10 de dezembro de 2025

Playlist “Além da BR” #291 – Sons do mundo que chegam até nós

Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 291ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.

Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.

Ato-Mik“Feel Some Way” – (Canadá)

Qual é uma das sinopses possíveis desta música? “Feel Some Way” captura a tensão emocional de um amor que está desaparecendo, mas ainda persiste. É sobre sentir-se em conflito — ainda atraído por alguém que não vê mais o seu valor, e tentar encontrar clareza em meio a essa névoa emocional.

Quando surgiu esta composição e o que a inspirou? Nós a escrevemos no início de 2025, durante um período de reflexão pessoal. A inspiração veio de conversas que tivemos sobre relacionamentos passados, autoestima e o que significa seguir em frente sem se perder. Tudo surgiu naturalmente durante uma sessão de estúdio com o amigo e produtor Arc.Wav.

O que a letra diz e qual é a sua mensagem? A letra expressa a luta interior de se apaixonar por alguém que não te ama da mesma forma. Atom e Mikey se alternam nos versos, compartilhando perspectivas e experiências pessoais. A mensagem é clara: não há problema em se sentir magoado, mas não deixe que isso o impeça de se curar e crescer.

Em termos de som, como você descreveria essa música? Ela mistura house vocal emocional com energia dance-pop. Há um contraste entre a produção otimista e eufórica e a letra vulnerável. É o tipo de faixa que te faz querer dançar durante a sua desilusão amorosa — melodias intensas, sentimentos reais e um som que toca tanto o coração quanto os pés.

Há algo curioso que você gostaria de destacar? Sim — esta foi a primeira vez que gravamos uma faixa em que nós dois colocamos os vocais antes mesmo de terminar a letra. A emoção tomou conta e guiou o processo. Foi cru e espontâneo, o que deu à música uma sensação real e vivida com a qual achamos que as pessoas se conectam.

Respostas Ato-Mik

Eliza Prymak – “tongue in cheek” – (EUA)

O que inspirou esta composição? Eu estava enviando para minha amiga e colaboradora, Alyssa Marie Coon, algumas músicas da Tate McRae e da Britney Spears. Aí ela fez a batida de “Tongue in Cheek” para mim. Eu também estava ouvindo bastante Doja Cat, então decidi que este seria meu primeiro lançamento com a participação não só de mim cantando, mas também de rap.

O que a letra diz e qual é a sua mensagem? A história principal por trás da letra é como eu sinto que Deus está escrevendo a minha história com a língua nos dentes. “Irônico” é outra maneira de descrever algo como irônico. Cresci muito religioso, depois fui para a faculdade, comecei a festejar com rappers e pensei em como eu era inocente, mas a ironia era que eu me sentia mais feliz e livre do que nunca. Também sinto que romance pode ser uma coisa boba, e é por isso que associei a expressão “irônico” ao beijo.

Qual é a sua proposta musical? Minha proposta musical para todos é que eu quero que vocês dancem! Espero que minha música inspire as pessoas a perseguir seus sonhos e praticar o amor-próprio diariamente. Todos nós somos dignos de amor, e o amor está em toda parte! Às vezes, só precisamos ser lembrados, e é para isso que estou aqui. Dançar é uma ótima maneira de aliviar o estresse, então vamos dançar!

Afinal, quem é a artista Eliza Prymak? Como artista, mudei muito ao longo dos anos. Passei de tocar minhas músicas originais de jazz no meu violão em vinícolas locais na zona rural da Virgínia para gravar músicas de pop-rap no estúdio com meus amigos em Nashville, Tennessee. Eu costumava ser muito mais estilo Norah Jones, mas ultimamente tenho me sentido muito atraída por músicas do Y2K. Eliza Prymak é meu nome completo (não tenho nome do meio), e a razão pela qual não tenho um nome artístico é porque sinto que meu nome já transmite uma sensação estranha, mas familiar. Embora eu seja majoritariamente persa, Prymak é ucraniano. Prymak é um sobrenome muito incomum nos EUA, mas incrivelmente comum na Ucrânia. Eu odiava meu primeiro nome, mas tive uma colega de quarto com o mesmo nome que eu, e ela me fez perceber que o primeiro nome que me deram era lindo. Eu valorizo fazer as pessoas se sentirem vistas, e descobri que a melhor maneira de fazer isso é ser autêntica com quem eu realmente sou.  Afinal, você nunca conhece verdadeiramente alguém se não sabe seu nome completo.

Há algo curioso que você gostaria de destacar? Este é meu primeiro lançamento solo em um ano! Mal posso esperar para compartilhar mais do que tenho trabalhado. Se você está lendo isso, muito obrigado e desejo que apenas energia positiva entre em seu espaço!

Respostas Eliza Prymak

P Steve Officiel x Francina x Barbara Vander – “TU SAIS”

Qual é a melhor sinopse geral desse lançamento? A música não tem idioma, ela se ouve com o coração.

E a letra, o que ela diz?

“TU SAIS” é uma canção que fala à alma e ao coração.

P Steve Officiel, ao lado de Francina e Barbara Vander, nos mergulha em uma história de amor nascente, feita de dúvidas, olhares sinceros e promessas sussurradas.

Entre a ternura francófona e a sensualidade latina, cada palavra acaricia, cada nota aproxima.

É a história de um homem que acaba de chegar a uma cidade e busca se estabilizar, começando por viver um relacionamento estável.

É possível comparar essa canção com outros artistas ou gêneros musicais? Gims, Maluma, Wisin y Yandel.

Como foi a colaboração entre artistas de diferentes nacionalidades? Nós nos conhecemos pelas redes sociais. Já tenho uma música com Francina chamada “Hola Mamacita“. Com Barbara, é a minha primeira colaboração.

Por fim, existe algum fato curioso ou algo interessante que gostaria de destacar? Essa música nasceu de um momento muito pessoal. Ao chegar em uma nova cidade, P Steve Officiel se sentia um pouco perdido, mas com um forte desejo de se estabelecer e construir algo verdadeiro. Um dia, durante uma conversa nas redes sociais, ele falou com Francina, com quem já havia colaborado na faixa Hola Mamacita. Desta vez, ele propôs algo mais íntimo, mais sincero.

O destino fez com que eles conhecessem também Barbara Vander, uma artista espanhola com uma escrita poética. O que era para ser uma simples colaboração se transformou em um diálogo musical entre três corações, em três línguas, entre timidez, desejo e a esperança de um amor sincero.

O mais incrível? A primeira frase “Tu sais” foi improvisada durante um teste de microfone… e todos sentiram, naquele instante, que a música havia nascido ali.

Respostas P Steve Officiel x Francina x Barbara Vander

Zara Wynn“Escribo” – (Uruguai)

Escreva uma sinopse geral da música.‘Escribo’ é uma música que nasceu de uma necessidade emocional. Escrever me salvou muitas vezes, e esta música é aquele espaço íntimo onde cada palavra era uma forma de cura. Ela tem uma atmosfera acústica e minimalista, porque eu não queria que nada se interpusesse entre a emoção e o ouvinte. É um convite para me acompanhar em silêncio, para me ler quando não puder mais falar.”

O que inspirou a composição? A inspiração veio num daqueles dias em que a mente não se cala, mas o corpo sim. Senti que a única coisa que eu podia fazer era escrever para me entender. Foi assim que nasceu ‘Escribo‘: como um diário, como um espelho, como um suspiro que se torna verso. As letras de Alberto Facal me ajudaram a dizer o que eu não conseguia expressar sozinho, e essa é a magia da arte: quando alguém traduz a sua alma sem que você perceba.

Que reflexão ou ideia essa música gerou?‘Escribo‘ nasceu da necessidade de esvaziar a minha alma. Percebi que muitas vezes escrevemos para evitar desmoronar, para entender o que sentimos quando não há palavras suficientes. Esta música é a minha maneira de dizer que a arte pode ser um refúgio, que cada verso pode nos reconstruir um pouco. Escrever me ajudou a me encontrar quando me sentia perdida.”

É possível conectar essa música com seu país, Uruguai? Com certeza. O Uruguai tem uma sensibilidade muito especial, uma melancolia suave que se infiltra nas ruas, nos pores do sol, na nossa maneira de falar. ‘Escribo‘ está imbuída dessa essência: é uma música que respira o silêncio uruguaio, que se inspira na introspecção que tanto nos define. É a minha maneira de homenagear aquele canto do mundo que me ensinou a me ouvir.

Há algo interessante que você gostaria de destacar? Sim. Estou muito feliz que esta música tenha sido lançada pela DaitinMusic Record DM, uma gravadora independente focada em arte e emoção. Também quero enfatizar que “Escribo” não busca ser perfeita, mas sim conectar-se com as emoções. É uma música que não esconde nada.

Respostas Zara Wynn

The Crooked East – “Silence (2025 version)’ – (México)

Você tem alguns segundos para apresentar esse lançamento a alguém que ainda não a ouviu, o que você diria?Silence” é uma música de rock psicodélico com ritmo mais lento e foco no groove, e é sobre um jovem que não sabe se deve perseguir seus sonhos criativos ou aceitar um emprego que lhe foi oferecido recentemente.

E em qual momento surgiu essa composição, o que a inspirou? Eu, Jon LaPoma, escrevi a música em 2009, quando recebi uma oferta de emprego como professor em San Diego, Califórnia. Eu havia me mudado para a Califórnia para perseguir meus sonhos de escrever filmes e músicas e tive que tomar uma decisão difícil: aceitar o emprego e deixar meus sonhos de lado ou aceitar o emprego e seguir meus sonhos no meu tempo livre? Acabei aceitando o emprego, o que foi uma ótima decisão para mim, pois pude usar meu plano de saúde para tratar meu transtorno obsessivo-compulsivo não diagnosticado que estava destruindo minha vida. Depois de lidar com esse transtorno, consegui pensar com muito mais clareza e, como resultado, minha escrita melhorou. Anos depois, me mudei para o México para formar uma banda e conheci meu colega de banda, Oscar Diaz, que também compartilha o amor pelo rock.

Dentro do universo do rock, o que este lançamento tem de especial, de diferente?Silence” faz parte de um LP maior que acompanha a vida de um jovem problemático enquanto ele aprende com seus muitos erros e se torna um adulto maduro e satisfeito consigo mesmo. Esta música mostra o início desse processo de amadurecimento, o que a torna uma música importante no LP.

Por fim, há algo de curioso sobre esse lançamento que você queira destacar? Lançaremos o restante do LP como singles, com a meta de lançar um por mês. Já lançamos 7 desses singles, e você pode encontrá-los em nosso site:

Respostas The Crooked East

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