Já é um sucesso o nosso quadro ALÉM DA BR, focado em artistas não-brasileiros. Com o ALÉM DA BR, já divulgamos mais de três mil músicas de artistas de todas as partes do mundo. Agora, apresentamos um novo lado desta lista, no qual iremos focar nos processos de produção musical e de gravações em estúdio. Para isso, selecionaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras como foram estes processos de sus novas músicas. Vale dizer que o conteúdo produzido por eles tem exclusividade da Arte Brasileira, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
Vamos nessa?
Cassio Vianna – “Sea-Song” – (EUA)
Um pouco de background: Eu nasci e cresci no Rio de Janeiro; estudava piano, e acabei me apaixonando pela musica instrumental brasileira na minha adolescência, nos anos 90. Eu curtia o Cama de Gato, Hermeto Pascoal, Duo Fênix, Cesar Camargo Mariano, além dos mestres da MP B. Aos poucos, fui me interessando pelo jazz americano, especialmente o jazz “fusion” (Chick Corea Elektric Band, Pat Metheny Group, The Yellowjackets, etc.). Entrei pra Uni-Rio em 1999 e foi ali que meu interesse pelas big bands se desenvolveu; eu queria muito escrever para big bands, não tem muitas bandas disponíveis n Brasil. A solução foi buscar a pós-graduação nos EUA.
PRODUCAO: O trabalho de produção desse CD levou 18 meses. A verdade e que é um projeto de amor a essa arte, e eu cuidei sozinho de todos os detalhes logísticos e criativos do projeto. Primeiro, a composição das músicas leva tempo – é muita nota pra pôr no papel! Por isso decidi dividir o processo em duas partes: compus e arranjei metade das músicas e comecei a montar a banda. Moro perto da cidade de Seattle, um lugar com excelentes músicos de jazz, chamei os que eu já conhecia e aproveitei a oportunidade pra conhecer outros com quem ainda não tinha trabalhado. O próximo desafio era achar um estúdio não apenas com a qualidade técnica, mas também com o espaço suficiente para comportar uma banda de 18 músicos. Os estúdios grandes geralmente têm paredes que refletem muito som, melhores para Rock. Para jazz é necessário um som mais íntimo e sutil.
Com a banda formada e o Lange Studio agendado, enviei todas as partituras individuais e um MIDI demo dos arranjos para os músicos, dois meses antes da data de gravação. Existe uma cultura muito séria em relação ao jazz aqui, os músicos realmente dedicam tempo pra estudar. Acredite se quiser, chegamos no estúdio pra gravar sem nenhum ensaio: todo mundo estava pronto! Guitarra, piano, baixo e bateria gravaram juntos, os 4 trompetes e 4 trombones gravaram juntos em outra sala, os 5 saxofones gravaram em uma terceira passagem; eu regia a banda. Depois fizemos overdubs de solos, de percussão e outros detalhes. Tudo ao vivo, tudo orgânico, tudo acústico.
A partir daí, repeti todo o processo: passei três meses compondo e arranjando a segunda metade do CD, agendei uma nova data de gravação, e enviei as partituras e um MIDI demo para os músicos com um mês de antecedência.
Gravamos a segunda metade do CD em agosto de 2024 e então começamos o processo de edição e mixagem. Cada faixa tem 35-40 canais, e como muitos dos instrumentos gravam juntos, não há muita margem pra “consertar” a execução: a tocada tem que ser boa. Tenho recebido muitos comentários positivos não apenas sobre a qualidade das músicas e da banda, mas também do som do CD. Em novembro o CD estava masterizado e pronto para prensar.
SEA-SONG: A ideia por trás da música é imigração. A inspiração é a imagem daqueles que cruzam os oceanos em busca de refúgio, de uma vida melhor, de uma nova chance. O groove é uma espécie de “dança do mar”, com irregularidades rítmicas que representam incertezas e perigos dessa jornada épica. O solo de guitarra também captura essa imagem de uma forma muito interessante, com intensidade rítmica e tensão melódica.
Comentário de Cassio Vianna
ROCKSPHERE – “Driver (reimagined) with AI Vid” – (Alemanha)
Originalmente, “Driver” era uma música instrumental que escrevi em meados dos anos 90. Em algum momento, porém, tive a ideia de que a música também poderia funcionar com vocais. Então, experimentei e gravei. Há também uma versão que gravei há um ou dois anos, mas, olhando para trás, não fiquei totalmente satisfeito com a produção. Dito isso, pretendo lançar a versão puramente instrumental em algum momento no futuro.
Não há muito a dizer sobre a produção em si. Como a maioria dos músicos, produzo usando uma DAW (Digital Audio Workstation). No meu caso, uso o Studio One da Presonus.
Comentário de Peter (ROCKSPHERE)
Lucas Geddes – “Free will” – (Reino Unido)
Inspiração da música – Decidi escrever uma faixa sobre livre-arbítrio… só que *eu* não tive nada a ver com isso. A(s) ideia(s) simplesmente surgiu(aram) na minha consciência, e eu nasci em um conjunto de circunstâncias biológicas e ambientais que permitiriam tal coisa. Cada decisão que tomamos já foi determinada segundos antes que nossas mentes conscientes sequer se dessem conta dela.
Não temos livre-arbítrio. Ou melhor, é uma ilusão incrivelmente convincente. Mas isso não é ruim e não precisa levar ao niilismo existencial, mas sim à compaixão e à compreensão.
Processo de produção e gravação – Tudo foi escrito, gravado e produzido por mim no meu estúdio em casa. Tento usar o mínimo de samples possível, além de algumas batidas de bateria que programei para a batida principal e alguns instrumentos de sopro que cortei e reamostraram. Todo o resto foi tocado por mim. Quero que tudo soe o mais natural possível, e estou mais confiante na minha capacidade de conseguir isso se fizer tudo sozinho.
Principais influências – Minhas influências vão desde grandes nomes do jazz/soul — Ella, Billie, Miles Davis e Donny Hathway — até gigantes do neo-soul — D’Angelo, Erykah, Dilla e Quest — e incríveis artistas britânicos como Cleo Sol, Ezra Collective e Amy Winehouse.
Comentário de Lucas Geddes
PJ Far West Selecta – “Rolling calf” – (Bélgica)
Tudo está comigo, gravado em um estúdio caseiro e eu toquei tudo sozinho (exceto a bateria, que vem da Argentina, pela Dubmaina) (instrumental). Assim que a música está pronta, entro em contato com meu bom amigo jamaicano (Sledge) e peço para ele colocar as partes vocais, as letras são minhas, mas ele as transforma para o “patois jamaicano”, a simpática língua local, ele então grava sua voz e as envia para mim, e então o quebra-cabeça começa, conheci essas duas pessoas através de plataformas de músicos Essa foi a primeira de 5 músicas, e eu gosto muito de todas, aqui está a segunda, semana que vem no streaming,
Comentário de PJ Far West Selecta
Jordan Astra – “Honey” – (Canadá)
“Honey” é uma música sobre luz e amor — sobre ver a beleza em alguém, mesmo quando a pessoa se esquece de vê-la em si mesma. É um lembrete de que, às vezes, tudo o que é preciso é um pouco de calor para alegrar o dia de alguém.
Escrita em Los Angeles durante a última sessão da minha viagem de cinco dias à ensolarada Califórnia, esta música carrega a energia daquele momento — despreocupada, radiante e cheia de vida. Uma mistura de pop e soul, “Honey” é a minha maneira de levar alegria e afirmação às pessoas que mais precisam.
Como o primeiro single de 2025, “Honey” dá o tom do que está por vir: um álbum que chega em agosto, cheio de histórias, emoções e sons que mal posso esperar para compartilhar com vocês.
Comentário de Jordan Astra

