14 de outubro de 2026

Rock progressivo mineiro em 2022? Banda Apartamento Mobiliado responde com “Gioconda”

Capa do EP

O rock progressivo é uma vertente que, dentre os leigos e semi-leigos, gera confusões em torno das suas características e grandes dificuldades em definições, o que é justificado justamente pela complexidade de elementos que o compõe. É, também, anti-comercial, principalmente em decorrência de sua complexidade musical e durações extensas das faixas.

Por essas e outras, não é muito comum no cenário nacional surgirem bandas que pensem e agem como os progressistas dos anos 1970, data que marca o auge do movimento, com Pink Floyd como “garoto propaganda”. Se levado em consideração o imaginário da música mineira, se torna ainda mais curioso quando um conjunto de rock mineiro se declara progressivamente.

É assim, em meio a um campo sem holofotes, e de poucas expectativas de goleada, que a banda mineira Apartamento Mobiliado apresenta o seu primeiro EP, “Gioconda”, antecessor do álbum de estreia, “Em Obras” (2020).

Vamos lá…

O EP é um experimento de duas faixas de mais de 11 minutos de duração. Mais do que isso, o próximo passo desta banda de Juiz de Fora, tendo o seu devido lugar na cena como uma meta a ser alcançada, sendo que “Gioconda” é uma luz que os leva na direção correta.

Sem compromissos com gravadoras ou empresários, a Apartamento é nitidamente livre em suas gravações. Tem no “levar experiências e desabafos como forma de arte” como propósito vital, ato genuíno merecedor de aplausos. Também, em referência ao pequeno espaço das novidades do rock no Brasil, acredita na força de ser o próprio criador deste cenário.

“Sempre pensamos em trazer elementos dos anos 70, mas entendendo também, que não podemos fugir de nosso cotidiano que é o século 21. Ou seja, mesclamos o que é popular e interessante na nossa visão de ambas as épocas, e moldamos nosso som em torno disso.”, pontua Yves da Mota, guitarrista solo.

Por que escutar este som?

Indie, shoegaze, hard rock, rock psicodélico, rock alternativo e a música erudita são as inspirações do EP, que forma, então, o seu mosaico progressivo. Atrelado a isso, é inevitável que a Apartamento traga a essência mineira, apesar ser algo “involuntário” e “sem pretensão de se igualar aos clássicos regionais”.

Sobre o conceito, vale dizer que a segunda faixa é a sequência da primeira, mas não somente no arranjo, que afinal não está isolado da letra. Alternada entre o inglês e o português, o EP narra as cabulosas sensações e conflitos internos de um relacionamento. Nesse quadro de um eu lírico desgastado, desesperançoso e pessimista, a harmonia e melodia são acompanhantes intensas.

A banda

Criada para servir o público de bares com som acústico, à época a banda tinha em mente ter algo próprio, um veículo singular de expressão de sentimentos, memórias, momentos e reflexões.

Várias formações surgiram, e num período curto se estabeleceram quatro integrantes: Diego Sartori (vocal/guitarra base), Yves da Mota (guitarra solo), Thiago Wurtz (teclado) e Marco Schmidt (bateria), além da participação de Lucas Barbosa (baixo) no álbum de estreia.

Como ainda se trata de um grupo de idade jovem no mercado, os próprios membros mencionam o título de progressivo como não definitivo, assim como ‘qualquer outro que possa vir a nomeá-los.

“A liberdade criativa e as diversas referências e momentos nos levam a diversas ideias e viagens, podendo ser o próximo EP de uma estética completamente diferente”, explica Diego.

O Rock progressivo

Surgiu a partir da segunda metade dos anos 1960, com The Beatles e Moody Blues como importantes percussores. No início da década seguinte, o movimento se popularizou com as bandas Pink Floyd, Yes, Genesis e o trio Emerson, Kale & Palmer. No Brasil, Casa das Máquinas, Os Mutantes e outras bandas se destacaram. Seu auge foi quebrado em 1974 com o nascimento do seu opositor, o punk rock.

Também chamado de Art Rock (por apresentar shows cênicos), o movimento é caracterizado por: misturar-se com a música clássica e outros gêneros; ir além dos conceitos básicos do rock, o elevando artisticamente; gravar com instrumentos atípicos como flauta, saxofone, violino, sintetizadores, efeitos e colagens eletrônicas, e timbres diversificados); e romper estruturas padronizadas (com longos períodos para cada faixa, trechos instrumentais estendidos e interlúdios musicais).

Por fim, vale mencionar que esta vertente do rock exigiu maior esforço do ouvinte, dos compositores e dos músicos, e foi responsável, entre outros feitos, por elevar a credibilidade do rock, conquistando fãs fieis até os dias atuais.

Confira uma playlist com algumas boas indicações:

FICHA TÉCNICA DE “GIOCONDA”

Gravação em novembro de 2021, na cidade de Juiz de Fora, no estúdio LaDoBê

Vocal, riffs de guitarra: Diego Sartori

Guitarra base-solo e baixo: Yves da Mota

Bateria: Marco Schmidt

Teclado-órgão: Thiago Wurtz

Mixagem e masterização: Bernardo Mehri.

Capa: Diego Sartori / Foto por Federico Scarionati

FONTES

  • ENTREVISTA REALIZADA COM A BANDA

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