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Entrevista

Thomé, a promessa cumprida da Nova MPB

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Com 26 anos de idade, o cantor e compositor Thomé é do tipo de artista que prefere fazer arte por amor, do que apenas pela futilidade da fama ou das consequências derivadas delas. Paulistano de mão cheia, Thomé demonstra isso em suas músicas, nas quais a inquietação e a paixão em cada nota é são características marcantes.

Tantas qualidades são, também, frutos da trajetória do cantor no mundo profissional da música. Formado em canto popular pela Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim (EMESP), Thomé como integrante do Coral Jovem do Estado, teve a oportunidade de se apresentar nos principais espaços da cidade, tendo dividido o palco com nomes como Luiza Liam, e Chico César. Aliás, com Chico, Thomé gravou backing vocals para seu último disco.

Em 2020, a explosão do Tik Tok chegou até o músico. Despretensiosamente, Thomé começou a gravar alguns vídeos para a plataformas cantando a capella. Pegando-o de surpresa, em pouco tempo, viu suas performances atingindo milhões de acessos. Esse foi o estopim para que ele indicasse, enfim, sua carreira solo profissionalmente.

Thomé nos chamou muito a atenção e, por isso, batemos um papo com ele sobre sua vida artística. Confira a seguir.

Matheus Luzi – Querido, quem é o Thomé músico e quem é o Thomé ser humano? Os dois se unem até que ponto?

Thomé – O Thomé músico é inquieto, busca sonoridades e inspirações em gêneros bastante variados. Não consigo ficar parado num disco só. Gosto de ir pra MPB, depois pra música eletrônica, e aí paro num jazz, R&B, música indígena, pop… Isso se reflete no jeito que eu toco e canto. O Thomé ser humano é inquieto em buscar, mas aí já é num caminho mais filosófico. Tenho sede de me conhecer e entender o mundo. Acho que essas inquietudes unem ambos. Outro fator que ouço muito é que eu sou calmo, e que o meu cantar traz calma. Acho que tem a ver com a minha personalidade, que apesar das inquietudes, transmite paz.

Matheus Luzi – Apesar de jovem, você é um artista que está à margem dos padrões musicais da atualidade. A quê ou quem isso se deve? E sua opinião sobre o assunto, qual seria?

Thomé – Se deve bastante primeiro à minha criação, onde as pessoas que convivi na infância gostavam muito de música “antiga”, ouvi muito Chico Buarque, Caetano, músicas gringas dos anos 60 e 70. Isso abriu meus ouvidos pra essa realidade, fora também ter estudado canto popular na Emesp e na Etec de Artes, onde me deparei com artistas incríveis que também conhecem e produzem música à margem dos padrões. Sobre padrões, consigo apreciar bastante coisa que é vista hoje como super popular. Escuto as artistas pop que são trend e gosto da produção, gosto de várias coisas. Isso conversa com o povo e eu acho esse um dos principais fatores do fazer musical, conversar.

“Que a gente seja mais consciente pra que nossas decisões sejam em prol do coletivo, do planeta, da vida dos seres dessa Terra. Pra mim a arte é um despertar pra essa visão sensível que enxerga o outro.“

Matheus Luzi – Aqui uma pergunta que acredito que possa satisfazer a curiosidade de muitos: como você enxerga levar música boa para o TikTok, em vista de que, geralmente, a plataforma é vista como só para vídeos de humor?

Thomé – O Tik Tok me surpreende de diversas maneiras. Tenho conhecido mais e mais pessoas que criam conteúdos hiper relevantes na plataforma. Pessoas preocupadas com meio ambiente, ciência com fontes de verdade, pessoas que falam sobre saúde mental de forma responsável e também grandes artistas, incluindo musicistas. Tenho feito pontes com pessoas dessas áreas e tem sido uma experiência rica nesse sentido. Por mais que o aplicativo seja conhecido pelas dancinhas, tem muito mais acontecendo através da criatividade de quem o integra, em sua maioria, pessoas jovens.

Matheus Luzi – Sobre as gravações a capela que tanto fazem sucesso em suas redes socias, quais são os feedbacks que você recebe? E mais, porque a escolha deste formato?

Thomé – Os feedbacks são muito incríveis, é o tipo de coisa que a gente nunca imaginou antes. Realmente, foi um sucesso pro público, refletido em números, mas sobretudo em mensagens diretas que recebi agradecendo porque meus vídeos inspiraram a pessoa a criar arte, a começar nesse universo ou a voltar a produzir também, fora as pessoas que agradeceram, pois as músicas ajudaram na crise de ansiedade e tristeza. Algumas disseram que virou até despertador. Achei isso demais. A ideia veio justamente de produzir pro Tik Tok, quando meus vídeos acapella de um Thomé só começaram a ter bastante resultado. Aí, depois de produzir alguns nesse formato, me veio a ideia de fazer um coral de Thomés, muito por conta de eu cantar no Coral Jovem do Estado de São Paulo. Baseado nessas experiências, fiz meus próprios arranjos.

Matheus Luzi – Além de ótimo intérprete, você também é bom na hora de compor. Quero muito que você diga para nós o que te inspira e o que você gosta de passar para o seu público?

Thomé – Muito obrigado! A inspiração pra mim vem muito das experiências que eu passo, aquelas que são difíceis de explicar ou entender racionalmente. Geralmente transbordam em poesias e em melodias. Aí é quase inevitável compor. Quando sinto essas coisas, sei que a música que estou criando tem valor, porque vem de lugares muito sensíveis meus. E é sobretudo isso que quero passar pro público. Experiências que se tornam arte, e como todas as pessoas podem acessar esse lugar para criar.

“Sobre padrões, consigo apreciar bastante coisa que é vista hoje como super popular. Escuto as artistas pop que são trend e gosto da produção, gosto de várias coisas. Isso conversa com o povo e eu acho esse um dos principais fatores do fazer musical, conversar.”

Matheus Luzi – Eu sei que é uma pergunta ousada e que pode até ser difícil de responder, mas onde você quer chegar na música? Você tem alguma noção de para qual estação o trem da arte poderá te levar?

Thomé – Eu quero chegar em um lugar onde a arte seja uma maneira de eu criar pontes com pessoas do mundo todo. Quero poder viajar, conhecer novos artistas, cantar por aí e ser reconhecido por isso. Não é fama pela fama, mas é transformar a arte em um trampolim para viver uma vida mais plena e com significados. Creio que eu esteja pouco a pouco construindo essa carreira, acredito nesse caminho.

Matheus Luzi – Acredito que você tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) interessante(s) para compartilhar. Estou certo?

Thomé – Começa que meu nome é Thomas e recebi o apelido Thomé aos 12 anos de idade de maneira super aleatória, e o apelido viralizou na escola. Calhou de ser bem no momento em que comecei a tocar violão e que mudei vários hábitos. Foi um nascimento de um novo Thomas, daí usar esse apelido hoje como nome artístico. Outra curiosidade é que meus pais são desenhistas, se conheceram na Turma da Mônica. Então eu tive uma infância cheia de gibis da turma e isso era lindo, fez toda diferença na maneira em que enxergo arte e música. Tanto que hoje em dia eu faço produções de desenhos animados e trilhas para filmes. É um caminho que se integra pra mim. 

Matheus Luzi – Como de costume aqui nas entrevistas da Arte Brasileira, agora deixo você à vontade para falar o que bem entender.

Thomé – A gente vive um momento da história muito único. Os alicerces mudaram completamente, já não se vislumbra uma carreira de vida inteira em uma empresa, os sonhos se transformaram. A gente precisa buscar se conhecer mais pra entender se o sonho que estamos sonhando é nosso ou de outras pessoas. No fim, é um pouco de tudo, mas que seja mais o nosso! A gente não precisa querer ser artista porque o outro quer isso de nós, e isso vale pra medicina, engenharia ou qualquer outra coisa. Viver requer coragem e cada um sabe das dores e delícias de ser o que é. Que a gente seja mais consciente pra que nossas decisões sejam em prol do coletivo, do planeta, da vida dos seres dessa Terra. Pra mim a arte é um despertar pra essa visão sensível que enxerga o outro.

“Eu quero chegar em um lugar onde a arte seja uma maneira de eu criar pontes com pessoas do mundo todo. Quero poder viajar, conhecer novos artistas, cantar por aí e ser reconhecido por isso. Não é fama pela fama, mas é transformar a arte em um trampolim para viver uma vida mais plena e com significados. Creio que eu esteja pouco a pouco construindo essa carreira, acredito nesse caminho.”

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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