Compositor e intérprete: Arturo Paredes (NUR), do Peru, artista do rock alternativo. Música: “/deja vu” (single). Produção musical de Giovanni Rossi. Ano de lançamento: 2025.
Meu nome é Arturo Paredes, sou peruano, tenho 17 anos e NUR é o meu projeto musical. Nele eu componho, toco e interpreto tudo a partir de uma visão experimental e conceitual. É uma proposta de rock alternativo que mistura energia emocional, reflexão profunda e liberdade criativa. Inspiro-me tanto em sons britânicos quanto latino-americanos, e com minhas músicas busco devolver à música aquele sentido artístico que sinto que se perdeu em grande parte do mainstream de hoje. Por isso, procuro que cada canção minha tenha um propósito profundo e artístico.
Quando essa composição surgiu, o que a inspirou?
Essa música nasce da minha experiência com meu país, o Peru. Ter crescido na capital, sem necessidades ou carências, fez com que eu pensasse que essa era a realidade geral do país. Mas, à medida que fui crescendo, percebi que vivia em uma bolha, muito distante da realidade de grande parte do Peru. Esse foi um momento de ruptura na minha vida, principalmente no nível artístico, e acabou sendo o motor de todo esse projeto. /deja vu é um chamado para despertar para a realidade, olhar a cidade e reconhecer um problema do qual eu mesmo fiz parte.
Qual é a letra da música, qual é a sua mensagem?
/deja vu é ao mesmo tempo uma carta de amor e uma crítica à cidade. Fala das realidades tão diferentes que convivem ao nosso redor: algo comum no Peru, onde se pode ver luxo e pobreza numa mesma avenida. A música também questiona discursos políticos e promessas de mudança. Aborda o sentimento de estar preso em um ciclo que se repete várias vezes, no qual acabamos sentindo que a esperança de uma mudança é apenas um distante deja vu .
Quais aspectos musicais, que elementos musicais você trouxe para este lançamento?
Quando componho, sempre tento que a música caminhe junto com o conceito e a letra. Neste caso, queria que o som refletisse o contraste. Por isso, os versos têm um ar relaxante e nostálgico, com influências do R&B, enquanto os refrões explodem em uma estética mais shoegaze e de rock alternativo, com toques progressivos, como a inclusão de uma orquestra que dá mais dramatismo a essas seções. A música cresce em intensidade à medida que avança, refletindo essa mistura de confusão e frustração. A ideia era que ela fosse sentida como um escorregador de emoções, mas com continuidade no som.
Qual é o simbolismo da capa da canção?
No primeiro single, Boas Intenções, a capa mostrava uma cidade destruída e, no centro, a estátua em chamas de um libertador a cavalo: um símbolo de liberdade destruído. A capa de /deja vu busca contrastar com aquela: mostra a mesma estátua em perfeito estado, protegida, como metáfora do encobrimento por parte dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, nos convida a perguntar se realmente hoje gozamos da liberdade que essas estátuas representam.
Finalmente, há algo interessante que você gostaria de destacar?
Sim. No dia 12 de setembro lanço o EP Radio_noche, do qual /deja vu faz parte. É um trabalho no qual experimento com diversos gêneros: desde latinos, como bossa nova ou salsa, até influências estrangeiras, como o hip hop ou o rock. Se o conceito ou a música de /deja vu se conectarem com você, tenho certeza de que o restante do EP também vai te interessar.
Respostas de Arturo Paredes (NUR)

