24 de outubro de 2026

Danilo Martire exercita o uso saudável da IA Generativa ao gravar single com Kate, cantora artificial

“Eu canto a beleza de ver minha filha dormindo na mais perfeita harmonia”, é esta a fala de Danilo Martire que pode resumir a mensagem do seu 11º single, “Perfeita Harmonia”. É esta situação, uma criança pequena, de colo, embarcada num sono profundo, que foi capaz de dar sequência à uma música iniciada há anos, mas congelada por um bloqueio criativo.

Neste texto, porém, irei fugir da música em si, e irei instigar outra ideia:

“Perfeita Harmonia” tem uma característica que, decerto, gerará curiosidade na filha de Danilo, nesta criança que irá crescer já com as inteligências artificiais generativas como parte comum e cotidianas do mundo, e talvez até mesmo ultrapassadas. A filha de Danilo refletirá em como, nesta época atual, as IAs generativas ainda não eram tão exploradas, populares, e causavam medo, o que ocorre quando hoje assistimos entrevistas dos anos 1980/90 sobre os avanços dos computadores e da internet.

Danilo, um artista que, como todos, vivem da criatividade, também deve ter em seu íntimo alimentado algum medo da IA Generativa.

Mas este problema tentou, por ele próprio, ser resolvido, porém sem excluir o fato de que as IAs Generativas já são realidades irreversíveis, em um processo que gatinha rumo à maturidade. E como Danilo fez isso? Emprestando a segunda voz de “Perfeita Harmonia” à Kate, uma cantora artificial, e, a partir disso, trabalhá-la de forma “analógica”, o que Danilo Martire expressou como “a forma correta de se usar esta ferramenta”, em referência, claro, à essência do que fez com a voz de Kate nesta música e não ao processo exatamente.

“Isso foi bem interessante. Estamos no meio de uma discussão sobre o uso de inteligência artificial na arte de modo geral. Eu ganhei um período de teste de uma funcionalidade premium de uma plataforma brasileira de IA, que separa vozes e instrumentos. Essa funcionalidade me permitiu enviar a minha voz gravada e usar o timbre de uma mulher (a Kate) para alterar a sonoridade da minha própria voz. Achei isso incrível e como eu já pensava em colocar uma segunda voz, na forma que é apresentada na música, resolvi utilizar esse mecanismo virtual.”, explicou o artista.

Porém, Danilo não se comportou passivamente diante da IA. “Não foi tão fácil, no entanto… tive que afinar a voz da IA (depois de modificada) nota a nota quase, porque algumas delas não encaixavam na melodia e na harmonia da voz. E também tive que regravar várias vezes o meu vocal para ficar tudo na mais perfeita harmonia, rs. Há quem diga que eu utilizei a inteligência artificial exatamente da maneira correta, como ela deve ser utilizada. Eu penso que sim, não sei… as possibilidades são inúmeras e estou sempre aberto a novidades. O público poderá opinar.”

Eu, do lado de cá, enquanto jornalista que também sente-se ameaçado por esta nova tecnologia, sorri, e sorri bastante com “Perfeita Harmonia”. Primeiro porque a música por si só tem o poder de irradiar paz, tranquilidade. Segundo, porque percebo que é possível que IA generativa contribua, sem nos roubar a divindade da inspiração e da criatividade. Palmas para Danilo. Palmas, não. Uma multidão de assovios de torcida!

Ficha técnica

Vocais: Danilo Martire

Segunda Voz: Kate (Voz de Inteligência Artificial)

Solo de guitarra: Victor Russo.

Arte da capa: Danilo Martire

Produção musical, mixagem e masterização: Danilo Martire

Todos os outros instrumentos gravados por Danilo Martire em seu home studio.

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