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Música

“Tudo nesse disco é cru, um retrato praticamente nu de mim”, diz Bia Sabino em entrevista, sobre álbum de estreia, ECOS

Matheus Luzi

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Capa do álbum

 

Em ECOS, disco de estreia de Bia Sabino, que foi realizado por meio de um financiamento coletivo na internet, a cantora e compositora usa sua versatilidade e ternura para interpretar as 13 faixas autorais, produzidas por Glaucus Linx (Elza Soares, Isaac Hayes, Salif Keita, Alabê KetuJazz).

O álbum é claramente tudo que Bia traz em sua bagagem pessoal, entre shows musicais, experiências nos palcos até mesmo às viagens que fez pelo mundo. Por outro lado, o fato de ter sido artista circense e ter formação profissional como geóloga também influenciou a criação de ECOS.

“O mundo me transforma, eu transformo o mundo. Somos uma onda, conectados em todos os sentidos por vibrações que emanamos e recebemos. Além daquela parte-essência que existe em nós e que ninguém consegue explicar, somos a soma, o produto, a divisão de tudo o que já nos tocou. ECOS fala das conexões e experiências humanas como um fator transformador de quem somos, quem queremos ser e o mundo que criamos à nossa volta”, diz Bia.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Bia Sabino.

 

 

Como está sendo para você lançar o seu primeiro álbum? O que você acha que ele tem a acrescentar na sua carreira?

Está sendo incrível! Por trás de ECOS existem muitos, muitos anos de postergação (risos). Existia uma Bia que encontrava conforto em dizer que viver de música era difícil, muito mais por medo de lidar com todas as dificuldades que esse caminho traz, principalmente para uma artista independente. Então, o lançamento de ECOS, além de representar a minha própria aceitação como artista, representa o momento onde eu finalmente acreditei em mim. Esse álbum foi como entrar por uma porta que sempre esteve aberta, mas eu fingia que não, por medo de fracassar em algo que eu nem havia tentado.

E o que ele tem a acrescentar à minha carreira? Tudo nesse disco é cru, um retrato praticamente nu de mim. E era isso que eu queria, que ECOS fosse um disco sincero sobre quem eu sou, para que no momento que eu mostrasse ao mundo o meu trabalho eu pudesse ser eu mesma, em notas, tons e harmonias. Dito isso, a ECOS eu atribuo a beleza de ser quem sou em um mundo que cobra o uso de máscaras para a nossa sobrevivência e aceitação social.

 

É verdade que ECOS é um acumulo de tudo que você viveu até hoje?

Sem dúvidas! Durante toda a campanha de financiamento coletivo, e a própria gravação do disco em si, aquela sensação de que durante os últimos anos eu tinha adquirido todo o conhecimento para fazer o álbum dar certo nunca saiu do meu lado. Cada momento, cada aprendizado, tudo isso foi ganhando corpo em forma de som e a magia aconteceu com o auxílio de muitas mãos. ECOS definitivamente não é um disco solo, é o resultado de um esforço coletivo que vai além do que eu posso explicar!

 

Ainda nessa pergunta. De certa forma, ECOS, pode ser considerado um álbum de expressão pessoal?

Pode sim, um eco de mim em suas várias nuances de vivências, momentos e aprendizados.

 

O que você diria a respeito da temática das músicas? E a parte musical, como você a definiria?

De uma maneira geral, o disco fala sobre aceitar, amar e acreditar em si mesmo, e com isso ser capaz de mudar o mundo à nossa volta. Com relação à segunda pergunta, eu nem sei por onde começar a responder (risos). Definir a parte musical parece algo limitante, mas eu diria que ECOS passa pela MPB, contornando o rock, acenando para o reggae e cumprimentando o pop. Eu nunca fui uma coisa só, e isso acaba refletindo nas minhas composições.

 

O que quer dizer o nome do álbum?

ECOS é uma alusão à nossa expressão no mundo. Tudo o que tocamos, transformamos, e tudo o que nos toca, nos transforma. O nome remete à conexão de tudo o que existe, pessoas, lugares, momentos, e como estamos sempre nos afetando. Em forma de som, essa cadeia de ação e reação se torna um eco, eco de quem somos.

 

Como foram os processos de produção e gravação do trabalho?

Uma loucura (risos)! Quando decidi produzir o disco e lançar o financiamento coletivo, eu estava trabalhando em tempo integral em um escritório no centro do Rio. Ou seja, meu tempo era limitado, mas eu estava determinada a fazer acontecer. Só que no caminho, você vai descobrindo que as coisas quase nunca acontecem como o planejado, e um processo que duraria 6 meses acaba durando mais de 1 ano e também que aquele emprego fixo passa a não existir mais. Nesse contexto, ECOS extrapolou muito o orçamento, o que foi muito difícil de lidar, por outro lado, me ajudou a mergulhar de cabeça em cada nota gravada. A minha família também me deu um super suporte para que eu conseguisse finalizar o processo, o que foi incrível.

Falando das gravações, acabou sendo um processo mais difícil do que eu esperava, mas aprendi muito! Tanto pelas pessoas que estavam diretamente envolvidas comigo, como o Glaucus e o Daniel que são profissionais excepcionais, quanto pela própria oportunidade de me ouvir em mais detalhe. Durante o processo também tivemos um problema com algumas faixas que tiveram que ser regravadas, seis faixas, o que foi algo bem estressante, mas eu acabei entregando para o universo e deu tudo certo! No final das contas elas ficaram mais lindas ainda.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

A maneira como ele aconteceu!! Foi uma sequência de acontecimentos que parecia história de cinema. Primeiro eu fiquei um ano sem compor, e eu sou a pessoa que faz música pra “torrada queimada” até. Todos os dias vem alguma melodia, alguma letra, e tem essa trilha sonora inaudível para vocês que faz parte do meu dia a dia. Quando compus JABUTICABA, depois de todo esse hiato criativo, as coisas começaram a mudar e eu decidi ir para um retiro. Nesse retiro, onde passei por vários processos incríveis de autoconhecimento, eu acabei compondo as 7 últimas músicas do álbum. Em 7 dias eu compus 7 músicas, uma para cada vivência relacionada aos chakras. Quando eu terminei e as apresentei para os meus colegas do retiro, fui invadida por esse sentimento de que eu tinha que fazer o negócio acontecer. Foi aí que comecei a me movimentar! Primeiro aceitando a Bia artista. Depois, falando para os outros sobre ela, o que foi a parte mais difícil. E foi numa dessas conversas  que eu disse que estava na hora de procurar um produtor, pois eu não tinha ideia de por onde começar, mas que era importante alguém que entendesse sobre o que realmente eu estava cantando e que provavelmente essa seria a tarefa mais difícil. Acreditem ou não, na mesma semana essa minha amiga conheceu o Glaucus, um produtor musical que tinha um projeto chamado chakrajazz. Quais eram as probabilidades?! Eu marquei com ele e foi amor à primeira nota (risos). Eu e Glaucus nos entrosamos muito bem e tudo começou a fluir. A princípio seria um disco de voz e violão, mas tudo muda o tempo todo (risos).

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

ECOS é o melhor de mim. É a minha maneira singela de tentar espalhar mais amor para esse mundo que tanto precisa. Com esse disco, eu desejo do fundo do coração que possamos olhar para dentro e acreditarmos no melhor que há ali como uma ferramenta de transformação social. Com ECOS, eu espero que, assim como aconteceu para mim, mais pessoas possam descobrir que a mudança que queremos ver começa por dentro.

 

 

 

 

Fundador e editor da Arte Brasileira. Jornalista por formação e amor. Apaixonado pelo Brasil e por seus grandes artistas.

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