26 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Teófilo expressa a cultura do norte com sonoridade folk de seu novo álbum

Foto: Divulgação

 

Teófilo acredita que a frase “Um parnaibano de Magalhães de Almeida, Parnaíba e Teresina” define muito bem a essência do álbum TEÓFILO, seu terceiro álbum solo, depois de COM FUSÃO (2001), e MATULÃO (2005). O músico segue esse pensamento, porque as músicas deste novo trabalho foram escritas entre 2010 e 2017, e fizeram um “passeio” pelas cidades de Parnaíba (onde ele nasceu), Teresina, e também Magalhães de Almeida (onde viveu por um tempo).

Na entrevista (abaixo) que fizemos com Teófilo, percebemos o quanto as temáticas do álbum são variadas, cada uma com uma certa vibração e conteúdo. No bate-papo, o artista falou mais sobre as faixas e as ideias de TEÓFILO.

O álbum foi gravado no estúdio Bumba Records em Teresina por Márcio Menezes. A parte do projeto gráfico foi realizado pelo artista plástico parnaibano Daniel Mendes.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com Teófilo.

 

 

Você já tem uma carreira de quase 30 anos. Você acredita que TEÓFILO, seja uma mistura de tudo que você viveu até aqui?

Eu não acho que o disco TEÓFILO seja uma junção de tudo, mas foi o primeiro disco em que eu fiz todas as guitarras, um disco em que eu acho que deixei algumas coisas pelo caminho e adquirir outras.

Trata-se de um disco que é mais a minha cara mesmo, uma coisa mais pessoal. Diferente dos dois primeiros trabalhos, onde muita gente participa tocando muita coisa.

 

Quanto o álbum exprime sua personalidade, ideias, pensamentos, etc?

O disco já foi gravado tem um bom tempo, mas é muito coerente com o que eu penso, com o que eu vivi, com as pessoas e os lugares que eu vivi. Minhas cidades, meus fantasmas e as vontades que eu tenho.

 

Você cresceu no estado do Maranhão. Poeticamente e musicalmente, o quanto essa vivência influenciou no resultado final de TEÓFILO?

Na verdade eu nasci em Parnaíba, no litoral do Piauí. E morei a infância na cidade dos meus pais, onde eu fui registrado, a cidade de Magalhães de Almeida, no Maranhão. Com oito anos eu retornei pra Parnaíba, foi onde eu aprendi a tocar e onde em 1991 a gente começou o movimento musical com uma banda chamada Rabiscos Urbanos.

Mas como eu canto em alguma canções, a minha infância entre Parnaíba e Magalhães de Almeida e mesmo com oito anos depois de vim morar em Parnaíba, nunca deixei de visitar Magalhães de Almeida, até hoje visito sempre. Tenho esta ligação muito grande com a cultura, com as pessoas dos dois locais e principalmente com o rio Parnaíba, que banha as duas cidades. Então eu canto isso, as pessoas desses locais e sua cultura.

 

Faça uma sinopse das 10 faixas do álbum como um todo.

A primeira música ESTAÇÕES, é uma parceria com o escritor cearense Ricardo Kelmer, que eu conheci durante o tempo em que morei em São Paulo. AMIGO MONGE e REDONDO & ENQUADRADO são músicas irmãs que falam mais ou menos sobre o mesmo tema, Parnaíba, Magalhães de Almeida, o rio amigo dessas cidades e depois chega em Teresina. Fala dos amigos, dos tempos de criança, da infância em si. MORROS é uma parceria com Arimatan Martins, diretor de teatro e letrista super conceituado aqui do Piauí, que fala sobre a saudade que vivíamos quando estávamos nos preparando para sair de Teresina para o eixo Rio de Janeiro/ São Paulo, eu e minha esposa. Arimatan nos ligou logo após que chegamos lá recitando parte da letra, falando de sua saudade. HOMEM SÓ é uma das histórias de reviravolta que eu gosto de cantar que acontece na vida das pessoas. ARMADURA é uma música de amor, que também fala dessa coisa de andar pelo mundo, EMPALIDECER também é uma música sobre romance. EM RIBA DO MORRO é um amor de caboclo/ pescador em homenagem a Zé de Maria, agitador cultural aqui de Parnaíba. NOS E O JARAGUÁ foi feita em São Paulo, regada a muita saudade e frio. GLOBALIDANÃO é uma crítica social, teve como base uma matéria que eu vi na televisão, em um jornal. Eu sempre visito esse tema, em todos os meus discos rola alguma ideia ou crítica social, alguma coisa deste tipo.

 

Chama a atenção que o álbum foi gravado entre os anos de 2010 e 2017. O que esse intervalo todo acrescentou ao álbum?

Bem, o disco foi gravado com uma intenção de ter uma sonoridade de power trio, mas o tempo terminou o transformando, colocando vários outros instrumentos como lap steel, gaitas, sintetizadores, umas experimentações sonoras, que é mais a onda que eu estou vivendo agora juntamente com os meninos aqui de Parnaíba que me acompanham nos shows.  Então o tempo acrescentou mais elementos ao trabalho.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva este trabalho?

Eu acredito que a maior curiosidade sobre este trabalho é que ele passeou um bocado. Tanto as letras das músicas, foram feitas em Teresina, Parnaíba e Magalhães de Almeida, quanto sua feitura. O disco começou a ser gravado no Bumba Records em Teresina, passou pelo estúdio Dona Bela em Seus amores em Fortaleza e foi finalizado no Vig Studio em Parnaíba mesmo.

 

Fique à vontade para falar o que quiser. (Geralmente, essa resposta entra no texto de introdução da entrevista)

O TEÓFILO é um disco meio Benjamin Button, já nasceu com uma certa idade, já estamos encaminhando um novo trabalho, com algumas letras já feitas e virando música, inclusive parcerias com Torquato Neto através de letras deles que consegui com um primo dele chamado Jorge Mendes, canções inacabadas, que ele adquiriu com Ana Maria, mulher do Torquato.

Mas enquanto o novo trabalho não vem, eu espero que este álbum velhinho ainda possa rodar pelo mundo enquanto vem este novo pupilo.

Agradeço o interesse e divulgação do meu trabalho por parte de vocês da Revista Arte Brasileira. Fico sempre muito contente quando tenho a oportunidade de falar do meu trabalho com pessoas que ainda não o conhecem.

 

 

 

 

Newsletter

Streaming gratuitos: filmes, séries, novelas, jornalismo, entretenimento e educação

Com o crescimento do acesso à internet e a popularização das smart TVs, inclusive com modelos mais robustos, como uma TV.

LEIA MAIS

Francisco Eduardo:  a geometria do corpo e suas personas

 Quando quis tirar a máscara,Estava pegada à cara.Quando a tirei e me vi ao espelho,Já tinha envelhecido. Fernando Pessoa  .

LEIA MAIS

Bossa Nova é homenageada pelo compositor islandês Ingvi Thor Kormaksson em single lançado pela banda

Islândia, 2025. É no norte europeu que ressoa a voz de uma brasileira com cidadania islandesa, Jussanam. Ela é uma.

LEIA MAIS

Rock Popular Brasileiro, Edson Souza?

Baião com rock foi uma investida polêmica de Raul Seixas, entre outras misturas. Apesar disso, o cantor e compositor baiano.

LEIA MAIS

Os vários Olhos D’agua de Conceição Evaristo

Poderia ser mais uma daquelas resenhas que escrevo sobre um livro que eu acabara de ler, no entanto é algo.

LEIA MAIS

Com a IA, o que sobrará da literatura?

Dá para fazer livros razoáveis com Inteligência Artificial. Há casos de autores com centenas de livros já publicados com a.

LEIA MAIS

Pedro Pereira: azul que te quero azul

Comer muito mel não é bom; assim,a investigação da própria glórianão é glória. Provérbios 25:27 A pintura de Pedro Pereira.

LEIA MAIS

Tim Maia em 294 palavras

Ícone do pop nacional, Tim Maia nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, em 1942. Antes do sucesso,.

LEIA MAIS

Andinho de Bulhões: ausência de lume na justaposição e na aglutinação

O sol novifluentetransfigura a vivência:outra figura nascee subsiste, plena Orides Fontela 1. Andinho de Bulhões nasceu em um povoado pertencente.

LEIA MAIS

Além deste sertão: a pintura de Celina Bezerra

É curioso observar a trajetória da professora norte-rio-grandense Celina Bezerra. Advinda das terras quentes da região do Seridó, de antigas.

LEIA MAIS