Revista Arte Brasileira Além da BR Playlist “Além da BR” #288 – Sons do mundo que chegam até nós
Além da BR

Playlist “Além da BR” #288 – Sons do mundo que chegam até nós

Somos uma revista de arte nacional, sim! No entanto, em respeito à inúmeras e valiosas sugestões que recebemos de artistas de diversas partes do mundo, criamos uma playlist chamada “Além da BR”. Como uma forma de estende-la, nasceu essa publicação no site, que agora chega a sua 288ª edição. Neste espaço, iremos abordar alguns dos lançamentos mais interessantes que nos são apresentados.

Até o primeiro semestre de 2024 publicávamos também no formato de texto corrido, produzido pela redação da Arte Brasileira. Contudo, decidimos publicar apenas no formato minientrevista, em resposta aos pedidos de parte significativa dos nossos leitores.

WONDERLOST – “Bully Man” – Virgin Island, U.S.

Bully Man

Qual é a melhor sinopse desta música? Bully Man é um groove em sua essência, simples, estranho e contagiante. É um flow lento que me lembrou de dirigir um carro com a janela aberta em câmera lenta. Graves profundos. Bateria pocket, quase ausente, com caixa mega dub e camadas de teclados e órgãos… e então os brilhos de notas únicas de violão acústico se acumulam para um som doce.

Que reflexão ou ideia gerou essa música? Começou junto com as músicas instrumentais dos meus dois primeiros álbuns, mas ficou meio que parado no arquivo gigante de ideias para músicas que eu guardo. São centenas! Quando o reabri depois de um longo hiato, o groove me conquistou de cara. É uma faixa de bateria super simples, completamente nua e crua. Em algum momento, quando adicionei o toque reggae nas teclas elétricas, tudo simplesmente se encaixou. Naquela época, um cara maluco da cidade estava mexendo com as pessoas e a melodia e a letra vieram até mim.

E as letras em particular, o que elas dizem? A letra original era muito mais direta sobre esse cara da cidade que era, na verdade, apenas uma ameaça, mexendo com as pessoas. Um valentão com quem todos nós tínhamos que lidar. As letras, que eu não consideraria nem remotamente tão envolventes quanto algumas das outras músicas deste álbum, simplificadas como aparecem na faixa, servem mais para o groove do que para a narrativa, e para mim, isso é legal.

Musicalmente, o que você explorou nessa música? Esta música se afastou muito dos meus arranjos polifônicos mais complexos e das letras com frases mais longas. Manter a bateria nua e os versos repetitivos deixou muito espaço. Depois das primeiras mixagens, passamos várias horas batendo na caixa de maneiras diferentes, com ferramentas diferentes, para obter aquele som de caixa dub com delay.

É possível estabelecer uma conexão entre essa música e as Ilhas Virgens? As nuances do reggae são muito próprias das Ilhas Virgens para mim. Em última análise, como uma pessoa dos Estados Unidos Continental que vive nas Ilhas Virgens, mesmo depois de 26 anos, tenho plena consciência das minhas raízes e respeito o fato de ser um residente e não um nativo das Ilhas Virgens. Portanto, ajo com cautela em qualquer apropriação e honro a minha realidade. As Ilhas Virgens são um grande caldeirão cultural, servindo de ponte entre o Caribe e a América do Sul e os EUA, e como um importante destino de navegação e navegação, aqui vivem pessoas de todo o mundo. Principalmente de todo o Caribe, mas certamente de além também, e acho que esta música e a maioria das minhas músicas refletem essa mistura de culturas e povos mais do que apenas a cultura específica das Ilhas Virgens.

Respostas WONDERLOST

Aurica – “Bright Tomorrow” – (Ucrânia)

E em qual momento surgiu essa composição, o que a inspirou? Bright Tomorrow” nasceu num daqueles dias em que tudo parece incerto, mas o coração ainda acredita. Estava pensando na minha terra, na guerra, nas pessoas que continuam dançando mesmo com o mundo desabando. E então veio essa melodia — como um abraço invisível dizendo: o amanhã pode ser bonito. Foi assim que tudo começou.

Qual o tema da música, qual sua mensagem? A canção fala de esperança real — não aquela perfeita dos filmes, mas aquela que nasce quando a gente escolhe levantar mais uma vez. É sobre união, sobre acreditar que somos luz mesmo nos dias escuros. “ Bright Tomorrow ” quer lembrar que ninguém está sozinho, e que existe beleza mesmo na dor.

– Em termos de sonoridade, como você descreve essa música, e é possível comparar esta música com outros artistas e bandas? A sonoridade mistura elementos do pop cinematográfico com nuances folk da Europa Oriental. Tem coros que lembram hinos, cordas que sussurram histórias antigas, e batidas que fazem o coração andar junto com a melodia. Talvez lembre um pouco Florence + The Machine ou Aurora — mas com alma ucraniana, com raízes que cantam.

– Qual a ligação que pode ser feita entre esse lançamento e o seu país, a Ucrânia? Tudo. A Ucrânia está em cada nota. O violino carpatiano, o espírito de resistência, a dor e a beleza de um povo que não para de sonhar. Mesmo cantando em inglês, essa música é um retrato meu — e eu sou feita da terra, do vento e da coragem do meu país.

– Por fim, conte aos leitores do ALÉM DA BR ROCK quem é a artista Aurica. Aurica é uma artista ucraniana que escreve canções como se escrevesse cartas ao mundo. Cada música é uma ponte — entre línguas, sentimentos, países. Canto para lembrar que ainda somos humanos, ainda sentimos, ainda sonhamos. E se minha voz chegar ao coração de alguém do outro lado do oceano, então já valeu a pena.

Quero agradecer profundamente a todos que deram atenção a esta canção, a mim como artista, e ao meu país — a Ucrânia. Em tempos em que o mundo parece dividido, momentos de apoio, escuta e abertura significam muito mais do que apenas música. Obrigada por esse espaço onde posso ser ouvida — de coração.

Respostas Aurica

Lucus Lin x Kesha Loren – “Drip into Me” – (Austrália)

De que trata esta canção? Quando e como foi criada?Drip into Me‘ é o segundo capítulo de uma série planeada de quatro partes que começou com o nosso anterior lançamento Melt into You. Desde o início, imaginámos uma sequência de canções que se assemelhariam a uma conversa, um lento desenrolar da intimidade através do som e da atmosfera. Esta faixa faz parte dessa visão.

Queríamos explorar como pequenas mudanças sónicas poderiam tornar o R&B mais sensual e delicado. Não algo apressado ou demasiado polido, mas algo quente, lento e honesto. No mundo acelerado de hoje, procuramos criar música que ofereça aos ouvintes uma forma mais suave e íntima de ligação.

O que inspirou essa música? A inspiração veio da atmosfera das madrugadas e da quietude emocional que elas trazem. Artistas como Cigarettes After Sex nos mostraram que a sensualidade na música não precisa ser alta ou exagerada. Esta música foi criada ao longo de várias sessões noturnas, pois percebemos que o dia não capturava a mesma sensação.

Ela não foi escrita sobre um evento específico, mas sim sobre um estado de espírito. Aquela conexão profunda em que alguém te entende sem que você precise explicar. Essa proximidade silenciosa e inexplicável.

O que as letras expressam? As letras não são diretas ou declarativas. Em vez disso, sussurram verdades, daquelas que só revelamos quando nos sentimos realmente seguros. A música descreve duas pessoas se encontrando em um espaço sem pressa, sem a necessidade de definir nada. O amor aqui não é uma corrida ou uma conquista. É um processo de suavidade, honestidade e presença.

Como você descreveria o som? Estilisticamente, a faixa se posiciona entre o R&B atmosférico e o indie pop suave. Os vocais são sussurrados e delicados. O arranjo é minimalista, quase frágil, como uma noite morna em que cada respiração importa. Um detalhe importante é o piano ao fundo. Ele é intencionalmente irregular, com acordes e tempos imperfeitos. Representa a natureza imprevisível da conexão emocional. Nem tudo se encaixa perfeitamente, e é exatamente isso que a torna real. Para nós, música não é sobre perfeição, é sobre contar histórias.

Alguma curiosidade ou bastidor interessante?

Inicialmente, o plano para essa série em quatro partes era bem mais ousado. A terceira parte seria inspirada no estilo de Billie Eilish, enquanto a quarta mergulharia no heavy metal. Queríamos construir um arco sonoro que passasse da suavidade ao caos e voltasse.

Depois de lançarmos Melt into You e Drip into Me, começamos a receber mensagens de fãs dizendo o quanto se conectaram com esse som mais suave. Essa resposta nos fez repensar o plano original e considerar se deveríamos manter o conceito ou ouvir o público. A decisão final ainda não foi tomada. Quando a terceira parte for lançada, todos verão qual caminho escolhemos seguir.

Respostas Lucus Lin x Kesha Loren

Marshall Brooks – “CLOTILE(LET HER KNOW)” – (EUA)

Qual a melhor sinopse desta música? A música é, essencialmente, uma carta de amor moderna para uma namorada dos tempos de escola — uma reflexão sincera sobre uma conexão que deixou uma marca duradoura.

O que inspirou essa música? No fundo, essa música é uma expressão do arrependimento que senti por não ter sido mais presente e emocionalmente conectado com ela naquela época. É uma forma de revisitar algo que ainda ressoa em mim.

Enfim, o que diz sua letra e qual sua mensagem? Embora eu espere que as pessoas simplesmente aproveitem a música, essa composição é profundamente pessoal. Foi escrita especificamente para ela — quase como uma carta ou poema íntimo que, de alguma forma, acabou sendo compartilhado com o mundo. Há uma certa vulnerabilidade nisso, mas também algo bonito em permitir que outras pessoas se conectem com um momento tão pessoal.

Musicalmente, o que você explorou nesta música? Como artista de jazz — especialmente ligado ao smooth jazz — quis explorar uma fusão de harmonias do jazz com a batida do R&B. Há também um toque de bossa nova que dá à faixa uma sensação rítmica única. Meu objetivo era criar algo original e, ao mesmo tempo, emocionalmente expressivo. Acredito que consegui alcançar isso.

Há alguma curiosidade que você queira destacar? Sim — há um verso na música que diz: “I miss that sexy lazy eye” (Sinto falta daquele olho preguiçoso sexy). Essa frase costuma surpreender, mas não é uma insinuação — é literal. Ela realmente tinha um olho preguiçoso, e isso fazia parte do que a tornava única e linda para mim. A música está cheia desses pequenos detalhes reais — incluindo o nome dela, que aparece tanto na letra quanto no título.

Deixe uma observação final. Agradeço de coração pelo apoio e pela recepção calorosa à música Clotile. Saber que essa canção está chegando aos ouvintes no Brasil é algo extremamente empolgante para mim. É uma sensação maravilhosa poder me conectar com outras pessoas através da música, mesmo estando em diferentes partes do mundo.

Respostas Marshall Brooks

ON THE HUNT“DO IT LIKE THAT” – (EUA)

Qual uma das possíveis sinopses dessa canção? “DO IT LIKE THAT” é um hino híbrido trap/phonk atrevido e de alta energia, criado para pistas de dança de fim de noite. Ele mistura cortes vocais brincalhões com drops graves densos — projetado para fazer as multidões se mexerem e sorrirem ao mesmo tempo.

Em qual momento surgiu essa composição, o que a inspirou? Eu queria algo ousado e divertido para abrir minha corrida de verão — uma faixa que parecesse brincalhona e poderosa. O ritmo simplesmente veio até mim, e a frase “do it like that” ficou como o gancho perfeito. A partir daí, eu me inclinei para o contraste: construindo tensão com sons mais sombrios e phonk e, em seguida, desviando as expectativas com um drop que é um pouco descentrado e instável em vez de apenas pesado. Era para ser inesperado, mas ainda fazer sua cabeça balançar.

O que diz a letra e qual sua mensagem? Não é uma faixa lírica no sentido tradicional — é mais um canto rítmico que te incentiva a se mover, flertar ou se sentir na pista de dança. A mensagem é simples: divirta-se, ocupe espaço e não tenha medo de ir com tudo.

Em termos de sonoridade, como você descreve essa música? Ela fica em algum lugar entre o trap phonk e a música bass, com um pouco daquele swagger adjacente aos festivais. O drop é mais peculiar e cheio de bugs do que agressivo — algo que corta um set típico de dubstep pesado.

Há algo de curioso que você gostaria de destacar? É a faixa de abertura do meu próximo mix para o Echoes & Ollies, que sai em 15 de julho. Também a dei um teaser ao vivo durante meu show com os Snails no The Meadows, no Brooklyn, e meu show de abertura com o Alan Walker na ILLUM Block Party, em São Francisco — então já deu algumas voltas nos grandes sistemas. Agora que minha temporada de verão acabou, vou tocá-la novamente ao vivo ainda este mês na 00:00 Nightclub, em Nova York — curioso para ver como o público da Costa Leste vai reagir.

Respostas ON THE HUNT

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