Em 27 de agosto chegou às plataformas de streaming uma releitura inusitada de “Triste”, do grande músico da bossa nova Tom Jobim. Diferente porque vem de terras distantes, do Cairo (capital do Egito), e mais ainda, porque traz também o DNA do outro lado do mundo à bossa nova, provando, sobretudo, o alcance e penetração da música brasileira seja na Europa ou qualquer outro lugar.
Estamos falando da versão de Michelle Rounds em parceria com o saxofonista Daniel Sami. A canção, gravada ao vivo, nos chamou a atenção, e por isso entrevistamos a artista. Veja!
Você, enquanto artista que vive no Egito, como conheceu a bossa nova e Tom Jobim?
Nasci na Austrália e cresci em Fiji, o país do meu pai, que era guitarrista de jazz. A primeira música que interpretei publicamente, aos 16 anos, foi “Garota de Ipanema”, dando início a uma relação duradoura com a obra de Antônio Carlos Jobim, que permanece presente ao longo de toda a minha carreira. Embora eu não seja egípcia, vivo e trabalho no Cairo desde 2008 e tenho uma ligação profunda com a cena musical do país.
E por que resolveu gravar especificamente essa música?
Escolhi “Triste” porque era uma inclusão recente no meu repertório e eu desejava muito explorá-la com o saxofonista egípcio Daniel Sami e sua banda. Gravamos a música durante o primeiro concerto da série From Cairo to the World, idealizada por Daniel e apresentada no El Sawy Culturewheel, um dos espaços culturais mais emblemáticos do Cairo. A série foi criada para levar a música produzida no Cairo a um público internacional e apresentar, para além do Egito, a qualidade dos músicos e a energia criativa que emergem da cidade.
Qual a diferença da versão original de Jobim para essa que você apresenta agora?
Nossa versão preserva o caráter brasileiro da composição de Jobim e utiliza a letra em inglês escrita pelo próprio compositor, mas ganha identidade própria por meio da espontaneidade da apresentação ao vivo. O diálogo entre a minha voz e o saxofone de Daniel, a interação com a seção rítmica e a energia compartilhada com o público fazem com que o ouvinte se sinta presente no concerto.
Enfim, qual a influência, mais específco, do seu país nesta gravação?
Não introduzimos deliberadamente elementos tradicionais egípcios no arranjo; a influência do Cairo surge de forma orgânica através dos músicos egípcios, de sua interpretação e do contexto em que a apresentação foi criada.
Você está ao lado de Daniel Sami neste lançamento, o que diz sobre?
Daniel conheceu meu trabalho pelo YouTube e me convidou porque se identificou com a força, o estilo e a personalidade das minhas apresentações. No palco, encontramos imediatamente uma sintonia musical baseada na escuta, na improvisação e na confiança, e Daniel sentiu que essa conexão fez com que toda a banda tocasse com uma energia diferente. O que começou com duas músicas continuou a crescer, e agora estamos preparando nosso primeiro concerto completo juntos, no dia 16 de setembro de 2026.
Respostas de Michelle Rounds
