19 de agosto de 2026

[RESENHA] “Black, o filho do RAP”, de Lua FH

 
Ter a rapidez em pensamentos, utilizar palavras complexas e até mesmo ter respostas pesadas. Apresento, Ian Lisboa Santos, de apenas 17 anos que nasceu em Salvador e com 8 meses de nascido foi levado para Simões Filho, onde cresceu e se fortaleceu. Mais conhecido como Black, seu nome artístico, conquistou com mérito um bom reconhecimento através das batalhas de Mc’S.
 

A HISTÓRIA CONTADA POR ELE

Moro desde os oito meses de nascido aqui em Simões Filhos, aprendi a ler e escrever com 3 anos, tinha uma tia que era professora de literatura, ou seja, sempre estudava na escola e em casa com elas, tanto que eu era adiantado na escola por ter facilidade para ler e escrever as coisas. Daí sempre fui uma pessoa muito eclética, quando era criança jogava futebol, ia para a igreja aos domingos e estudava, minha vida era essa.
Minha família sempre foi humilde, nunca teve nada, sempre trampou para sobreviver, mas eu busquei algo além disso, e com 9 anos conheci os repentes Caju e Castanhafiquei fissurado, comecei a fazer na escola de resenha, mas não levava muito à sério — Aos 11 anos, meu irmão me apresentou uma batalha do Emicida, fiquei fascinado pelas batalhas e comecei a praticar os Freestyle com 11 anos e comecei a levar à sério com o tempo; treinei dos 11 anos até os 13, aos 13 anos, minha família não queria me levar para as batalhas por ser uma família cristã conservadora e para eles era um ambiente de drogados — Tive que esperar meu aniversário, dia 6 de Janeiro de 2016, meu pai me perguntava o que eu queria de presente e eu falei que o queria de presente era ele me levar para a batalha; ele me levou na Batalha do Caranga, fui campeão, depois ele me levou mais duas vezes e saí campeão as duas vezes.
A partir disso pensei “Por que não tentar o Nacional?”, treinei bastante, fui para o Duelo Nacional de Mc’s, me consagrando o MC mais jovem a participar, ia ser campeão baiano. E aí com 14 anos, organizei a primeira conexão de batalhas DF vs BA. Com 15 anos, eu organizei a primeira conexão SP vs BA. E também com 15 anos eu saí da escola, não suportava mais, sempre tive problema com metodologia de ensino público; sempre pensei em me intitular como autônomo, porque sempre estudei em casa, como já falei, e isso me fez criar uma certa revolta pelo o que era me passado na escola, porque sabia que era travado — Também era o lugar onde o diálogo e a discussão não era permitido, e isso sempre me incomodou; então saí de casa com 15 anos e me joguei de cabeça no RAP, depois de saí da escola, tive mais tempo de organizar meu sonho, e agora estou aqui em 2020, até então seis lançamentos, quatro solos e três feats.
 

 

A RESENHA

Toda a distribuição da história do Black tem a ver com intelectualidade e formação de caráter. Uma pessoa que criou ao longo do tempo a sua própria virada de jogo; e desde criança estudando palavras, se apaixonando pela leitura, pelas palavras e utilizando esse conhecimento para formar trocadilhos, para trazer em seu freestyle uma longa mensagem mesmo com tempo curto, mas cheio de conhecimento e impacto.
Tem vários vídeos no Youtube, onde ele batalha e a imagem passada é a confiança, a paz, o amor, a emoção de estar ali na frente do público e podendo se emocionar e emocionar a plateia. Então, em diversos vídeos, eu o vi sendo sincero, não escondendo sua vontade insaciável de rimar e o prazer de estar naquele local.
E como provado, dá para analisar a história na qual, ele mesmo conta sobre a família tradicional que enxergava o preconceito e ainda tinha mentes fechadas para o cenário do RAP — A falácia mais comum; ”Rap só tem droga e bebida”, e os pais deixam de apoiar o talento dos filhos por isso mesmo, por essa fala maligna e preconceituosa — E vemos aqui uma história de superação, na qual a vida deu a única oportunidade para o Black mostrar talento, e ele não recuou, tampouco recusou, e sim abraçou, aceitou e ainda disse que era possível sim!
E se não fosse essa vontade, essa coragem, esse apego ao RAP, ele nunca teria conseguido. Então, a VITÓRIA nós mesmo construímos com a força de vontade. Black é o filho legítimo RAP e o cenário atual ainda vai se surpreender com o monstro criado pelo próprio pai.
A cena é assassina e o Black assassina a cena. E mudou quadros, situações e falácias. Se inspirem em pessoas que vieram para mostrar a diferença e não quem quer viver de mesmice. Para o Black, meus parabéns e muita admiração, quem tem talento vai à roma, quem tem medo se prende na gaiola mental.

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