tocar melhor, pelo menos eu e o Fábio, pois o Ricardo sempre foi fera. [RSRS].

Fábio Hoje temos mais experiência, mas a energia visceral de subir no palco e tocar é a mesma. Quando juntam os três, é nitroglicerina pura!

Ricardo – Tudo era diferente o mundo era outro… além de que tínhamos 13/14 anos. Aquela época ter acesso a músicas era muito mais difícil, porem era muito mais valorizado e era um acontecimento quando um de nós conseguia um vinil ou VHS. O que não mudou foi o gosto pelo Rock.

Matheus Luzi – Em 1994, em um acidente de carro, o guitarrista Daniel Fagundes deixou o mundo. Como foi esse momento para vocês? [NOTA: Depois da entrevista, percebemos que erramos: Daniel era vocalista]

Emanuel Moon – Daniel era o vocalista da Reles, um multi-instrumentista que coordenava a banda. Recentemente vi um vídeo de nós tocando com ele e uma hora o Daniel dá um puxão no paletó do Fabio porque estava esquecendo de fazer o backing vocal. Essa imagem para mim diz muito de como ele era. O irmão mais novo que mandava nos mais velhos.

Fábio – Pois é, o guitarrista sou eu. Mas como ele tocava todos os instrumentos que se possa imaginar, vou relevar esse detalhe. rsrs mas dizer como foi perder o irmão mais novo? Nada pode ser pior na vida. Acho que só perder um filho é pior que isso.

Ricardo – Extremamente difícil, nós éramos muito próximos como um irmão mesmo.

Matheus Luzi – Em uma leitura dinâmica, qual a importância e relevância da Relespública para o cenário underground de Curitiba e região? Se quiserem, podem falar também a nível nacional.

Emanuel Moon – Eu acho que no rock curitibano nós fomos responsáveis pela pavimentação do caminho. Bandas anteriores como A Chave, Blindagem, Beijo AA Força, tiveram que abrir a trilha e abrir a estrada. Nós continuamos o trabalho deles e quando nos aproximamos de nossos ídolos do rock nacional com certeza influenciamos eles também. Quando lançamos o “E o Rock’n’Roll Brasil!?” em uma época que só se fazia rock misturado, nós demos nosso recado a eles.

Fábio – Nós não mudamos de Curitiba para mudar Curitiba, sacou? Daqui há 100 anos se alguém for falar de Rock no Brasil e citarem essa cidade fria, vão lembrar da Relespública.

Ricardo – Não sei só fazemos as nossas músicas e shows…

Matheus Luzi – Em 2000, vocês quebraram o eixo Rio-São Paulo e, assim, lançaram “O Circo Está Armado”, pela gravadora Major Universal e foram escalados para o Rock In Rio do ano seguinte. Isso foi demais!

Emanuel Moon – Foi muito bom, mas não estávamos devidamente preparados para isso. Fizemos muitas concessões, deixamos de lado nossas convicções e a banda acabou perdendo um pouco da essência.

Fábio – foi uma experiência única de como devemos e não devemos trabalhar. Pro resto da vida foi e será um aprendizado para nós.

Ricardo – Foi uma época boa por tudo isso musicalmente, mas uma época de transformação do mercado musical, no fim foi muito frustrante.

Matheus Luzi – Vou pegar um gancho na pergunta anterior, e pedir para vocês falarem sobre os festivais que participaram, destacando os principais e mais relevantes.

Emanuel Moon – Gosto de lembrar dos festivais mais antigos, Super Demo, Juntatribo, Abril pro Rock e o BIG do Jr Ferreira. Nesses festivais você ia tocar imaginando que sairia dali com um contrato com uma gravadora.

Fábio – saudades dos festivais. A gente viajava horas pra tocar, não ganhava porra nenhuma, dormia em qualquer lugar, comia Jesus me chama na rodoviária, mas era muito divertido encontrar outras bandas e fazer essas amizades na música. Tocamos em quase todos nos anos 90, de Sul a Norte.

Matheus Luzi – Sonoramente e poeticamente, como vocês definem as músicas da Relespública?

Emanuel Moon Amor, inconformismo e visceralidade.

Fábio – nós aprendemos juntos desde sempre, aos 13 anos. Por isso é um som único. Você vai ver e ouvir várias referências no nosso som, mas é Relespública. Poeticamente é tudo o que se passa na mente inconformada de um compositor que se recusa a envelhecer e estagnar e que tem no coração o tal amor incompreendido. Isso é o Rock, a música dos incompreendidos para os inconformados.

Ricardo – sonoramente fazemos músicas muito diferentes, sempre foi assim, somos muito abrangente quanto ao estilo mas sempre um pegada rock e com muito improviso sem ficar muito há um estilo de Rock. Poeticamente é o nosso dia a dia.

Matheus Luzi – Acho importante vocês comentarem sobre os discos que lançaram e, mais específico, sobre “Sem Ninguém Ao Lado”.

Emanuel Moon – Na maioria das vezes nós nos “auto-produzimos” e com o Rafael Ramos na Universal tivemos a primeira experiência com um produtor. Aplicamos todo esse conhecimento na “As Histórias”, junto com o Marcelo Crivano, que deu muito certo. Fizemos da mesma forma agora ainda com a ajuda do Bruno Sguissardi, que acabou fazendo como o Daniel, mais novo que todos, soube tirar o melhor de nós no estúdio.

Ricardo – “Sem Ninguém ao lado” é uma evolução natural do que fizemos em “As histórias são iguais” e “MTV apresenta” ambos com o produtor Marcelo Crivano que nos entende musical e pessoalmente e traça um norte, nos ajuda muito no disco e pós disco. Bruno que fez a produção musical, pia muito talentoso e foi a primeira vez que trabalhamos juntos.

Dos outros discos, “E o r’n’r brasil” foi um disco que finalizou uma fase difícil com a perda do Daniel, o Gor e o Kako entraram na banda e deram um novo gás a banda, foi uma época muito importante e uma volta por cima.

“O circo esta armado” foi um disco de uma fase muito boa produzido pelo Rafael Ramos, mas que por vários motivos no final acabou sendo decepcionante e frustrante, não o disco em si, mas a continuidade da nossa carreira. E voltamos ao trio.

“Histórias são iguais” começou despretensioso e se tornou para muitos amigos o nosso melhor trabalho, foi mais um recomeço. [RSRS]

MTV por causa do barulho do disco anterior gravamos o DVD e CD “MTV apresenta”, uma boa performance ao vivo um único show era um take uma chance… Reles sempre arriscando e andando no limite

“Efeito Moral” a continuidade desses trabalhos, um disco sem produtor só nós três e o Vitor do Estúdio Solo, o estúdio que gravamos o primeiro lançamento, o EP “Modo de Vida” com Daniel Fagundes. Gosto muito desse disco, mas logo depois marcou mais um período sem lançamentos e atividades fomos hibernar. Para voltar agora.

Fábio – o Ricardo falou tudo. Só acrescento que sempre o último precisa ser melhor que o penúltimo.

Matheus Luzi – Vocês têm alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) interessante(s) para nos contar?

Emanuel Moon – O processo de criação do “Sem Ninguém ao Lado” foi muito diferente, pois nosso primeiro ensaio de pré-produção foi dois dias antes de decretarem o primeiro lockdown. Ficamos meio perdidos, sem poder tocar e com medo de nos reunirmos para ensaiar. Fomos decidindo as coisas on-line, eu cheguei a comprar uma bateria eletrônica para estudar em casa. Gravava as bases de bateria e mandava para os outros. Só começamos a ensaiar de verdade muito tempo depois. Mas foi uma maneira nova de criação imposta pela pandemia e que deu muito certo. Sem dúvida nosso melhor trabalho até hoje e ficará marcado por tudo isso que estamos passando.

Fábio – O que mais tem são histórias nesses anos todos. Mas como é difícil escrever, temos que sentar num bar e jogar conversa fora entre um gole e outro pra fluir as melhores delas. Está convidado para aparecer a te apresento alguns bons botequins.

Matheus Luzi – Agora deixo vocês à vontade para falarem o que quiserem.

Ricardo – Além do “Ninguém ao Lado”, vamos colocar muitas músicas inéditas para uma grande parte do público nas plataformas de streaming e no  se inscreva e youtube. Nos acompanhe se curtiu as nossas músicas, estamos apenas recomeçando…

Emanuel Moon – Deixo pro Fábio que gosta de falar rsrsrs

Fábio – Continuem acreditando no seu sonho. Ele te manterá vivo e seguindo em frente! Ah! Não esqueça: Comam Rock! Bebam Reles!

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