26 de agosto de 2026

O mágico que virou cantor de umbanda (por Fredi Jon)

Fredi Jon (Serenata & Cia) – Era 2001 em Guarulhos. Fredi Jon, com sua cartola clássica e o casaco príncipe de gales que usava como armadura, estava prestes a viver uma cena que nenhum truque de ilusionismo teria previsto. Fora contratado para cantar na despedida de Maria, madrinha do centro de umbanda de Marcela, que deixaria a cidade.

Chegou cedo. Ligou.
“Fredi! Que bom que veio! Mas espera um pouco. Estamos fazendo uma limpeza espiritual. Fica afastado pra não pegar energia densa, tá?”

Confuso, ele riu:
-Energia ruim? Então vou no bar tomar um escudo de cachaça… já volto!

No bar, virou atração. Crianças o apontavam: Olha o mágico com violão! Adultos pediam Tim Maia. – Canta trago essa rosa! E alguém gritou:- De qual livro você saiu?  Fredi tinha a resposta na ponta da língua pra dar a ele a aos demais mas preferiu seguir na contagem que já beirava 1.987.835.122

Fredi pensou: Será que fui contratado ou incorporado nessa história?
Enquanto isso, a chuva caía e buzinas traziam pedidos insólitos — Me dá essa flor aí, vou enterrar minha sogra! — ou uma criança implorando: Vó, não para no farol! É o Exu da encruzilhada, ele vai entrar na Brasília!
Lá dentro, silêncio poderoso. Do lado de fora, Fredi já tinha contado estrelas, pingos e até 1.987.835.123.

Por fim, Marcela chamou:
-Agora sim, pode vir.
O centro estava lotado. Amigos, filhos de santo, vizinhos, todos reunidos para homenagear Maria, mulher de sabedoria mansa e sorriso constante, raiz viva daquele espaço.

Fredi respirou, entregou a flor roxa e começou a cantar. Não escolheu melodia triste: preferiu Milton Nascimento, porque às vezes, quando faltam palavras, o sagrado canta por nós.

Então algo raro aconteceu: as pessoas se aproximaram de Maria num grande **abraço coletivo**. Um círculo de amor silencioso e potente. Choravam, cantavam, riam entre lágrimas. Não havia palco, nem plateia. Só um coração batendo junto.

No final, Fredi disse:
-Essa flor não é sua despedida. É semente, afinal você leva um pouco de todos nós contigo.

Marcela respondeu, emocionada:
– Foi lindo Fredi e certamente ela não vai se esquecer deste momento e a gente tb não

Na saída, Fredi já não sabia se era mágico, cantor ou médium em estágio probatório. Só sabia que, em certos rituais, o maior truque é ficar presente

A foto final não mostrou apenas uma homenagem, mas a revelação de que o palco aparece onde menos esperamos, e a plateia, mesmo invisível, sente cada nota do que somos.

Conheçam nossa arte da serenata pelo site – serenataecia.com.br / 11 99821-5788. Estamos em todas as redes sociais

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