19 de janeiro de 2026

ALÉM DA BR – Uma lista de lançamentos focada no processo criativo das canções (#3)

Já é um sucesso o nosso quadro ALÉM DA BR, focado em artistas não-brasileiros. Com o ALÉM DA BR, já divulgamos mais de três mil músicas de artistas de todas as partes do mundo. Agora, apresentamos um novo lado desta lista, no qual iremos focar no processo de composição e criativo. Para isso, selecionaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras como foram estes processos de sus novas músicas. Vale dizer que o conteúdo produzido por eles tem exclusividade da Arte Brasileira, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

Vamos nessa?

Parès“La Tempête” – (França)

La Tempête é uma faixa construída como uma colagem dadaísta, misturando deliberadamente elementos díspares para criar uma forma de harmonia caótica. Essa abordagem artística busca fazer uma apologia, ainda que questionável, da despreocupação diante da desordem do mundo. Em vez de propor um discurso linear ou engajado, a música aposta na justaposição de imagens, sons e referências, com um espírito livre e experimental.

Musicalmente, La Tempête se baseia em uma mistura de influências contrastantes. Encontramos ali sonoridades de bossa nova — gênero leve e dançante — confrontadas com batidas eletrônicas modernas, mais marcadas e percussivas. Essa hibridação proposital cria um contraste entre a suavidade aparente de alguns instrumentos e a energia mais crua do acompanhamento rítmico.

A letra, por sua vez, é declamada em um estilo decididamente urbano. Ela se afasta do canto melódico tradicional para adotar um fraseado mais falado, mais direto nos versos e mais musical nos refrões. Essa escolha alimenta a tensão entre as diferentes camadas da música, entre o conteúdo poético e a forma bruta, entre leveza e gravidade.

A instrumentação se apoia em um equilíbrio entre instrumentos tradicionais — flautas, clarinetes, violões — e elementos eletrônicos — sintetizadores, batidas eletrônicas. Essa combinação cria uma paisagem sonora rica, ao mesmo tempo orgânica e digital, que reflete o tema central da música: o caos do mundo e a maneira como escolhemos, ou não, responder a ele.

Por fim, La Tempête foi composta em nosso home studio, com pouquíssimos recursos. Sua criação é quase um trabalho de bricolagem, uma fabricação artesanal que faz parte integrante de sua estética. Longe de um som polido ou superproduzido, a faixa assume uma forma de fragilidade, uma espontaneidade que reforça sua sinceridade.

Comentário de Parès

Sjana Rut “Game Over” – (Irlanda)

Game Over nasceu em um momento de grande transformação na minha vida — quando decidi encerrar um capítulo longo e doloroso que me mantinha presa. Eu sabia que algo precisava mudar. Essa música se tornou a minha declaração de que o jogo acabou — os jogos que os outros jogavam comigo, e os que o inimigo vinha ganhando há tempo demais. Não é uma música sobre derrota, mas sim sobre retomar o controle. É o som de um recomeço com coragem e convicção.

Sonoramente, eu queria que a faixa fosse energética e motivadora — algo que desse vontade de se movimentar. Me inspirei na estética de videogames nostálgicos, misturando elementos divertidos com uma batida que soa como um grito de guerra. É uma música para acordar, para treinar, para levantar quando tudo parece difícil. Seja qual for o seu momento, Game Over é feita para reacender a chama.

No coração dessa música, existe também uma conexão profunda com a fé. Meu relacionamento com Deus foi o que me sustentou durante o processo de cura, e o Salmo 91 se tornou uma âncora para mim nesse tempo. A música pode soar como um pop leve e empolgante — e é — mas, por trás disso, ela é parte do meu testemunho. É um lembrete de que nunca lutamos sozinhos, e que a verdadeira vitória começa quando entregamos tudo a Deus.

Enquanto reconstruía minha vida, comecei a me reconectar com partes de mim que haviam sido apagadas — especialmente minha saúde, minha criatividade e minha força. Esse processo não foi só emocional, mas também físico e espiritual. Essa energia — de renascimento — está presente em cada detalhe da canção.

Game Over é para todos que já disseram “chega”. Chega das mentiras, da vergonha, do silêncio. É um lembrete de que a sua história não acabou — talvez ela esteja apenas começando.

Comentário de Sjana Rut

Lourdes Carhuas“Por esas trenzas” – (Peru)

“Por esas trenzas” representa o amor infinito que tenho pela minha avó Pancha e pela minha mãe. a minha mãe. Nesta canção, quis primeiro usar um ritmo que representasse a tristeza da minha mãe, o sofrimento que ela passou quando o meu pai saiu de casa. A tristeza da minha mãe, o sofrimento que ela passou quando o meu pai saiu de casa. Por isso escolhi por isso escolhi começar com um “triste”, um ritmo lento e livre que evoca o lado andino da minha avó, da minha avó, que nasceu em Huánuco, no Peru. Depois segue-se o “tondero”, um género tradicional do norte do Peru. Norte peruano. Escolhi-o porque, para mim, é um dos ritmos mais bonitos do meu país. O país tem.

Neste tondero, queria escrever sobre as tranças da minha avó Pancha. Ela ensinou-me a entrançar o cabelo e também, de certa forma, a vida. Deixou-me recordações que guardarei para sempre que guardarei para sempre e que quis captar nesta canção, como os ramos de alfarrobeira na sua saia, os brincos feitos de como os raminhos de alfarroba na sua saia, os brincos de filigrana que lhe acariciavam as faces, os meus passarinhos – a minha pega, o meu sonho – a minha infância com todos eles. a minha infância com todos eles… Não há nada que eu não faça por essas tranças.

Esta canção foi interpretada durante anos por artistas que acompanhei como backing vocal nos meus quase cinquenta anos de carreira artística. Esta canção foi interpretada durante anos por artistas que acompanhei como corista de apoio, nos meus quase cinquenta anos de carreira artística. Agora, pela primeira vez, estou a lançá-la Agora, pela primeira vez, estou a lançá-la como parte do meu primeiro álbum, que também se chama “Por esas trenzas”. tranças”, que é um encontro entre a música tradicional da costa peruana e as cores da orquestra sinfónica.
cores da orquestra sinfónica.

Começámos a produzir esta canção e as outras que compõem o álbum em 2023, juntamente com cinco maravilhosos videoclipes, todos produzidos pelos Le Miau Studios. Estúdios. Foram anos de muito trabalho, um caminho lindo em que fomos acompanhados por músicos incríveis, entre eles músicos, entre os quais Miguel Tomas, que escreveu os arranjos que foram gravados com a Orquesta que foram gravados com a Orquestra Sinfónica de Bratislava.

“Por esas trenzas” é parte do amor que quero deixar ao público, à minha mãe, à minha avó, ao Peru e à nossa música latino-americana. avó, ao Peru e à nossa música latino-americana. Estou profundamente comovido anunciar que estará disponível em todas as plataformas a partir de 16 de maio de 2025.

Comentário de Lourdes Carhuas

Tien Viet Nguyen“Đã Về” – (EUA)

Đã Về (em português, Já Cheguei) é inspirada em um mantra budista da tradição de Thich Nhat Hanh e da comunidade Plum Village. O mantra, “Já cheguei, tô em casa, no aqui, no agora” é um lembrete para a gente voltar pro momento presente.

A música surgiu de forma bem espontânea, em Santa Catarina, na casa dos meus sogros. Eu havia convidado o guitarrista Josué Mariano para fazer uma sessão colaborativa de gravação. Minha cunhada emprestou o quarto dela para virar nosso estúdio. Foi aí que nasceu o loop de guitarra que virou a base de Đã Về, primeiro single do meu primeiro disco solo, Whatever You’re Feelin’ (em português, Como Queira, com lançamento previsto para 18 de junho).

Uns meses depois dessa sessão com Josué, eu abri o loop, criei uma melodia e gravei o mantra em vietnamita e inglês. Como não achei uma tradução em português, escrevi minha própria versão. Eu tenho raízes vietnamitas, nasci nos Estados Unidos, e já passei mais de uma dúzia de verões no Brasil, então essa música representa três culturas que eu conheço bem.

Chamei meu amigo Matt Fleming, baterista estadunidense, para gravar a bateria direto do Oregon. Também convidei o baixista mineiro Enielse, que mora em São Paulo e já tinha gravado outras faixas do álbum. Por fim, pedi ao Vladislav Michev, músico búlgaro, para gravar flugelhorn e teclas. Đã Về é isso: uma reunião de culturas que eu amo, e uma manifestação da minha intenção de trazer paz pela música.

Comentário de Tien Viet Nguyen

Frank Yeung“Hurt Me (Why Aren’t You Sorry)” – (Hong Kong)

“Hurt Me (Why Aren’t You Sorry)” é baseada em uma experiência real da minha vida. Pode parecer uma coincidência curiosa — o “ex narcisista maligno” a quem me refiro na música também é do Brasil.

Sim, por mais que eu não goste de admitir… fui vítima de gaslighting e manipulação emocional no final de 2021. Segundo a Dra. Melissa Prusko, um narcisista maligno é alguém que também faz parte da chamada Tríade Sombria — narcisismo, maquiavelismo e psicopatia. Infelizmente, essa descrição combinava perfeitamente com a minha situação.

Quando fui deixado apenas com dor e devastação, escrevi essa música palavra por palavra, nota por nota. A primeira frase que veio à minha mente foi “Why aren’t you sorry, as you should”. Acho que essa frase foi a minha forma de acusação. “Why can’t you stop pretending, release me” foi a maneira que encontrei de tentar me libertar.

Depois que terminei a música — você pode me chamar de louco — percebi que estava completamente curado daquele relacionamento tóxico. Foi como se o encerramento emocional viesse imediatamente. Acho que a melhor maneira de liberar a dor é espalhá-la através da arte e permitir que outros a sintam também (haha).

Comentário de Frank Yeung

Newsletter

Danilo Martire exercita o uso saudável da IA Generativa ao gravar single com Kate, cantora

“Eu canto a beleza de ver minha filha dormindo na mais perfeita harmonia”, é esta a fala de Danilo Martire.

LEIA MAIS

A obra de João Turin que sobreviveu a 2ª Guerra Mundial

No Memorial Paranista, sediado em Curitiba (PR) com intuito de preservar e expor a obra do paranaense João Turin, há.

LEIA MAIS

Explore o universo literário

Você tem que se aventurar no campo literário e fazer novas descobertas. Você como leitor não pode ficar só focado.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: o registro da etnografia de um tempo extinto++++++++++++++++++++++++3

Há pouco se apagou de vezno reduto dos dicionárioscerta palavra-chave. Henriqueta Lisboa 1. Nilson dos Santos (17.06.1970) nasceu em Currais.

LEIA MAIS

“Os americanos acreditam que ainda se ouve muita bossa no Brasil atual”, diz o músico

8 de outubro de 1962. Aproximadamente 2.800 pessoas na plateia do Carnegie Hall, a casa de shows mais importante de.

LEIA MAIS

Por que Sid teima em não menosprezar o seu título de MC?

Sobre seu primeiro single de 2022, ele disse que “quis trazer outra veia musical, explorar outros lados, brincar com outros.

LEIA MAIS

Gabriel Gabrera e sua aliança com o blues

O mineiro Gabriel Gabrera é de afinidade indiscutível com o blues, gênero musical que conheceu muito novo, e nele permanece.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição19

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

As várias versões da “Balada do Louco”

No documentário “Loki – Arnaldo Baptista” (2008), o ex-mutantes Arnaldo Baptista é definido como “a própria personificação” do eu lírico.

LEIA MAIS

Tropicalismo: o movimento que revolucionou a arte brasileira

  A designação de Tropicália para o movimento que mudou os rumos da cultura brasileira em meados e fim dos.

LEIA MAIS