Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 297ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.
Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.
Tom Marshall – “Covered In Sunshine and Dust” – (Reino Unido)
– Quando surgiu esta composição? O que a inspirou? Esta música foi escrita e gravada quando eu estava no Oriente Médio. Eu tinha um contrato para me apresentar em um resort por um ano e me vi com bastante tempo disponível, então decidi usá-lo para compor e gravar algumas das minhas músicas e finalmente gravá-las em fita cassete. A inspiração veio do ambiente. Havia bastante sol, o que refletia na poeira do ar.
– O que a letra retrata e qual é a sua mensagem? Quando escrevi a letra, eu estava tentando retratar a sensação da “magia do amor verdadeiro”. Na música, ele a ama profundamente; quando acorda e a vê dormindo, antes que ela abra os olhos lentamente, isso o faz sorrir.
– Em termos de som, como você descreveria esta música? Ela tem um som bem lo-fi, já que foi gravada alternando faixas entre um gravador TEAC de 4 canais e um gravador Revox. Eu também fui o engenheiro de som, o que limitou exatamente o que eu poderia alcançar. A instrumentação é simples, uma música acústica com um coro de vozes cheio de calor e amor.
– Conte-nos sobre a história deste álbum. – Conte-nos, quem é o artista Tom Marshall? O álbum “Catch a Falling Star” foi gravado quando eu trabalhava no Oriente Médio, na década de 1970. A banda com a qual eu trabalhava havia conseguido um contrato de um ano em um resort no Kuwait, que depois se transformou em dois anos e envolveu trabalho em outros resorts, Dubai e Bahrein. Eu já havia tocado em bandas no Reino Unido que foram bem recebidas, mas a ideia de ganhar algum dinheiro com um trabalho estável era tentadora demais para recusar. Assim que chegamos, ficou claro que eu teria algum tempo livre e o usei para gravar algumas músicas que queria terminar de escrever. Quando voltei para casa com todas as músicas que havia gravado, a esperança era que uma editora me oferecesse um adiantamento para trabalhar como compositor. Em vez disso, entrei para outra banda (chamada Sparrow) e assinamos um contrato de gravação com Gerry Bron. Isso significou que o álbum solo foi guardado e esquecido. Cerca de 50 anos depois, redescobrimos a fita e, com a ajuda da Sunfish Music, ela foi restaurada e pode ser ouvida pela primeira vez.
Respostas Tom Marshall
Mikey R – “Burn Em”
– Descreva brevemente o que esta música aborda. Esta música fala sobre ir contra as normas sociais. É sobre correr um risco pelo que você quer, mesmo que a maioria das pessoas ache que é impossível. Ela também transmite confiança e fé em si mesmo, com a certeza de que o sucesso é a única opção.
O refrão diz “we’re burning every ship” (estamos queimando todos os navios) porque a expressão “queimar os navios” está associada a Aníbal Barca, durante a Segunda Guerra Púnica, quando ele ordenou que suas tropas queimassem seus navios para evitar qualquer possibilidade de retreat (retirada).
– O que está nos versos da música e qual é a mensagem? Os versos falam sobre a luta de ser você mesmo em um ambiente onde esperam que você seja como todos os outros. A mensagem principal é acreditar em si mesmo, independentemente das pressões externas.
– Que situação inspirou essa música? O beat era pesado, e a primeira coisa que pensei foi: “foda-se, vou contra a corrente, é eu contra o mundo, assistam o mundo aprender a mudar.” Isso refletiu bem o espírito da música.
– Musicalmente, como você a descreveria? A música é ousada, agressiva, confrontacional e energética, com uma vibração de autoconfiança e exaltação de si mesmo.
– Há algum fato interessante sobre esse lançamento? É a primeira música que me senti confortável em lançar exatamente como ela é, sem mudar nada ou tentar ajustar algo. Isso me mostrou o quanto evoluí na minha confiança artística.
Respostas Mikey R
WES SP8 – “There’s only one like you” – (EUA)
– Qual é a mensagem dessa música para o mundo? Cada um é único e todos nós deveríamos ser gratos por isso.
– O que inspirou a composição? Criei a parte da guitarra no meu violão de 12 cordas e a letra fluiu rápida e naturalmente. Quer dizer, levou dias para finalizar, mas o processo foi emocionante. Gravar a música foi a melhor parte; senti que as partes de piano realmente adicionaram outro elemento e uma camada de pathos à música.
Musicalmente, como você descreveria a música? –“Linda” é o que a maioria disse.
– Quem é o cantor e compositor WES SP8? Cresci no Tennessee, mas moro no oeste de Washington há mais de quinze anos. Viver principalmente nesses dois estados fez com que minhas composições evoluíssem de uma forma que busca se conectar com a natureza, em vez de escrever para rádio e receber elogios.
– E por fim, há algo curioso que você gostaria de destacar? Ouça o álbum “Umbrella Era” inteiro. E depois compre ou faça streaming contínuo. Depois, conte para todos os seus amigos. E faça streaming novamente.
Obrigado por ouvir e tudo de bom para você e sua família.
Respostas WES SP8
Lauri Järvilehto – “Hey Kid (Radio Edit)” – (Finlândia)
– Em resumo, sobre o que é esta canção? É sobre algumas das coisas estúpidas que fiz na minha juventude. Fui músico profissional entre 1997 e 2007 e vivi uma vida bastante egocêntrica e agitada, com muitas festas, encontros de uma noite e coisas do género. Algumas dessas experiências ainda voltam para me assombrar de vez em quando e tenho tentado escrever sobre elas em várias ocasiões; esta foi a primeira vez que consegui escrever algo que se tornou numa canção completa.
– Diz alguma coisa ao mundo e o que é que está na sua letra? Sim, é uma espécie de “carta ao meu jovem eu”, em parte também dirigida a mim próprio, agora, e na perspetiva de ser pai de cinco filhos, talvez também aos meus filhos. Espero que eles não cometam os mesmos erros que eu. Penso que também existe algures uma esperança de perdão; peço desculpa por ter sido um idiota egocêntrico na minha juventude e espero, pelo menos, ter aprendido alguma coisa com esses tempos.
– Qual é a tua fonte de inspiração? Para esta canção, a inspiração mais clara foi Bruce Springsteen. Tenho estado a ouvir especialmente Born to Run, Born in the USA e Nebraska nos últimos anos e acho que isso transparece; há até uma ligeira referência ao solo de Born to Run do Clarence Clemons no início do solo de Minimoog. As minhas maiores influências de sempre são David Bowie, Leonard Cohen e Bob Dylan e, ultimamente, também tenho ouvido muito St. Vincent e também as últimas novidades de Taylor Swift e Harry Styles; acho que há algo de mágico nas colaborações Swift/Antonoff e Styles/Kid Harpoon.
– O que é que esta canção diz sobre o teu país e a tua nação? Não tem um ângulo nacionalista propriamente dito, mas se viveres na capital da Finlândia, talvez reconheças alguns dos locais referidos.
– O que é que esta canção diz sobre ti enquanto artista e ser humano? Acho que diz que não sou um ser humano perfeito e que já fiz coisas de que não me orgulho muito, mas espero que, pelo menos nas últimas décadas, tenha conseguido crescer com essas experiências. Acho que isto é algo que vou levar comigo durante toda a minha vida, mas pelo menos ajuda a pôr estes sentimentos em palavras e melodias.
Respostas Lauri Järvilehto
Jimmy B Fearless – “Dream Bigger Featuring Curtiss King” – (EUA)
– Qual é a melhor sinopse para este lançamento? O que dizem os versos?
Dream Bigger é um hino ao amor-próprio e à superação das limitações que impomos a nós mesmos. Os versos desafiam os ouvintes a pensar além da realidade atual e abraçar a ideia de que tudo é possível. Todos nós temos sonhos, mas precisamos sonhar alto: superar o medo, as dúvidas e os obstáculos que surgem no caminho.
– Qual é a origem da música? Ao criar The Love is Real, eu sabia que o álbum precisava de uma música que incorporasse resiliência, ambição e o poder da autoconfiança. Dream Bigger nasceu dessa necessidade – um lembrete de que não importa o que nos impeça, devemos continuar lutando, crescendo e nunca parar de perseguir nossos sonhos.
– Musicalmente, como você descreve isso? É um hino épico e energético, criado para inspirar e elevar. A produção atinge forte com um som que combina motivação de rua com ambição universal, tornando-a uma música para empreendedores, sonhadores e qualquer um que lute pelo seu futuro.
– O que a capa da música representa? A arte é inspirada em Scarface, apresentando um dirigível no céu carregando a mensagem “O mundo é seu”. Ela simboliza um potencial ilimitado e nos lembra que o sucesso e a grandeza estão ao nosso alcance se acreditarmos em nós mesmos e seguirmos em frente.
Respostas Jimmy B Fearless
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