16 de janeiro de 2026

O mágico que virou cantor de umbanda (por Fredi Jon)

Fredi Jon (Serenata & Cia) – Era 2001 em Guarulhos. Fredi Jon, com sua cartola clássica e o casaco príncipe de gales que usava como armadura, estava prestes a viver uma cena que nenhum truque de ilusionismo teria previsto. Fora contratado para cantar na despedida de Maria, madrinha do centro de umbanda de Marcela, que deixaria a cidade.

Chegou cedo. Ligou.
“Fredi! Que bom que veio! Mas espera um pouco. Estamos fazendo uma limpeza espiritual. Fica afastado pra não pegar energia densa, tá?”

Confuso, ele riu:
-Energia ruim? Então vou no bar tomar um escudo de cachaça… já volto!

No bar, virou atração. Crianças o apontavam: Olha o mágico com violão! Adultos pediam Tim Maia. – Canta trago essa rosa! E alguém gritou:- De qual livro você saiu?  Fredi tinha a resposta na ponta da língua pra dar a ele a aos demais mas preferiu seguir na contagem que já beirava 1.987.835.122

Fredi pensou: Será que fui contratado ou incorporado nessa história?
Enquanto isso, a chuva caía e buzinas traziam pedidos insólitos — Me dá essa flor aí, vou enterrar minha sogra! — ou uma criança implorando: Vó, não para no farol! É o Exu da encruzilhada, ele vai entrar na Brasília!
Lá dentro, silêncio poderoso. Do lado de fora, Fredi já tinha contado estrelas, pingos e até 1.987.835.123.

Por fim, Marcela chamou:
-Agora sim, pode vir.
O centro estava lotado. Amigos, filhos de santo, vizinhos, todos reunidos para homenagear Maria, mulher de sabedoria mansa e sorriso constante, raiz viva daquele espaço.

Fredi respirou, entregou a flor roxa e começou a cantar. Não escolheu melodia triste: preferiu Milton Nascimento, porque às vezes, quando faltam palavras, o sagrado canta por nós.

Então algo raro aconteceu: as pessoas se aproximaram de Maria num grande **abraço coletivo**. Um círculo de amor silencioso e potente. Choravam, cantavam, riam entre lágrimas. Não havia palco, nem plateia. Só um coração batendo junto.

No final, Fredi disse:
-Essa flor não é sua despedida. É semente, afinal você leva um pouco de todos nós contigo.

Marcela respondeu, emocionada:
– Foi lindo Fredi e certamente ela não vai se esquecer deste momento e a gente tb não

Na saída, Fredi já não sabia se era mágico, cantor ou médium em estágio probatório. Só sabia que, em certos rituais, o maior truque é ficar presente

A foto final não mostrou apenas uma homenagem, mas a revelação de que o palco aparece onde menos esperamos, e a plateia, mesmo invisível, sente cada nota do que somos.

Conheçam nossa arte da serenata pelo site – serenataecia.com.br / 11 99821-5788. Estamos em todas as redes sociais

Newsletter

As “Dancinhas de Tik Tok” são inimigas da dança profissional?

Os avanços tecnológicos e suas devidas popularizações presenciadas desde o final dos anos 1990 e início dos anos 2000 se.

LEIA MAIS

SP/RJ: Bloco dos Dubladores se manifesta contra o uso indiscriminado da inteligência artificial no enredo

O carnaval deste 2024 nas metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo também questiona o uso indiscriminado das Inteligências Artificiais.

LEIA MAIS

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua.

LEIA MAIS

Bersote é filosoficamente complexo e musicalmente indefinido em “Na Curva a Me Esperar”

A existência é pauta carimbada na música brasileira, como apontamos nesta reportagem de Jean Fronho (“Tom Zé já dizia: todo.

LEIA MAIS

CONTO: O Operário Dedicado e O Regozijo do Aposentado (Gil Silva Freires)

Seo Leocádio era o tipo de homem totalmente estável e mantivera o mesmo emprego durante toda a vida. Se haviam.

LEIA MAIS

Quem é Ariano Suassuna? (por Marcelo Romagnoli, diretor e dramaturgo da peça “Mundo Suassuna”)

Ariano Suassuna (1927-2014) nasceu na capital da Parahyba e sempre defendeu o Brasil profundo. Poderia ser em Macondo, mas foi.

LEIA MAIS

Diante do novo, “O que Pe Lu faz?”

Sucesso teen da década passada com a Restart e referência no eletrônico nacional com o duo Selva, Pe Lu agora.

LEIA MAIS

As várias versões da “Balada do Louco”

No documentário “Loki – Arnaldo Baptista” (2008), o ex-mutantes Arnaldo Baptista é definido como “a própria personificação” do eu lírico.

LEIA MAIS

Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado

O álbum “Todos os Olhos”, lançado em 1973 pelo cantor e compositor Tom Zé, traz a seguinte provocação logo em.

LEIA MAIS

Uma melodia que deixa líquida a palavra e impulsiona o despertar dos seres – crítica

Que sons tocam em seu interior? Que vozes falam em sua cabeça? Que trilha sonora explica o seu agora? Em.

LEIA MAIS