14 de outubro de 2026

Em “Fleur de Solitude”, Brasil e França se encontram com Aurélie Tyszblat, Augusto Ordine e Verioca

Aurélie Tyszblat, cantora francesa de coração abrasileirado, apresentou em 14 de setembro o single “Fleur de Solitude”, canção cuja letra é de sua autoria e que tem melodias de Augusto Ordine e Mauro Aguiar. Na gravação Aurélie divide o canto com Augusto Ordine, que junto com Verioca executa os violões.

A música, gravada em estúdio do Rio de Janeiro, teve suas características principais descritas por Aurélie e Augusto em entrevista exclusiva à ARTE BRASILEIRA, que você verá na sequência.

Em síntese, qual a melhor descrição do lançamento?

Augusto: Fleur de Solitude é um passeio da sensibilidade francesa sobre um tema poético brasileiro. O Mauro (Aguiar) resgatou em João Cabral de Melo Neto os sentidos concretos de flor, brincando com o lirismo vazio que às vezes permeia a criação poética, e a Aurelie (Tyszblat) se inspirou na mensagem para criar uma versão francesa cheia de sentimento e beleza. A gravação conta com minha voz e violão (Augusto Ordine), junto ao violão de Verioca Lherm e a voz inspiradora da própria Aurélie, criando um clima de melancolia pacificada e ao mesmo tempo reconfortante.

Aurélie : A música do Augusto e a letra do Mauro me inspiraram uma versão que fala das nossas dificuldades de enxergar o outro como ele ou ela é e não como a gente gostaria que ele ou ela fosse. Me parece que a gente passa uma grande parte da nossa vida tentando se conformar ao desejo dos outros, perdendo às vezes a oportunidade de deixar a nossa própria flor florescer com uma sinceridade conectada com nossa singularidade.

Se trata de um brasileiro e uma francesa. O que essa combinação levou ao estúdio na gravação de “Fleur de solitude”. “Fleur de solitude”, composição de Augusto Ordine e Mauro Aguiar, tem qual mensagem?

Augusto: Os dois países tem forte tradição no formato canção, e as trajetórias dos artistas envolvidos conversa muito bem com o intimismo da formação voz-violão. O diálogo das vozes no arranjo também ficou muito interessante, os espaços de junção e os afastamentos. A música foi toda gravada ao vivo, tivemos um bom tempo de ensaio para deixar que o arranjo nos inspirasse.

A canção original  estava no meu primeiro álbum solo “A beleza precisa de abrigo”, lançado em 2024. A letra do Mauro mescla poesia com alguma crítica, uma ironia do fazer poético e das palavras. A versão francesa negocia esses sentidos fazendo uma escolha que traduz um momento, um raro instante de aceitar um fim e novos começos. As perspectivas ficaram diferentes, mas creio que as duas letras permitem muitas interpretações distintas.

Aurélie : A mensagem seria de abertura para as diferenças, diferenças de cultura, de gênero, de raça também. Para que cada um possa deixar brotar a própria flor.

E qual a sonoridade que levou ao resultado final? 

Augusto: o arranjo original tinha piano, cordas e um violão, a nova versão ficou ainda mais intimista com dois violões e duas vozes. A sonoridade é próxima, quente, acolhedora, apesar do tema trazer certa melancolia.

Aurélie : Tentamos ficar o mais próximo possível da intimidade de um encontro, de duas vibrações que se unem.

Há algo a mais de curioso sobre este lançamento que queira destacar?

Augusto: Já estivemos juntos em outra gravação, quando o grupo Ordinarius (do qual sou diretor) gravou junto com a dupla Aurélie e Verioca no projeto “Blanc”, álbum dedicado à obra do saudoso Aldir Blanc. A música escolhida para a parceria, “Paris: de Santos Dumont aos travestis”, traz elementos de cultura francesa e brasileira misturados.

Aurélie : A filmagem no Estúdio foi feito pelo Pedro Lombardi, fotografo de origem uruguaia radicado na França. 

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