21 de janeiro de 2026

[ENTREVISTA] Pseudo Banda convida várias danças em meio à letras existenciais e urgentes

(Capa do EP)

 

Seis faixa autorais e inéditas compõem “É Agora”, o EP de estreia da Pseudo Banda, formada Bea Pereira, Julia Rosa e Vinícius Árabe. O trabalho é um convite para se dançar, com a temática que explora os mais profundos mistérios humanos como os passos a se balançar. Em “É Agora”, as letras existências se misturam em meio a uma sonoridade que vai da MPB ao pop rock.

Questões importantes e inevitáveis da humanidade do passado e do presente tornam “É Agora” um assunto urgente. Os últimos quatro anos serviram de experimentos da banda, o que garantiu múltiplas visões de mundo, experiências e identidades. Assim, o EP abraça com calor as diversidades e a sensibilidade artística.

Com produção musical e mixagem de Paulo Gianini e masterização de Rodrigo Coimbra, “É Agora” é fruto de uma bem sucedida campanha de financiamento coletivo. “‘É Agora’ é um retrato do caminho que percorremos até aqui, o ponto de partida, nossa apresentação para o mundo. Em resumo, estamos apenas começando!”, sintetiza Vinícius.

 

 

O EP como um todo, pode-se dizer que é conceitual?

Bea: De certa forma sim. Apesar das músicas, às vezes, tomarem rumos bem diferentes umas das outras, todas falam sobre uma espécie de necessidade ou vontade de libertação, seja de crenças limitantes impostas pela sociedade ou construídas por nós mesmos. A gente sente que expondo esses padrões tóxicos, nós conseguimos refletir e nos curar deles, expurgando o que nos aflige para encontrar o caminho do coração.

 

 A faixa que abre o EP, com certeza pode ser interpretada de várias formas. Porém, eu a vejo como um tom irônico em relação às cobranças que a sociedades nos impõe.

Julia: Pra nós essa música tem um tom mais tragicômico. Nela, reconhecemos as pequenas grandes dificuldades da vida e cobranças da sociedade, de uma forma mais leve, otimista e com um toque de bom humor, propondo uma mudança de perspectiva sobre as adversidades da vida. Mesmo não estando tudo bem, é importante levantar a cabeça depois do tombo e seguir em frente, procurando enxergar soluções, fazendo sempre o nosso melhor.

 

Em “Ouvindo ao Mistério”, vocês pedem “Vamos falar sério, chega de mistério”. A que mistérios vocês se referem?

Vinícius: Os mistérios de que a gente fala são as questões místicas, etéreas e sobrenaturais, que estão além da nossa compreensão prática. Quando cantamos “Vamos falar sério, chega de mistério”, a ideia é de que o desconhecido estará sempre lá, mas que não precisamos nos prender a essas respostas externas para seguir o nosso caminho. As nossas escolhas e decisões não estão apenas fadadas ao acaso, nós somos os escritores da nossa história e os responsáveis por ela.

 

Se for seguir a temática das outras faixas do EP, acredito que “Sussurros” não tem nada haver com relacionamentos amorosos. Estou certo ou não?

Bea: Exato, “Sussurros” não fala sobre relacionamentos amorosos, mas sim sobre o desejo e o prazer. Pra nós essa música também fala sobre a vontade de se libertar das amarras e dos padrões que a sociedade impõe, inclusive a gente não faz distinção de gênero ou sexualidade, pois acreditamos que as pessoas são livres para explorarem o seu prazer de todas as formas, desde que haja consentimento. 

 

Para mim, “Não Me Importo” é a faixa do EP que tem a mensagem mais forte e mais atípica. Pelo o que entendi, vocês fazem uma referência ao ser humano se importar só com o que lhe fere, e no final vocês versam “Como não me importei com ninguém / Ninguém se importa comigo”. Seria essa música um “hino de união” entre todas as tribos?

Bea: Também achamos que essa é a faixa com a mensagem mais forte do EP porque mexe com um tema que é grave e contundente, a falta de empatia e alteridade. Não compusemos a música pensando em ser um hino de união, mas de reflexão. A ideia é expor e questionar o pensamento por trás do modelo, insustentável, de sociedade que tem vigorado, um sistema baseado na exploração e na segregação. Somos um organismo interligado, e todas as ações nos afetam de uma forma ou de outra, e acreditamos que a mudança começa através do reconhecimento e da empatia.

 

Na quinta faixa, o que seria o “aperto no peito clichê”?

Vinícius: “O aperto no peito clichê” é a sensação familiar de angústia, vazio e dor, que às vezes nos atravessa e acompanha ao longo dos anos. Entende? Acho que todo mundo já sentiu isso pelo menos uma vez na vida, seja em um momento de perda, no início de uma crise ou até pela necessidade de ficar sozinha.

 

A última faixa, me parece um grito de liberdade. Muito bom “É Agora” fechar o EP, fez todo sentido.

Julia: “É Agora” é uma faixa muito especial para a gente, ela reúne e resume questões essenciais para a banda, e também, de alguma forma, funciona como uma conclusão do EP. Além de visitar temas trazidos em outras músicas, “É Agora” carrega um clima de esperança e transformação. Realmente é como se fosse o nosso grito de liberdade, ou como falamos de forma carinhosa, o nosso mantra. É no presente que a mudança pode acontecer, só temos o agora.

 

Vocês têm alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) para nos contar?

Julia: No começo do projeto, eram pra ser apenas três faixas e levar quatro meses. No final, acabamos decidindo gravar seis músicas e levamos um ano e meio para desenvolver este trabalho. Esse é o nosso primeiro trabalho profissional, então foi bem desafiador no início. Tínhamos muita insegurança e às vezes não sabíamos bem que caminhos que queríamos seguir, mas sentimos que com o tempo fomos nos encontrando e entendendo melhor como queríamos realizar esse projeto. Com certeza aprendemos muito com a criação deste EP.

 

 

Fiquem à vontade para falarem algo que eu não perguntei e que vocês gostariam de ter dito.

Vinícius: Tem sido uma experiência muito rica e gratificante. Estamos muito felizes com o resultado e é muito gostoso receber comentários da galera e ver como as músicas estão ressoando por aí. Por esse ser o nosso primeiro projeto como banda, também estamos ansiosas para ver para onde ele nos levará e quais serão as linhas a seguir. Fora isso só temos a agradecer a todas as pessoas que fizeram parte desse projeto e que nos apoiaram nessa jornada.

 

 

 

 

 

César Revorêdo: história íntima da solitude

O fimlimite íntimonada é além de si mesmoponto último. Orides Fontela 1. Prelúdio Essa nova série do artista visual Cesar.

LEIA MAIS

[RESENHA] A literatura brasileira é seca, é úmida, é árida, é caudalosa.

            Desde a civilização mais antiga, a vida humana é orquestrada pelas estações do ano.  No poético livro “bíblico de.

LEIA MAIS

Da MPB a Nova MPB; Conheça Bruna Pauxis

Reprodução do instagram da artista. Presente nas plataformas digitais desde 2021, a jovem Bruna Pauxis tem nos fatores regionais influências.

LEIA MAIS

CONTO: A Falta de Sorte no Pacto de Morte (Gil Silva Freires)

Romeu amava Julieta. Não se trata da obra imortal de Willian Shakespeare, mas de uma história de amor suburbana, acontecida.

LEIA MAIS

CONTO: O Medo do Mar e O Risco de Se Banhar (Gil Silva Freires)

Adalberto morria de medo do mar, ou melhor, mantinha-se distante do mar exatamente pra não morrer. Se há quem não.

LEIA MAIS

A serenata que mudou tudo: amor, surpresas e bingo

Hoje vamos contar a história de Vânia, uma professora de música que queria homenagear seu namorado e contar uma grande.

LEIA MAIS

BINGO: O REI DAS MANHÃS – Tudo o que você precisa saber!

Lançado em 2017, é o primeiro longa do diretor Daniel Rezende (montador de “Cidade de Deus” (2002), “Tropa de Elite.

LEIA MAIS

Goreth Caldas: um sistema de metáforas (das tantas esperas)

Entre os escaravelhos e o arbustodo peito frágil existemsegredos buscando alívioatravés de sussurros. Henriqueta Lisboa 1. Goreth Caldas (Caicó, 1958), embora.

LEIA MAIS

“DO MEU LADO” – Curta de 2014 dirigido por Tarcísio Lara Puiati

Eu descobre esse cura por acaso mas recomendações do YouTube. Acredito que por conta do meu interesse em curtas metragens.

LEIA MAIS

Resenha do filme “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda”, de 1986 (por Tiago

Olá a todos! Feliz ano novo! Vida longa e prospera! Bom, a primeira obra do ano se chama “O Dia.

LEIA MAIS