28 de setembro de 2026

BOSSA NOVA: Paul Fább descreve sua relação com o gênero e sua atuação no mercado internacional

Por Paul Fább para a Arte Brasileira [EXCLUSIVO]

O interesse tomou a direção da música originalmente brasileira. Tudo por causa de constantes reuniões de amigos que meus pais faziam,
sempre repletas de música ao vivo, cantada por eles.

Me lembro bem que foi a música “Lobo Bobo”, de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, que me chamou a atenção para a bossa nova. Como podia uma
música considerada “de gente velha” ser tão interessante? A partir daquele momento, eu passei a estudá-la intensamente, contrariamente a
tudo que um jovem comum da época pudesse desejar.

Depois de ter deixado a faculdade de medicina na metade, seguindo os passos de Noel Rosa, passei a trabalhar na música, como técnico de
estúdio, por muitos anos. A veia de compositor sempre esteve presente, desde o início, e já tinha inúmeras composições. Em 2005, decidi produzir meu primeiro álbum “de verdade” e a ideia sempre fora fazer músicas originais, em inglês, para tentar o mercado norte-americano. Seguir os passos de Sérgio Mendes, João Gilberto, Astrud Gilberto e Tom Jobim era meu grande objetivo.

No ano seguinte, o disco de bossa nova “Trying to Fool Destiny” estava pronto e, para minha surpresa, vendeu bastante, porém, no Japão.  Esse
sucesso gerou mais dois álbuns, desta vez, por selos japoneses nos anos de 2008 e 2010. Meu nome artístico na época era “Paulo Muniz” e
o meu primeiro disco ainda está disponível nas plataformas de música. O amor dos japoneses pela música brasileira é algo fascinante.

Por força das circunstâncias, parei de compor e me dedicar artisticamente à música por alguns anos. No entanto, em 2020, imigrei
para o Canadá, onde hoje resido e, tudo voltou, mais forte do que nunca. Há um ano, passei a me dedicar fortemente a esta minha “nova”
carreira musical e “Easy Target” é meu mais novo lançamento. Uma canção totalmente inspirada na bossa nova, que fala das incertezas do
amor.

Para quem tem ouvidos atentos, minhas músicas são bastante inspiradas nos compositores da bossa nova.  Minhas letras, progressões harmônicas e sequencias melódicas são resultado daquilo que absorvi durante todos aqueles anos de estudo. Compositores como Tom Jobim, Carlos Lyra e Roberto Menescal estão constantemente nas minhas canções. De forma inevitável, Vinicius de Moraes, Ronaldo Bôscoli e Chico Buarque me guiam na hora de escrever letras. Todos estes, creio, sempre estarão presentes, de um jeito ou de outro em cada nota ou sílaba que eu
escrever.

No entanto, um de meus maiores desafios como compositor em inglês é trazer a sonoridade rítmica e os tipos característicos de rimas da
música brasileira. A riqueza linguística do português é muito maior do que a do inglês. Embora seja uma língua de sonoridade bastante
agradável, possui muito menos possibilidades de vocabulário e rimas. É um processo de lapidação bastante delicado para se atingir o
resultado sem perder a essência brasileira.

De forma geral, no Canadá, a bossa nova não é muito conhecida. Outros países a tem de forma mais presente mas isso de nada me impede, muito
pelo contrário, apenas me estimula. Hoje sou canadense e brasileiro e esta tarefa de mostrar um lado que considero bom do Brasil, não só
para eles mas, para o mundo todo, é, não só um prazer mas minha grande missão de vida.

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