26 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Considerado autoridade na Música Popular da Montanha, Bernardo do Espinhaço evidencia sua identidade em terceiro álbum de carreira

Foto: Robson de Oliveira

 

Há quase 100 anos, o alemão Hermann Hesse contou a vida de um deslocado que se denominava Lobo da Estepe, em seu livro mais clássico. Bernardo do Espinhaço igualmente é uma alma rebelde, mas não por desajuste, e sim pela liberdade. A prova é este TARDHI, terceiro disco de uma trilogia que o caracteriza como autoridade na Música Popular da Montanha, como bem foi definido por um crítico musical.

Por música da montanha não imagine que será um arranjo de sonoridades da natureza. A música de Bernardo do Espinhaço enaltece a vida de montanhista que leva – não à toa ganhou a alcunha de cantor dos montanhistas/mochileiros -, em odes à liberdade do vento sobre arranjos tão belos quanto intricados.

Você escuta muito de MPB (tradicional e contemporânea), indie rock, influências da igual liberdade que pregava o Clube da Esquina (ele possui parceria com Marcio Borges, do Clube, e já fez shows com Lô Borges). A versatilidade vem de sua capacidade de multiinstrumentista. No trabalho ele toca violão, acordeon, piano e flauta, e o enriquece com viola caipira, ukelele e o que mais couber na canção.

Seus dois discos anteriores – O ALUMBRAMENTO DE UM GUARÁ NEGRO EM UMA NOITE ESCURA e MANHÃ SÃ ficaram em diversas votações especializadas entre os melhores trabalhos de seus respectivos anos de lançamento. Este TARDHI é seu disco mais…pop.

Por pop não entenda trabalho mais comercial. As canções continuam com o mesmo apuro em arranjos e composições.

 

Abaixo, confira na íntegra uma entrevista que fizemos com o músico.

 

Para ouvir as músicas completas, clique no botão branco no lado direito e superior do quadro abaixo.

 

Segundo um crítico musical, TARDHI é autoridade na Música Popular da Montanha. Fale um pouco sobre isso.

Acho que sou o único músico que se inspira nas montanhas e no montanhismo, talvez no mundo, não tem ninguém pra questionar essa autoridade rs. Essa citação serve mais como forma de me caracterizar. Apontar aquilo que me diferencia.

 

Você expressa muita a “liberdade” nas suas músicas em TARDHI, não é?

“Liberdade” pertence ao meu universo de interesse, mas essa percepção tem sua existência condicionada no outro. Se quem me escuta sente isso na música é isso que ela é.

 

Qual a importância de você ser multi-instrumentista em TARDHI? Como foi trabalhar com esses instrumentos no álbum?

Acaba deixando a textura mais diversa, o som mais plural. Reforça a identidade também. Mas acabou acontecendo contra a minha vontade, estava procurando uma paisagem sonora mais monocromática.

 

Ainda nessa pergunta, como funcionou seu processo criativo no álbum?

Demorou muito tempo, foram quase 3 anos, algo bem atípico pra mim. Joguei muita coisa fora no meio do caminho pra estabelecer esse corpo atual.

 

Fale também da musicalidade do álbum, suas sonoridades.

Comparando com meus trabalhos anteriores é um flerte com a música pop, aquela vontade de chegar nas pessoas mesmo.

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o álbum?

Tudo que faço é quase sempre carregado de sentido, de contexto. Dá pra citar Benjamim, que fiz para o filho do casal Montanha para Todos, uma história incrível de sobrevivência e amor.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

TARDHI é um convite, uma maneira leve de oferecer um pouco desse contexto de onde venho. Montanha é um lugar dentro da gente.                    

 

(Texto de introdução da assessoria de imprensa)

 

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