Por Fredi Jon – Amanda havia planejado com meses de antecedência a festa de bodas de ouro de seus pais, Marcelo e Ana Maria. Nada foi feito de improviso: tudo escolhido com base em referências, conversas e expectativas. Afinal, cinquenta anos de vida a dois mereciam uma celebração à altura.
O trajeto até o local já anunciava provações: desvios intermináveis por conta de obras, ausência de apoio nas estradas, a lentidão conhecida da Raposo Tavares. E, mesmo cansados, seguimos firmes, porque o destino era maior que as dificuldades: uma noite para eternizar uma história de amor.
Mas ao chegarmos, o imprevisto tomou forma de faísca: um fio elétrico, sobrecarregado, estourou diante de nós. O pressentimento foi imediato — e confirmou-se. A energia não suportava o básico, e nosso equipamento ficou impossibilitado. Trouxeram um gerador como solução, mas ele também não resistiu: apagou-se justamente após a primeira hora de música, quando ainda havia esperança de continuidade.
Os tropeços não pararam aí. Garçons em número reduzido fizeram amigos do casal virarem improvisados servidores. A comida, fria. A água, escassa. E os homenageados, que haviam acabado de voltar de uma viagem ao Peru, ainda enfrentavam incômodos de estômago — uma dor de barriga que tornava tudo ainda mais desconfortável.
Para Marcelo, perfeccionista, cada detalhe que falhava parecia uma ferida aberta. O homem que dedicou a vida a cuidar, prever, organizar, agora se via impotente diante de uma noite que não correspondia ao que sonhara. Amanda, filha zelosa, assistia ao esforço de meses ser minado por imprevistos em cadeia. Nós, músicos, levamos também a frustração de não poder mostrar plenamente o que havíamos preparado com tanto carinho.
E, no entanto, algo resistiu. A história de cinquenta anos que unia Marcelo e Ana Maria não dependia da perfeição dos serviços contratados. Dependia do vínculo que os sustentou até ali, entre erros e acertos, entre dores e alegrias. Naquele salão imperfeito, entre geradores falhando, pratos frios e improvisos, brilhou o que não se pode contratar: o amor.
Porque o amor é assim, sobrevive às falhas humanas, atravessa as dores inesperadas e continua sendo a luz que não se apaga. No fim, as bodas de ouro não foram lembradas pelo que faltou, mas pelo que permaneceu: a certeza de que, mesmo quando tudo sai do controle, há uma energia maior sustentando a vida.
E essa energia, Marcelo e Ana Maria, vocês já provaram ter de sobra.
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