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Música

Sem definições ou rótulos, é assim que a banda O Tarot apresenta o álbum A ILHA DE VIDRO [ENTREVISTA]

Matheus Luzi

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Com a repercussão do primeiro trabalho da banda, o EP ZERO (2016), a O Tarot conseguiu, por meio de financiamiento coletivo na internet, arrecadar 20 mil reais para a produção, gravação e divulgação do primeiro álbum, intitulado A ILHA DE VIDRO, que expande o conceito de música nômade criado pela banda. Além disso, o álbum também traz uma diversidade muito grande dentro da parte rítmica, indo do cigana ao tango, do baião à milonga, de baladas ao rock progressivo.

Nas faixas SUPERNOVA e A PORTA, foi utilizado um novo aliado na história da O Tarot, o bandolim, que fez toda a diferença. Em VALENTIM, CARTA MARINA, CHALEIRA e NOVE CAIXAS, o acordeon, já presente no EP ZERO, ganhou mais presença ainda.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com o integrante da banda, Lucas Gemelli (acordeon, guitarra, bandolim e letras).

 

 

Como chegaram na concepção musical e poética do álbum?

A Ilha de Vidro é um dos nomes pra Avalon que, segundo a mitologia céltica, é a casa do mago Merlin. Lugar de cura (interior e exterior) e de reconstrução. Todas as músicas, de alguma forma, estão dentro desse processo. A ideia de referenciar esse lugar veio da carta número 1 d´O Tarot, que é “O Mago”. De cara veio a referência a Merlin, e aí os caminhos foram acontecendo e essa ilha cresceu.

 

A ILHA DE VIDRO, expande o conceito da sonoridade de música nômade criado por vocês… Comente.

A vontade foi de visitar outros lugares, outras sonoridades, outros temperos. Nesse álbum existe mistura de música pop com celta, milonga com maracatu, tango com baião, e por aí vai. Não só visitamos mais estilos, mas também fizemos com que eles dialogassem entre si. Foi tão difícil quanto divertido.

 

Como conseguiram a façanha de arrecadar 20 mil reais em financiamento coletivo para o álbum?

Através de muito trabalho em grupo. Hoje O Tarot é bem maior do que as cinco pessoas que estão no palco. Temos uma equipe grande de criação, tão apaixonada quanto os cinco pel’O Tarot. Todo o projeto foi pensado em grupo: a ideia de fazer uma websérie, a concepção de roteiros, itens que foram colocados nas recompensas. Tudo isso somado ao trabalho incrível da Sarah Cruz (empresária e organizadora do projeto), Rafaela Marcondes (Social Midia), Isabella Pina (Colagista que pensou grande parte do merchan) e Isabela Eichler (Videomaker que assina toda a parte audiovisual da campanha). Foi um trabalho muito intenso contra o relógio, mas, além dos vinte mil, serviu pra conectar muito mais profundamente cada uma das pessoas que fazem parte dessa equipe. Conseguimos juntos, afinal, como nossa campanha dizia: A união faz a força. E faz mesmo.

 

 

A parte rítmica do disco parece ser bem interessante. O que vocês têm a dizer em relação a isso?

Acreditamos que essa diferença nos ritmos venha justamente da união de estilos diferentes e pela sequência escolhida para o setlist, que deixa bem clara essa viagem por vários lugares. N’O Tarot água e óleo se misturam sim. Quanto mais informação e conteúdo conseguirmos colocar nas músicas, melhor. Cada música é um universo à parte, mas ao mesmo tempo tudo está conectado.

 

Ainda nesse sentido, qual foi o impacto que o bandolim causou em A ILHA DO VIDRO? E quais foram os outros instrumentos usados?

O bandolim foi um dos nossos xodós desse novo trabalho. É impressionante como cada instrumento consegue guardar uma personalidade muito forte em si. O bandolim traz um quê mais regional, metálico e misterioso. Quando testamos A PORTA e SUPERNOVA com ele fez todo sentido. Além do bandolim, usamos violão de nylon e de aço, viola da gamba, violino, trompete, saxofone, trombone, sons de taças de cristal (no início de A PORTA dá pra ouvir), sons de vidro quebrado (pode-se ouvir na parte diferente que tem no meio de NOVE CAIXAS) diversos instrumentos de percussão, teclado, guitarra, baixo, bateria e acordeon.

 

Como foram os momentos de criação das 12 faixas do álbum?

Nosso processo é bem interessante (e foi uma sugestão da Eli Moura, nossa preparadora de palco e grande coringa nessa caminhada). Primeiro nós analisamos a letra, depois cada um faz suas percepções, depois criamos um subtexto pra essa letra, com uma linguagem bem coloquial, transmitindo a mensagem da forma mais direta possível. Só então entramos no estúdio. Com todos entendendo profundamente o coração da música e vibrando na mesma frequência fica mais fácil compor. É mais fácil experimentar e ousar em um lugar que a gente já se sente confortável. Depois disso nos reuníamos com o Ricardo Ponte (produtor musical), passávamos aquele pente fino nas composições, testávamos outras coisas. Foi um longo ano de experimentação e descobrimento. Muito suor e paixão envolvidos em cada parte desse processo.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

A ILHA DE VIDRO é uma obra constituída através da força que tem o trabalho coletivo. Reformamos nosso estúdio de ensaio pra conseguirmos gravar a bateria lá (e colamos mais de 600 bloquinhos de madeira a mão pra fazer os difusores de som), fizemos um financiamento coletivo com uma websérie e mais de 200 colaboradores acreditando e financiando a banda, criamos um clipe em trinta dias (colocamos e tiramos uma tonelada de areia de praia no estúdio de gravação do IESB), tudo isso porque temos ao nosso redor pessoas talentosas e que nos brindam diariamente com sua força e amor. Essas doze músicas são um agradecimento à nossa equipe e a todas que contribuíram com o nosso financiamento coletivo. Vocês fizeram isso acontecer e nós amamos muito cada um de vocês.

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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