Revista Arte Brasileira Além da BR ALÉM DA BR – Uma lista de lançamentos focada no processo criativo das canções (#19)
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ALÉM DA BR – Uma lista de lançamentos focada no processo criativo das canções (#19)

Já é um sucesso o nosso quadro ALÉM DA BR, focado em artistas não-brasileiros. Com o ALÉM DA BR, já divulgamos mais de três mil músicas de artistas de todas as partes do mundo. Agora, apresentamos um novo lado desta lista, no qual iremos focar no processo de composição e criativo. Para isso, selecionaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras como foram estes processos de sus novas músicas. Vale dizer que o conteúdo produzido por eles tem exclusividade da Arte Brasileira, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

Vamos nessa?

Estella Dawn – “Reckless” – (EUA)

Reckless – Estella Dawn (Official Video) | The Breakup Anthem You Can’t Ignore

“ Reckless ” surgiu daquele espaço desconfortável onde o amor parece desequilibrado — quando você se entrega, duvida, barganha e ainda o vê se desfazer. Não é uma música de término limpa; é um espelho. Eu queria escrever honestamente sobre duas pessoas que carregam consigo a culpa, aquela estranha mudança quando alguém em quem você confiava começa a se sentir um estranho. O verso “Acho que estamos quites, querida” é menos um triunfo do que uma verdade — ninguém sai ileso. 

Em termos de letras, eu me aproximei de momentos vívidos: a viagem de carro tarde da noite, as unhas cravadas nas coxas, a percepção de que não se pode olhar alguém nos olhos sem se sentir traído. O carro se tornou uma metáfora para o relacionamento — você dirigiu de forma imprudente comigo no banco da frente — e essa imagem norteou o tom: íntimo, confessional, cinematográfico. 

Criativamente, comecei de forma simples — a voz primeiro —, deixando a melodia carregar a tensão antes de evoluir para o pop alternativo moderno. Adoro o contraste entre uma narrativa delicada e uma produção maior e pulsante — algo que soa cru, mas ainda assim comovente. O objetivo era manter a voz próxima e humana, enquanto o arranjo se expande à medida que a verdade se revela. 

O que espero que as pessoas ouçam é permissão — para admitir a complexidade. Você pode se sentir culpado e traído, forte e inseguro. Às vezes, a atitude mais honesta é reconhecer a bagunça e escolher a si mesmo mesmo assim. Se ” Reckless ” oferece algum conforto, é que a clareza pode ser suave e aguda ao mesmo tempo. 

Comentários Estella Dawn

Frida and The Mann – “Dancing in the sun” – (EUA)

Nossa vocalista e letrista Frida Mann vem de um mundo diferente da maioria. Na religião fundamentalista em que ela cresceu, havia leis para tudo — o que comer, o que vestir, como viver e até mesmo quando e como fazer sexo. Naquele mundo, a maioria das escolhas eram feitas por você. Esta música nasceu ao testemunhar como essas regras influenciaram os casamentos. 

Os versos carregam esse peso — o controle, a vergonha, a submissão a expectativas impossíveis. O refrão é sobre a dissociação — ir para outro lugar para sobreviver ao que parece insuportável.

Esta música é profundamente pessoal. Frida sabe o que é escapar para dentro de si mesma, deixar seu corpo porque ficar ali parecia demais.

Musicalmente, o guitarrista Adam Cramer compôs e desenvolveu a música instrumental, onde ele despeja suas emoções na guitarra e o que sai dela é a música que você ouve. Zachary Horstman, que toca bateria, cria o ritmo e ajuda nos arranjos desta música. O baixista da banda, Stefan Johnson, adiciona os graves profundos, não apenas no baixo, mas também na voz, como você pode ouvi-lo assombrosamente por trás da melodia vocal hipnotizante de Frida. 

Dancing the Sun foi gravado no Lava Room Studios em Cleveland, Ohio, gravado por Mike Brown e produzido por Frida and the Mann e Mike Brown em março de 2025

Comentários Frida and The Mann

Heliara“Self-love” – (Canadá)

A beleza e o caos da maternidade (essa música foi escrita da perspectiva de uma mãe com dois filhos pequenos se sentindo pressionada em todos os aspectos de sua vida (eu!)), mas é realmente uma música para todas as pessoas: é importante amar a si mesmo, mas não é fácil! Estamos todos juntos nessa jornada humana e talvez todos nós tenhamos dificuldade para nos amar e nos aceitar como somos. Minha esperança é que minha música se conecte com as pessoas e as faça se sentirem menos sozinhas em suas lutas.

Essa música surgiu para mim enquanto eu estava fazendo tarefas domésticas (provavelmente lavando pratos, ouço muitas melodias quando lavo pratos!). Postei uma versão minha cantando a capella enquanto batia palmas, recebi alguns comentários positivos e decidi gravá-la com meu talentoso produtor Steve Foley no Audio Valley Recording Studio.

Eu queria que essa música tivesse um pouco de atitude, daí as guitarras elétricas e as harmonias inspiradas no punk; ter uma batida cativante era muito importante para mim, então eu realmente amo a bateria nessa faixa.

Comentários Heliara

Carlos Iriarte – “Siento Morir” – (Colombia)


I FEEL LIKE I’M GOING TO DIE  do artista colombiano CARLOS IRIARTE , é uma dessas músicas cheias de sentimentos e belas saudades daquele amor que foi o mais importante da sua vida e que simplesmente se perdeu no tempo, mas não no pensamento que causou a inspiração, descreve em cada frase, a agonia sem fim e a profunda tristeza daquela pessoa que verdadeiramente amou e que fez daquele ser ausente o amor da sua vida. No entanto, hoje ele não está mais aqui e cada canto lembra suas carícias, seus beijos e sua presença em cada canto daquela casa solitária com a única companhia de uma efêmera garrafa de tequila, que na inércia do tempo só faz você navegar em memórias e saudades de um amor perdido. Inspiração própria de CARLOS IRIARTE , esta música busca se conectar com todos aqueles que em algum momento de suas vidas tiveram um amor verdadeiro e o deixaram escapar. 

Sinto-me morrendo , inspiro em mim a saudade de querer sentir novamente o que é amar e ser amado, no tempo e na distância sinto falta dos beijos e carícias daquela mulher que marcou minha alma para sempre e que com as voltas da vida continua ocupando o lugar de dona da minha alma.”

Toda a produção foi realizada pela equipe da OMCCA STUDIOS FILMS SAS, empresa e gravadora colombiana de CARLOS IRIARTE e outros artistas, cujo objetivo está focado em levar esta produção ao próximo nível.

Comentários Carlos Iriarte

Bad Keys of the Mountain – “Coming Home” – (EUA)

Coming Home” nasceu de um profundo sentimento de saudade. Eu havia passado um tempo longe, e embora os dias estivessem cheios de movimento e música, meus pensamentos sempre voltavam para as pessoas que eu mais sentia falta. Esse sentimento de ausência — junto com o alívio e o calor de finalmente retornar — é a semente da canção.

Musicalmente, eu quis transmitir a sensação da estrada aberta, o ritmo constante dos pneus no asfalto e a esperança que cresce a cada quilômetro que nos aproxima de casa. Os acordes e a melodia surgiram rapidamente, quase como se já estivessem esperando por mim. Busquei uma sonoridade de estrada dos anos 70, algo nostálgico e ao mesmo tempo atemporal, porque combinava com a história que eu queria contar.

Na letra, as palavras foram guiadas pela honestidade. Escrevi sobre a falta de conexão, sobre carregar alguém na memória até poder estar frente a frente novamente. Os versos constroem-se como conversas que você repassa na cabeça, enquanto o refrão é aquele momento de liberação — como a porta da frente se abrindo depois de uma longa viagem.

O processo de gravação deu vida à música de um jeito que eu não conseguiria sozinho. Trabalhar com Greg McGowan no Rose City Recording trouxe o brilho certo sem perder o coração da canção. As harmonias de Justin Puett e Eric Robbins adicionaram calor e profundidade, como amigos que se juntam a você no último trecho da viagem. Cada detalhe foi pensado para manter vivo esse sentimento de retorno e reencontro.

No fundo, “Coming Home” fala de amor, memória e pertencimento. É um lembrete de que, não importa quão longe você vá, a ideia de voltar — de abraçar alguém novamente — pode sustentar você durante a jornada mais longa. Esse é o sentimento que quis compartilhar com os ouvintes, e sou grato por ele ter ressoado com vocês.

Comentários Bad Keys of the Mountain

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