14 de outubro de 2026

Tom Jobim na voz de Michelle Rounds e nos sopros do saxofonista Daniel Sami

Em 27 de agosto chegou às plataformas de streaming uma releitura inusitada de “Triste”, do grande músico da bossa nova Tom Jobim. Diferente porque vem de terras distantes, do Cairo (capital do Egito), e mais ainda, porque traz também o DNA do outro lado do mundo à bossa nova, provando, sobretudo, o alcance e penetração da música brasileira seja na Europa ou qualquer outro lugar.

Estamos falando da versão de Michelle Rounds em parceria com o saxofonista Daniel Sami. A canção, gravada ao vivo, nos chamou a atenção, e por isso entrevistamos a artista. Veja!

Você, enquanto artista que vive no Egito, como conheceu a bossa nova e Tom Jobim?

Nasci na Austrália e cresci em Fiji, o país do meu pai, que era guitarrista de jazz. A primeira música que interpretei publicamente, aos 16 anos, foi “Garota de Ipanema”, dando início a uma relação duradoura com a obra de Antônio Carlos Jobim, que permanece presente ao longo de toda a minha carreira. Embora eu não seja egípcia, vivo e trabalho no Cairo desde 2008 e tenho uma ligação profunda com a cena musical do país. 

E por que resolveu gravar especificamente essa música?

Escolhi “Triste” porque era uma inclusão recente no meu repertório e eu desejava muito explorá-la com o saxofonista egípcio Daniel Sami e sua banda. Gravamos a música durante o primeiro concerto da série From Cairo to the World, idealizada por Daniel e apresentada no El Sawy Culturewheel, um dos espaços culturais mais emblemáticos do Cairo. A série foi criada para levar a música produzida no Cairo a um público internacional e apresentar, para além do Egito, a qualidade dos músicos e a energia criativa que emergem da cidade.

Qual a diferença da versão original de Jobim para essa que você apresenta agora?

Nossa versão preserva o caráter brasileiro da composição de Jobim e utiliza a letra em inglês escrita pelo próprio compositor, mas ganha identidade própria por meio da espontaneidade da apresentação ao vivo. O diálogo entre a minha voz e o saxofone de Daniel, a interação com a seção rítmica e a energia compartilhada com o público fazem com que o ouvinte se sinta presente no concerto. 

Enfim, qual a influência, mais específco, do seu país nesta gravação?

Não introduzimos deliberadamente elementos tradicionais egípcios no arranjo; a influência do Cairo surge de forma orgânica através dos músicos egípcios, de sua interpretação e do contexto em que a apresentação foi criada.

Você está ao lado de Daniel Sami neste lançamento, o que diz sobre?

Daniel conheceu meu trabalho pelo YouTube e me convidou porque se identificou com a força, o estilo e a personalidade das minhas apresentações. No palco, encontramos imediatamente uma sintonia musical baseada na escuta, na improvisação e na confiança, e Daniel sentiu que essa conexão fez com que toda a banda tocasse com uma energia diferente. O que começou com duas músicas continuou a crescer, e agora estamos preparando nosso primeiro concerto completo juntos, no dia 16 de setembro de 2026.

Respostas de Michelle Rounds

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