Imaginação Literária: Contos, Poemas, Crônicas e Causos

Quando o fim bate à porta, Só o amor fica

Por Fredi Jon (Grupo Serenata&Cia), abril de 2026

Essa é a história de Felipe. Mas, se você escutar com calma, talvez ela diga mais sobre a sua vida do que sobre a dele.

Seu Felipe estava com câncer em fase avançada. A vida, que a gente trata como garantida, já não fazia promessas pra ele. Enquanto muitos de nós ainda adiamos o essencial como se o tempo fosse infinito, ele já estava sendo obrigado a encarar o que realmente importa.

Foi quando Cláudia, sua filha, nos procurou. A voz carregava urgência… e amor. Não era apenas uma serenata. Era, possivelmente, um último gesto. Um “eu te amo” dito do jeito mais bonito que ela encontrou.

Era 2004. Saímos de São Paulo em trio, com um guia 4 Rodas na mão e muita vontade de chegar mas nada de GPS, nada de previsão. Só estrada, barro e incerteza. Choveu antes, muita lama, pista escorregadia e complicada.

E, sem perceber, a gente já estava vivendo uma verdade: as coisas mais importantes da vida raramente vêm pelo caminho fácil.

Demorou mas… chegamos.

Seu Felipe estava ali, perto da churrasqueira. Quieto. Um pouco distante. Como quem já estava se despedindo por dentro, mesmo ainda presente.

Começamos a tocar.

A primeira música quebrou o silêncio. A segunda começou a tocar dentro de todo mundo. Quando vimos, uma roda se formou. Trouxeram Seu Felipe pro centro. E algo aconteceu.

Ele começou a voltar.

Não o corpo, mas o brilho. O olhar. A presença.
Cada música parecia devolver um pedaço de vida que a doença tinha levado.
As pessoas cantavam, choravam, riam… e, por alguns minutos, ninguém ali estava pensando no fim.

Só no que sentia.

No final, Felipe quis falar.

Sem revolta. Sem desespero. Só verdade.

Disse que a vida estava escapando por entre os dedos… mas que aquele momento tinha feito tudo ganhar outro sentido. Que aquela demonstração de amor tinha tocado um lugar dentro dele que a dor não alcançava.

E então disse algo simples… mas impossível de esquecer:

Se fosse a hora dele, ele iria em paz.
Porque, naquele instante, teve certeza de que o amor, quando é vivido de verdade, já justifica toda uma existência.

E isso não deveria servir só como uma história bonita.

Deveria incomodar.

Porque a gente não está doente como o Seu Felipe estava… mas vive adiando o que ele entendeu a tempo.
A gente ama menos do que pode.
Fala menos do que sente.
Espera demais o que nem sabe.

Seu Felipe não ganhou mais tempo.

Mas, naquele dia… ele ganhou algo que muita gente nunca vai ter, mesmo vivendo décadas a mais: clareza sobre o que realmente importa.

O que você ainda está esperando pra viver,  antes que a vida te obrigue a entender? 

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