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SAMBA RAIZ – Grupo Trio Gato Com Fome lança o álbum “Sedento”

Matheus Luzi

Publicado

em

Crédito: Merylin Esposi / Divulgação

O Trio Gato Com Fome, grupo de samba de São Paulo (SP), lança seu terceiro álbum, “Sedento”. São 11 faixas onde Cadu Ribeiro (pandeiro, percussão e voz), Gregory Andreas (cavaquinho e voz) e Renato Enoki (violão, violão 7 cordas, baixo acústico e voz) apresentam para o público muito balanço e irreverência, sua marca registrada, com sambas sincopados e sambas de breque, mas que traz também poesias acalentadoras e, principalmente, mostra sua devoção ao samba.

A sofisticação da produção acontece não só nas composições e letras, mas com a riqueza instrumental da obra. Na banda de base, além das tradicionais cuíca, tamborim e reco reco, há também sax, trombone, trompete, flauta, clarinete, clarone e violoncelo.

“A produção de ‘Sedento’, foi feita cuidadosamente, desde a curadoria do repertório, passando pelos arranjos até a seleção dos músicos mais gabaritados para a execução em estúdio”, conta o Trio. “A escolha de termos Marcos Alma como coprodutor se baseou muito no fato de que queríamos um timbre de som analógico, indo na contracorrente dos atuais padrões da indústria, muito por conta das referências de som que buscávamos, como o álbum ‘Vida Noturna n°1’, de Caco Velho e seu Conjunto, ou o ‘Morengueira’, de Moreira da Silva, por exemplo. O álbum ‘Sedento’, no entanto, dialoga com a vanguarda em arranjos que esbanjam harmonias e contrapontos modernos, traduzindo fielmente o conceito do nosso som; samba com muito balanço e bom humor”, conclui.

O Trio Gato Com Fome já apresentou para o público o single “Cantei Meu Samba”, sexta faixa do álbum, com participação de Carlinhos Vergueiro, e que ganhou clipe (aqui). “Responderei Sambando”, terceira faixa, também ganhou clipe (aqui) e tem participação de João Cavalcanti.

A CAPA

A capa do álbum “Sedento”, traz um gato tentando se mover dentro da água, dando a ideia da dificuldade de se locomover num ambiente desfavorável, uma vez que a água é um ambiente hostil para os gatos. Representa a luta pela sobrevivência, a resiliência. Os traços tem como referência a linguagem de gravuras japonesas e na escrita uma referência de arte popular, artesanal, feita à mão.

FAIXA A FAIXA

1. Numa Certa Madrugada

Faixa de abertura do álbum, já é possível imaginar o que está por vir. A escolha pela utilização de muitos instrumentos de percussão como surdo, tamborins, agogô, garrafa, congas, caixas, frigideira, além do pandeiro, e o complexo arranjo de metais e cordas, completam a viagem para esse cenário da temática da música, onde tudo parece estar de cabeça pra baixo. A letra brinca com diversos ditados populares, invertendo seus sentidos e apresentando um mundo “fora de ordem”.

2. Dá de 10

A segunda faixa é uma brincadeira que envolve carinho, amor, respeito e uma referência a um dia trágico na história do futebol brasileiro. Nessa canção, alguns instrumentos param para descansar. Tanto letra e música, quanto o arranjo, têm como referência os sambas românticos, constantes no repertório de intérpretes como Noite Ilustrada e Nelson Gonçalves. Destaca-se também uma visitinha à música latina.

3. Responderei Sambando 

Essa música é um brinde ao samba e à vida. Partindo da pergunta sobre como se deseja morrer, a resposta é enfática. Porém, o ensejo é aproveitado para apresentar a diversidade de coisas a se fazer antes da morte chegar. O samba conta com a participação especial de João Cavalcanti, que divide a interpretação com Cadu Ribeiro.

4. Minha Vez no Festival

É um samba de breque composto pelo Trio Gato Com Fome justamente para participar dos festivais de música que acontecem pelo Brasil. O grupo defendeu o samba em alguns festivais e também no programa Sr. Brasil, apresentado por Rolando Boldrin na TV Cultura. O samba apresenta as peripécias de um calouro em busca de seu cartaz. Com divertidas intervenções, o samba homenageia a genialidade de artistas do gênero como Moreira da Silva e Jorge Veiga. O arranjo ficou por conta de Conrado Bruno, que toca trombone nesta e em outras faixas do disco.

5. Veneno de Tocandira

A faixa é uma grande fusão de linguagens. Enquanto a percussão faz referência aos batuques rurais, origem do samba paulista, o arranjo de sopros e cordas (que ainda recebe o auxílio luxuoso de um baixo acústico) faz um contraponto trazendo uma linguagem contemporânea. A letra exalta a força dos trabalhadores que mesmo sendo a locomotiva da nação, muitas vezes passam despercebidos. O samba é uma parceria de Cadu Ribeiro, Gregory Andreas e Nkongo Divwa, compositor e defensor do samba paulista e das culturas de matriz africana.

6. Cantei Meu Samba

A canção traz a participação do grande Carlinhos Vergueiro, que também assina a autoria do samba em parceria com Cadu e Gregory. A faixa traz o excepcional músico Alexandre Ribeiro no clarinete e clarone, além de um arranjo de cordas que contou com Wanessa Dourado (violinos) e Adriana Lombardi (violoncelos). O samba é um hino de fé e resiliência, que se encaixa mais do que nunca nesse período em que vivemos. Seja qual for a situação, cantemos nosso samba.

7. O Preço da Felicidade

A música aborda em sua poesia a questão filosófica que o título apresenta. A coragem do coração que, mesmo partido, nunca desiste de ser feliz. Na instrumentação, destaque para a condução suingada do repique de anel de Alfredo Castro, discípulo da linha do grande percussionista Doutor, criador do instrumento, e para o arranjo de metais que ainda abre espaço para um invocado solo de saxofone.

8. Vou de Samba

Nesta faixa destaca-se o arranjo vocal, baseado nos grandes conjuntos como Anjos do Inferno, Quatro Ases e Um Coringa e Demônios da Garoa. O arranjo para piano e pandeiro, numa referência a um dos grandes discos da história da música popular brasileira, Vida Noturna (1958) do intérprete Caco Velho com o acompanhamento do maestro Hervê Cordovil ao piano. Essa faixa, um sambalanço, traz na letra e melodia uma levada que faz referência aos consagrados “sambas-boogie” do grande compositor paulista Denis Brean.

9. Quem Mexe com o Samba

Um autêntico samba sincopado, influência direta de dois nomes muito importantes para o Trio: Germano Mathias e Luiz Grande. O arranjo traz o clima das grandes gafieiras e tem como referência o disco Batuque na Palhinha, de mais um importante nome do samba sincopado, Dilermando Pinheiro. Outro elemento que comprova a referência é a utilização do Piano Rhodes, instrumento pouco presente no samba atualmente.

10. Tempo

Música repleta de fusão de linguagens: trombone, sax e piston se juntam aos instrumentos percussivos típicos das escolas de samba (caixas, cuíca, repenique, tamborins, surdo de terceira) para dar uma sonoridade peculiar. Na poética, uma reflexão. Em tempos onde o uso de antolhos imaginários é padrão à toda sorte de trabalhadores, se faz necessário um convite a pensar sobre o porquê dessa resignação toda.

11. Sedento

A faixa que fecha o álbum, e dá nome a ele, é um divertido samba de breque que dá nome ao álbum. A epopéia do herói “Gato com Fome” em defesa das águas brasileiras é inspirada nas grandes aventuras de Kid Morengueira. Cheia de intervenções e referências ao cinema, literatura, quadrinhos, música e política.

FICHA TÉCNICA

Produção: Trio Gato Com Fome e Marcos Alma

Direção Musical: Trio Gato Com Fome

Arranjos: Trio Gato Com Fome (exceto faixa 4) e Conrado Bruno (Faixa 4)

Projeto gráfico: Danilo Oliveira

Fotos: Merylin Esposi

Trio Gato Com Fome 

Cadu Ribeiro: pandeiro, percussão e voz

Gregory Andreas: cavaquinho e voz

Renato Enoki: violão, violão 7 cordas, baixo acústico e voz

Músicos participantes

Osvaldinho da Cuíca: cuíca (faixas 3 e 6)

Julio Cesar: percussão

Rafael Y Castro: bateria e percussão

André Piruka: cuíca (faixa 10)

Alfredo Castro: repique de anel (faixa 7)

Paulinho Timor: reco reco e garrafas

Alexandre Ribeiro: clarinete e clarone

Allan Abbadia: trombone (faixa 3)

Luiz Cassio: trombone solo (faixa 10)

Vitor Eiji: sax alto solo (faixa 7)

Enrique Menezes: flauta

Conrado Bruno: trombone (exceto faixa 3)

Natan Oliveira: trompete

João Poleto: sax tenor

Adriana Lombardi: violoncelos

Wanessa Dourado: violinos

Marcos Alma: piano e rhodes

Coral: Trio Gato Com Fome, Juliana Amaral, Flora Poppovic, Paula Sanches, Anná, Fernando Szegeri, Edinho Silva e Alfredo Castro

Gravação, mixagem e masterização: Marcos Alma (Nheengatu Criações São Paulo) Abril 2019 – Janeiro 2020

SOBRE O TRIO GATO COM FOME

O Trio Gato Com Fome nasceu em 2006, com apresentações na cidade de Guarujá. Logo subiu a serra, se apresentou em diversos palcos da noite paulistana, realizou uma turnê pela Europa com shows em Roma e Berlim, e participou de duas temporadas em navios de cruzeiro da companhia MSC, até entrar em estúdio em 2010 para gravar seu primeiro álbum. O disco, homônimo, foi lançado em 2011 e contou com as participações de Rolando Boldrin, Osvaldinho da Cuíca, Canarinho e do locutor esportivo Ulisses Costa. Em 2013, o Trio participou de um show em homenagem ao sambista baiano Riachão e, nos anos seguintes, passou a fazer parte da banda que acompanhou o cantor e compositor até o fim de sua vida. Em 2015, o grupo lançou seu segundo álbum, Em busca dos sambas de Raul Torres, realizado com apoio do Proac SP, em homenagem ao compositor paulista de Botucatu. A obra rendeu ao Trio a indicação ao Prêmio da Música Brasileira de 2016, na categoria “Melhor Grupo de Samba”. Em 2017, os sambistas realizaram uma série de shows em homenagem ao centenário do compositor Denis Brean, já presente no repertório do Trio desde seu primeiro disco, com a gravação do samba “Boogie Woogie na Favela”. Em 2018, o conjunto passou a explorar seu repertório autoral, compondo e experimentando as canções nos shows, lapidando os arranjos, e finalmente, em 2019, voltou ao estúdio para a gravação do terceiro  álbum, que devido à pandemia, chega somente agora ao público. Ao longo de sua trajetória o Trio Gato Com Fome já se apresentou ao lado de nomes como Jair Rodrigues, Moacyr Luz, Alcione, Wilson Moreira, Osvaldinho da Cuica, Riachão, Edil Pacheco, Nelson Sargento, Fabiana Cozza, Carlinhos Vergueiro, Nelson Rufino, Velha Guarda do Camisa Verde e Branco, Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde, entre outros. 

(Fonte: release oficial enviado à imprensa)

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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