5 de novembro de 2026

Clássico da música caipira solta em novos ares; conheça a versão instrumental de Clebson Ribeiro para “Vide Vida Marvada”

Em 18 de outubro, o instrumentista Clebson Ribeiro lançou sua versão de “Vide Vida Marvada”, um clássico da música caipira, gravada inicialmente por Rolando Boldrin. A versão instrumental de Clebson ultrapassa limites sem que a essência dessa canção se perca. E esse foi o motivo que me levou a entrevistá-lo.

O que você, Clebson Ribeiro, diz sobre a música “Vide Vida Marvada” e suas principais versões? Por que resolveu gravá-la?

“Vide Vida Marvada”, de Rolando Boldrin, é daquelas canções que parecem carregar uma vida inteira dentro de si. Boldrin a adotou como tema do programa Sr. Brasil e costumava dizer que ela contava a própria história. Ao longo dos anos, ganhou outras vozes, como Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho e Victor & Leo, tornando-se um dos grandes clássicos da música caipira. Minha história com ela começa nas manhãs de domingo, na mesa do café, ao lado dos meus pais, enquanto assistíamos ao programa do Rolando Boldrin. Eu gostava da melodia e ficava intrigado com a letra. Havia versos que ainda não compreendia, como aqueles que falavam em ruminar desde pequeno. Talvez não soubesse exatamente o que aquilo queria dizer, mas a música já me despertava alguma coisa. O tempo passou, mas certas melodias têm esse jeito curioso de permanecer conosco. Voltam de repente, trazendo junto a casa, a mesa do café e um pedaço de quem fomos. Por isso, ela encontrou seu lugar em “Memórias de um Pé Vermelho”, álbum que percorre as lembranças do interior e a sonoridade da viola caipira.

O que sua versão tem de especial, de diferente?

Na minha interpretação, a viola conduz a melodia, mas ganha companhia de outras paisagens sonoras. Busquei trazer elementos rítmicos, balanços e tensões harmônicas que refletem minhas influências do rock caipira e progressivo.

Como foi o processo de produção da sua versão de Vide Vida Marvada”

A produção ficou por minha conta, e convidei André Raas, na percussão, e Pedro Macedo, no baixo acústico, para as gravações realizadas em São Paulo, no estúdio de Ricardo Vignini, grande violeiro e produtor.

Há algo de curioso que você gostaria de destacar?

Uma curiosidade é que chamei outros músicos justamente para me tirar da zona de conforto. Queria que trouxessem suas próprias referências e aquilo que eu não conseguiria prever sozinho. André e Pedro fizeram isso com muita personalidade, dando à música swing, movimento e tensão. A ideia era deixar espaço para o inesperado, como acontece num encontro musical ao vivo: a gente prepara o caminho, mas nem sempre sabe aonde a música vai nos levar. E talvez esteja aí a beleza de revisitar uma canção da infância: ela continua a mesma, mas nós já somos outros.

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