15 de dezembro de 2025

Ângela Almeida:  a metalinguagem e o ser ontológico

Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos

Cecília Meireles

1.

Ângela Almeida (Mossoró, RN, 22.06.1956) é uma das poucas artistas visuais do Rio

Ângela Almeida

Grande do Norte que sintonizou suas obras em uma vibração universal. Mesmo quando abordou temas relativos ao Nordeste, permaneceu refratária ao pitoresco e aos exageros tão afeitos a quase todos os artistas dessas terras do semiárido.

Quer dizer, recusou-se a repetir o refrão tedioso de retirantes, cangaceiros, beatos e personagens advindos da religiosidade de cunho popular, comportamentos e eventos histórico-geográficos datados. O que sucede é que acabamos compreendendo a região Nordeste como uma espécie de caricatura, ao carregar no exagero de um mundo já extinto e sem retorno em todos os seus aspectos. Cronos caminha sempre em largas passadas.

A artista preferiu buscar seus padrões estéticos em formas outras que não repetissem o que se encontrava na praça fervilhante do mundo da arte, no lugar onde se chantara seu viver. Buscou, muito mais, mergulhar quase sempre seus trabalhos em um ethos (caráter) metalinguístico. Suas inúmeras séries demonstram esse registro: a busca de se voltar sobre si mesma, sobre os pintores da História das Artes. Enfim, fez valer os domínios da pintura como seu substrato. Daí, temos um ponto de partida e a elaboração das requintadas séries que configuram sua dicção estética, cultuando sempre reflexões acerca de algo que detenha uma funcionalidade ao manchar de cores um qualquer suporte.

O que quero dizer — é óbvio que não existe funcionalidade na comarca da arte. A verdade é que arte não tem função, não serve para um uso em algo do nosso cotidiano, em algo prático, como os objetos que estão no nosso entorno. Consabido é que arte tem mesmo é um papel.

2.

Ângela Almeida

Eu não gostaria muito de me estender acerca do caráter metalinguístico de uma semiose que não é a língua natural, mas há que se pensar que as seis funções da linguagem propostas pelo linguista russo Roman Jakobson não se prendem somente à linguística, cujo objeto de estudo é a língua. O que vamos fazer é conduzir essas categorias de análise para uma outra maneira de contemplar e interpretar a realidade: a função metalinguística. Creio que é suficiente para esclarecer o que, mais à frente, falaremos sobre a pintura da nossa artista.

O primeiro exemplo é o filme Mephisto (1981), baseado em um romance de Klaus Mann, estrelado pelo impagável ator Klaus Maria Brandauer, representando Mefistófeles. Quando o filme está no fim, no desfecho, a última fala é o ator olhando para a câmera, como se estivesse conversando com a plateia, dizendo algo mais ou menos assim: “O que é que eles queriam? Eu sou apenas um ator!”. Como podemos observar, tudo sugere que não havia dois planos e duas realidades, como o cinema na tela e o público que assistia.

Essa quebra de olhar em direção aos que estavam sentados desacredita a arte do cinema como uma outra realidade construída ao apagar as luzes e as imagens reverberarem, largando cada pessoa consigo mesma. Concerne ser apenas um filme como outro qualquer. Mas também pode transmutar-se em uma epifania, na qual falésias das suas entranhas emocionais escorrem para um rio, cujo estuário é tombar sobre si, quiçá um oceano partilhado por todos. Contudo, não chega ao nível de uma revelação, de uma compreensão, de um efeito de sabedoria, de um preenchimento de uma hiância, de tantos hiatos, rumas de incompletudes. Enfim, as bodas e o embate sempre aguardados entre o eu e o mim.

O segundo exemplo é a tela A arte da pintura (1668), de Johannes Vermeer. A tela retrata um pintor diante de sua modelo, ou seja, a pintura fala da pintura (o tema, o referente). Temos aqui o clássico da metalinguagem no código pintura. O referente retrata um pintor de costas, com a tela e o cavalete, diante do seu modelo vivo: uma mulher com um livro. A cortina da esquerda parece ser proposital. O fato de a terem puxado inteira e prendido, com o objetivo de mostrar o que estava acontecendo no cômodo, acaba por funcionar como moldura. A pintura não é uma natureza-morta, tampouco o cotidiano de alguma família da realeza. O pintor preferiu, mesmo de costas, pintar uma tela que retrata seu ofício.

3.

Isso posto, podemos adentrar por Instaurando banalidades, essa bela série de Ângela Almeida, com o objetivo de analisar e interpretar — não como algo enigmático, pelo fato de não seguir uma lógica aristotélica. Mas nos deparamos com uma diferença em quantidade e qualidade, na qual não podemos remeter ao que estamos familiarizados, ao que nos cerca, embora os signos sejam facilmente reconhecidos.

Acontece que o que chamamos em linguística de eixo da seleção (paradigmático) não unge urdir uma tela composta de uma combinação (sintagmático). Falo combinação no sentido no qual fomos acostumados a encontrar na arte: o culto ao belo, à harmonia, a uma outra realidade.

Com efeito, no que concerne às cores ou aos objetos — no que alguém poderia buscar um equilíbrio estético — talvez não se depare com esse paradigma que foi, desde sempre, relacionado à arte da pintura.

O que nominamos caráter metalinguístico é quando o código se limita a falar de si, não querendo dizer outra coisa. É um código apenas falando e soprando seus signos do próprio código. É narrativa, em certo sentido (musa Calíope, “retórica”), e extremamente lírico (musa Euterpe, “a que dá prazer”). Não é uma pintura como outra qualquer. Pouco preocupada com o entorno, o que se chama de realidade, queda-se em si mesma. A pintura fala da pintura.

A pintura de Ângela Almeida assemelha-se a uma linha de continuidade que rompeu não só com a tradição, mas também com tudo que o século XX propôs como a arte de pintar, quer seja concreto ou abstrato. É como se a artista estivesse “aprendendo” a pintar, por isso os elementos que constam na tela são aleatórios, justapostos. Existe o referente (tema), mas encontra-se atrelado a uma profusão de imagens que leva o espectador a cair em uma atitude de “não sei do que se trata”.

Com efeito, é uma coisa que me faz lembrar o livro de Cecília Meireles: Ou isto ou aquilo. O certo é que reverbera uma paleta na qual se resolveu buscar um efeito estético diferente, avizinhando cores que não se “combinam”, mas, também, elementos, peças do cotidiano que foram postas juntas aleatoriamente.

Contudo, eis a marca da beleza e da ruptura: buscar um ethos de excelsa mescla a partir da justa combinação. É puro sentimento, emoção, mas não permanece só aí. A razão e a consciência do que está plasmado vigoram como se fossem vigilantes da estética, fazendo saber que se domina, com folga, as técnicas das artes visuais.

4.

Essas últimas séries trazidas à luz pela pintora muito se assemelham a uma grande narrativa acerca de episódios que dizem respeito ao seu cotidiano. Não só de dona de casa, mas também do seu contato com o trabalho, seus expedientes, tal como sua imersão no mundo da arte da cidade ou da região onde habita: o Nordeste.

Pode suceder o fenômeno de simplificar em demasia ou desvelar personagens que habitam o imaginário desses lugares, os ritos religiosos, os folguedos pertencentes a certas zonas, enfim, o que se encontra registrado no imaginário de certos lugares. O que quero dizer é que a obra de Ângela Almeida fez o contrário: vivificou tudo o que assomou das terras onde nasceu e edificou sua herdade, ao que parece ser para todo o sempre.

Está implícito, mas também deixei clara a minha posição. Quem quiser refratar o que nega o diálogo dessa obra, como uma lídima aura antenada com o que se fez ao longo da História da Arte. Pode-se levar, e falar, em qualquer espaço do planeta, expondo essa obra com zelo estético, eivado de intuição e pesquisa. Haverá de receber a chancela, ousando perguntar.

Desperta afetividades organizadas em timbres, resplandecendo narrativas, pois, afinal de contas, podemos, sem muito esforço, escandir em blocos sequenciais as múltiplas séries, para, enfim, por meio de catarse ou uma epifania, nos entregarmos ao que a arte pode proporcionar: interação através de um mergulho em nós mesmos, em nossas entranhas, em nosso imo, em pradarias nas quais habita o longe.

Contudo, há um rio com seu imenso delta e barcos ancorados para os corajosos, para os ousados, para os curiosos embarcarem e seguirem direção acima, tendo o atrevimento de manusear a razão, a sensatez, o lugar quedado em nossas mentes. Por coincidência, encontraremos as mesmas coisas manuseadas pela artista Ângela Almeida.

5.

Eis o que indigitamos de universalidade. Não precisa ir muito longe, nem pedir conselhos, nem visitas guiadas. É suficiente uma entrega de olhos acesos, queimando na frágua iluminadora da alma. Assim, posso afirmar a necessidade da luz, de um fogo que não chamusca, apenas labaredas capazes de brilhar. Desse modo, por meio do que chega como luminoso, do que se reveste da legítima arte, impregna-se o que tínhamos nas regiões abissais, que talvez não soubéssemos da existência.

Com efeito, repito: não podemos perder de vista o ethos universal dessa pintura. Seria alongar em demasia o perímetro, a extensão, lançando seus vetores para os limites de tudo o que ela não expeliu de má qualidade no decorrer da sua trajetória como artista visual. Ela se inscreve como uma das mais admiráveis, não só quanto a seu domínio do desenho, mas também das formas, da paleta de cores, edificando séries no papel ou telas de sublime consideração.

E não devemos olvidar o fato de ter sido uma exímia pesquisadora nos territórios e distritos concernentes aos artistas abrandados/entorpecidos pela dinâmica. Muitas vezes, esta é conduzida pelo discurso da ideologia, da fala autoritária das classes dominantes, que torna natural tudo o que é historicamente construído, mas nos chega ou convencionam como natural. Oxalá a vida parecesse mais com a arte do que com o que chamamos de realidade (como dizem, real concreto). Talvez assim as alvíssaras sobrepujariam as vicissitudes.

6.

O que tive como objeto para elaborar este ensaio foi ofertado pela informática, através de uma rede social de grande circulação: o Instagram. Nem por isso perdeu-se totalmente a aura que reveste a obra de arte desde sempre. Quem tiver olhos, que veja. Apure a vista sobre a tela do celular ou do monitor. Franza os olhos, buscando inquirir o que adormece de forma subliminar nas lacunas. Aproxime as entrelinhas. Assim, talvez encontre intersecções que lançarão archotes acesos, de madeira de lei.

Tudo isso me faz recordar Riobaldo e a morte de Diadorim. E que fossem campear velas ou tochas de cera, e acender altas fogueiras de boa lenha, em volta do escuro do arraial… (Grande Sertão: Veredas). Quero dizer de uma necessidade de luz, pois o imo estava tão escuro como a tisna. Por isso, evocou a feitura de uma fogueira com o intuito de iluminar o dramático escuro de uma personagem que fenece por dentro, ao constatar a morte do amigo(a), sem ter nenhum controle sobre o luto.

E quem busca pesquisar com o objetivo de organizar dados para encontrar respostas, que se contente com determinado corpus. Assim sempre sucedeu com a pesquisa, na sua ânsia de compor determinadas circunscrições formadas por elemento. Quer detenham algo em comum ou quer sejam díspares, o que vale é o pendor para aquele lado, para algo que chafurda também nas suas entranhas, ao ficar diante das obras.

E assim sempre foi: nas telas, o enigma repousa como a esfinge, hirta em seu lugar, quase apostando que ninguém vai desvendar as questões que propõe a todos os humanos. Tesa, repousa com indiferença. Contudo, há de chegar não só uma pessoa que desvendará essas imagens pertencentes à área da semiótica. Quiçá não esteja nem tão longe.

Haverá de chegar, com poucos utensílios do ofício, para desvendar muito mais o que esteja a meio caminho. É menos difícil do que aquele que ergueu e acredita na dinâmica das sintaxes sociais como se tudo fosse natural, como se tudo fosse “assim mesmo”. Na verdade, os paradigmas e sintagmas, arranjados de determinadas formas, não passam de construções, de convenções das classes abastadas com suas titulaturas.

Tais dominantes da vida social edificaram ou imperaram sem poupar nada, apenas distribuindo e conclamando a todos os sencientes a prosseguirem nas veredas, nos carrascos, nas ondulações de terrenos plenos de cactos, dizendo que esses sertões são florestas nascidas naturalmente. Em síntese, fazem valer um discurso de que o historicamente construído nunca fora delineado pelo interesse, pela valia ou pelo gosto de uma percentagem de indivíduos. Na verdade, tudo dessa retórica, dessa eloquência, não passa de um hábil jogo de construir taperas, muros, distanciando os homens uns dos outros. E assim, quem é vítima acha completamente normal habitar em sua morada no longínquo dos sertões revestidos pelas caatingas afora.

7.

O que podemos coletar no Instagram, para efeito de análise e interpretação, diz respeito a uma sucessão de séries contendo signos que, ao que parece, estão quedados em uma espécie de saudável narcisismo, na medida em que a artista usou como pauta ou pentagrama, por assim dizer, elementos bem próximos a si e a seu cotidiano.

Não precisa ir muito longe, basta prestar atenção ao que jaz nos títulos. É alguém que se compraz na sua casa, familiarizada tanto com os objetos sobre os móveis, quanto com a satisfação por ter aquele espaço, em uma espécie de cordialidade consigo mesma.

Mesmo a presença da (auto)indulgência não ficou de fora. E, em tudo que apresenta, quase sempre aleatoriamente, justapõe vasos com flores, cachorros azuis, xícaras de várias cores, pavões junto a uma cafeteira e uma xícara, móveis de toda qualidade, livros sobre livros, jumentos vermelhos, fatias de tortas em pratos de sobremesa, peixes voando. Enfim, tudo o que ocupa espaço em uma herdade, a depender do sujeito envolvido: seu requinte, seus gostos, sua simplicidade. Para um bom observador, de jeito e qualidade, esses trabalhos poderão ser motivos de crítica ou de demérito.

Vejamos os títulos das séries: Instaurando banalidades (22), Meus objetos (8), Visitando Newton Navarro (5), Galos de Maria do Santíssimo (2), Dimas Ferreira (1), Xico Santeiro (1). Bem claro o que dissemos: a coleta de dados limita-se à casa de morada e à leitura de artistas com os quais Ângela Almeida esteve sempre envolvida. Ou seja, elaborando livros e sendo curadora de exposições acerca desses indivíduos do mundo das artes visuais. É uma escolha que não renega os mais simples, os naïfs, ou aqueles ocupantes do que temos de melhor em qualidade estética, como Newton Navarro.

8.

Ângela Almeida

Assim como Salvador Dalí — que também arrumava os objetos da realidade à sua guisa e tornou-se o mais importante pintor surrealista da História da Arte — nossa pintora segue uma gramática assemelhada, na medida em que ousa justapor objetos que são ou funcionam de uma determinada maneira. Contudo, toma a liberdade de deixá-los completamente dominados pela liberdade de uma imaginação.

Quero dizer, fomos acostumados a uma lógica que perde o sentido, na medida em que os elementos contidos nas telas estão subordinados à lógica do inconsciente, a qual segue uma outra maneira de ser e estar, de representar, combinando de um jeito pleno de hiatos, lacunas ou elaborando conjuntos de elementos que juntos não fazem sentido.

Há um outro fenômeno nessa pintura. Quero falar da dimensão pictórica, do que se encontra submetido tradicionalmente ao desenho e à pintura. Por não ligar para as principais tradições dos diversos estilos históricos, mergulha em pinceladas que, muitas vezes, tornam difícil identificar o que se encontra retratado. Assim, ocorrem pinceladas pastosas.

Não me perdoaria se não pusesse aqui um exemplo do quanto essas séries têm de surrealismo. Há um trabalho que pode ser dividido em dois planos. O mais próximo da vista é uma mesa posta: em cima, um vaso de grandes flores vermelhas, uma jarra de café e suas xícaras, uma pilha de livros. Não resta dúvida: é a banalidade de uma residência de uma pessoa com seu bom gosto e requinte. Na outra metade, na parte de cima do quadro, há uma canoa com dois homens conduzindo um padre em suas vestes pretas, como costuma acontecer. Qual é a relação entre a bilateralidade do quadro? Por que estão justapostos, já que não pertencem ao mesmo lugar semântico ou nem têm relação de pertinência? Não perscrutaremos nenhuma resposta. Que fique assim.

9.

Com relação ao desenho, os elementos da tela refratam o acadêmico ou a herança do devir, que quase sempre proclama o início de uma pintura, com o intuito de imprimir marcas orientadoras. Eles aguardam os pincéis com as tintas, com as cores de uma paleta, servindo para o artista como orientação, deixando-o mais ancho, mais seguro no ato de manusear tanto o conjunto das tintas quanto as clivagens ou divisões leves, riscando o papel com um grafite.

Onde estão os contornos? Onde repousam as garatujas subjacentes às personagens ou aos objetos presentes nas gramaturas dos papéis? Por que tanta dificuldade em agrupar em uma mesma titulatura, possibilitando a interpretação de uma tela após submetê-la à análise? Para o Surrealismo da artista, o que interessa são as massas de tintas, em pinceladas fartas, problematizando de maneira arbitrária. Ela evoca, ainda mais, o inconsciente e seus habitantes nas diversas matizes do deus Hypnos (sono) e de seu filho Morpheu (sonho), que impera com seus símbolos. Assim, tudo se torna mais complexo de agrupar, com o intento de fazer saber de uma eventual alcunha de determinada tela.

10.

Ângela Almeida

Finalmente, não podemos deixar de fora — em busca de esclarecer — o que a tradição da antiga Grécia, com o surgimento e evolução da Filosofia, marcou sobre o que faz o humano a ficar diante da realidade e dos seus semelhantes.

Conduzindo-o a inquirir, através de um olhar minucioso, “o que significa ser?”. Adentra por muitas veredas e rodagens, procurando uma resposta nem sempre plausível, visto que, muitas vezes, resta “aceitar”. O ser humano dá longas passadas, auscultando uma inquietude no seu íntimo, por não conseguir se enquadrar em um discurso que organize comportamentos. Nesse sentido, ensaia, mesmo sem deter a carta final que encerra o jogo. O que quero dizer diz respeito às  equações nas quais o todo não se doa em completude e sensatez.

Não existe um resultado sem a presença de lacunas, mesmo que se esquadrinhe minuciosamente. O objeto não se entrega inteiriço. Contenta-se o indivíduo com, se podemos falar assim, uma percentagem: 50%, 30%, 10% ou nonada.

Aportamos no cais da ontologia, como era de se esperar, e nossa eloquência já denunciara o cerne dessa verve. Ou seja, o entusiasmo relativo às pessoas que não deixam impune uma obra de arte, um objeto com sua aura estética, uma interação calcada na empatia.

Com efeito, caminha-se em direção às fronteiras nas quais se indaga acerca do que caracteriza os seres e suas essencialidades, como se ousasse desvendar o que une aquilo que a dinâmica da realidade ordena em movimento — desde o que circunda o céu e as estrelas, até os gestos banais do cotidiano.

Vejamos, para encerrar, como podemos aplicar tais categorias às séries da artista visual Ângela Almeida. Na verdade, ocorreu, nessa obra, a inauguração de um mundo novo, uma nova realidade, um edifício numa tônica maior, tudo o que de ânimo a artista perpetrou ao justapor suas cores, com predominância do azul-real, do vermelho e do verde.

Ora, é muito curioso observar esse manuseio de cores que nem sempre combinam, sendo dissonantes, mas, aqui, nas séries, tudo evola-se em todos os espaços e caminha para encontrar uma outra realidade, cujo ser emana do inconsciente. Por isso, evocamos o Surrealismo — estilo de uma arte que refrata a razão e vai buscar, em outras regiões interiores mais profundas, sua gramática, sua sintaxe e sua morfologia, conduzindo-nos, por meio da livre imaginação, a encontrar, aceitar e conviver dentro de uma outra lógica.

Essa realidade é plasmada por meio de uma chusma de trabalhos, cuja essencialidade permite refletir de outra maneira, com outra lógica. O ser se transmuta. Agora sou outro.

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