12 de maio de 2026

CRÍTICA – “Hildebrando de Castro” por Mauricio Duarte

Hildebrando de Castro – Mauricio Duarte

 

hildebrando-de-castro-caixa-cultural-rjHildebrando de Castro nasceu em Olinda em 1957. Como toda criança, desenhava, rabiscava em bloco, em qualquer papel.  Autodidata, trabalhou como artista gráfico.  Alcançou um nível de excelência na pintura em pastel, técnica não muito usual atualmente, mas em que  Hildebrando tornou-se mestre. Visto que sua visão da história da arte não é cronológica nem progressista e que, fazer arte para ele está muito ligado ao prazer, o artista foi aperfeiçoando a técnica, explorando questões internas do seu próprio trabalho.  No final de 1999 e começo de 2000 voltou-se para a pintura à óleo, mas sem os resultados do pastel.  Até que em 2001 encontrou-se com o óleo, alcançando a mesma magnitude do trabalho com a técnica antiga. Posteriormente, passou da pintura para a produção de objetos.

O artista pinta o que o interessa e quando vê o tema esgotado, passa para outro assunto.  Sua obra é essencialmente narrativa, mas as histórias que conta não são do domínio da realidade, são antes, um mundo paralelo que Hildebrando enxerga colado ao real.

Na série Histórias Insólitas, o grande mestre retrata acidentes que desencadeiam histórias, como o tornado do Mágico de Oz, o incêndio na floresta de Bambi, um tsunami que empurra um transatlântico.  Pintadas à óleo, as peças, em dimensões mínimas, são reunidas como histórias em quadrinhos.

Em outra série, Arquitetura da Luz, o artista aborda os jogos de luz e sombra criados nos brise-solei dos prédios da cidade de Brasília.  A beleza das imagens resulta em peças de arte quase concretistas que desafiam o olhar.

Entes humanos é uma série composta por trabalhos com seres fantásticos criados pelo artista a partir de pessoas reais retratadas em cores quentes e cenários oníricos.

Em Inquieto Coração, Hildebrando enfoca vísceras cruas como se fossem símbolos; fazendo corações pulsarem, dando movimento à imagem estática.

Corpos Fragmentados evocam a nossa condição animal, sempre esquecida e negada, com braços e  pernas exangues, cortados como postas de açougue.

Já na série Infância Perversa, o artista retrata o universo infantil com humor negro, colocando a crueldade e a falsa ingenuidade dos brinquedos, grande parte, cada vez mais erotizados.

Segundo Marcus de Lontra Costa: “Hildebrando de Castro é um repórter da visualidade, um atento observador das formas e cores do mundo.  A sua capacidade técnica inegável está sempre a serviço de uma precisa e contundente análise sobre a vida e seus paradoxos, sobre os limites delicados entre o fantástico e o real; fiel ao espírito da contemporaneidade ele é um artista das frestas, das passagens, das coisas do mundo que sugerem leituras diferenciadas, verdades várias, vagas, vastas em seus mistérios, variadas interpretações (…)”

Num abrir e fechar de olhos (ou janelas?), Hildebrando de Castro nos propõe a vida entre uma euforia e uma ressaca; uma consciência de que o decadente pensamento moderno está em seu crepúsculo.  A sensação de que estamos todos sozinhos, de inquietação e do silêncio vazio está presente em sua obra e o artista reflete nosso tempo de um modo que só um criador de arte magnífico e genial poderia fazê-lo.

 

 

 

 

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