25 de agosto de 2026

[ENTREVISTA] Duo Binarious voa alto nas reflexões em EP de estreia

(Capa do EP)

 

O EP de estreia do duo Binarious, é um prato cheio para a reflexão. As seis faixas do trabalho versam os sonhos, esperança, sexualidade, ciência, filosofia, além de traduzir em música suas inseguranças e fragilidades. Alinhado a isso, os versos ganham vida a partir de um som experimental, que brinca com o trip hop, o indie e o folk.

“O primeiro EP é uma forma de consolidar e dar uma cara para a gente. Apesar de ser um compacto, toda a parte conceitual não foi deixada de lado, tendo um fio condutor através das seis faixas”, reflete o brasiliense Jan Silva, parceiro musical da mineira Andressa Munizo.

Juntos, gravaram todos os instrumentos, os vocais (em parceria com Desidério de Moraes, na faixa “Passageiro”, que também assina a produção do EP com a banda). A edição, mixagem e masterização é de Ricardo Ponte.

Um lindo trampo, que merece, sem dúvidas, uma entrevista aqui no site. Confira:

 

 

Um prazer entrevistar vocês sobre este trabalho incrível. O EP como um todo, me trouxe uma primeira curiosidade: vocês falam sobre muitos assuntos, e essa variedade temática é muito boa. Parabéns!

Andressa Munizo: Obrigada! Bem, a ideia era trazer letras contemporâneas e existencialistas que tivessem um olhar atemporal sobre assuntos como ciência, filosofia, sexualidade, sonhos e fragilidades humanas, afinal estamos vivendo um momento sensível no Brasil com toda essa crise política, social e econômica.

 

Apesar disso, também é evidente que o EP é todo conceitual. Também vejo que vocês fizeram um som que reflete muito a “cara” de vocês, quem vocês são e o que pensam…

Andressa Munizo: Se uma palavra define as composições desse EP e o projeto como um todo, essa palavra é amor. Fazer música para mim é fazer com que as pessoas se sintam abraçadas e uma boa forma de fazer isso é transmitir uma mensagem forte e sincera através do nosso som.

 

Vocês dois são a banda como um todo. Tocam todos os instrumentos e fazem os vocais. Com a ajuda de Ricardo Ponte, como foram os processos de composição, produção e gravação do EP?

Andressa Munizo: O processo como um todo foi bastante experimental, não tínhamos muita certeza do que ouviríamos quando todas as ideias se juntassem no EP, deixamos tudo fluir pensando apenas em fazer o nosso melhor e passar a nossa mensagem, mas não sabíamos que tipo de complicações teríamos para concretizar todas essas ideias.

O processo de composição em conjunto nunca existiu de verdade, todas as ideias de músicas vieram individualmente de cada um e apresentadas para que o outro completasse. Algumas músicas são bastante antigas, como “Artificial”, que eu compus e fiz a primeira ideia de produção em 2014 antes de vir para Brasília e conhecer o Jan. Ele acrescentou a linha de baixo e fez algumas alterações na bateria junto com a Sand e o Ricardo, e também alguns novos timbres de sintetizadores. “Galhos” veio de uma antiga banda do Jan, ele me passou pra que eu colocasse letra, guitarra e alguns sintetizadores.

Todo o processo de composição e produção foi feito dessa maneira, alguém tinha uma ideia inicial e essa ideia ia sendo alternada entre cada um até nós dois batermos o martelo e enviasse para o Ricardo, depois eram apenas ajustes de produção e mixagem em conjunto com ideias do Ricardo. Com a produção, o Ricardo ajudou muito na finalização dos timbres e também na bateria, afinal usamos uma bateria criada por plugins de computador.

“Artificial” foi a única música que gravamos vozes, baixo e guitarra no estúdio, todas as outras foram gravadas na minha casa aqui em Brasília, utilizando os recursos mais baratos possíveis sem prejudicar a qualidade sonora, isso facilitou com que tivéssemos mais tempo e liberdade em testar as nossas ideias.

 

Um breve comentário sobre a pergunta anterior. É muito difícil achar um trabalho com tanto apelo a um instrumental que às vezes até sobressai os vocais.

Andressa Munizo: O apelo musical vem pelo fato de que ambos são produtores musicais do mesmo nível, influenciados por música experimental e estilos diversos.

 

Quero muito saber a mensagem que vocês querem passar com as faixas.

Andressa Munizo: Com certeza é uma mensagem de amor, liberdade e reflexão sobre a nossa existência.

 

Vocês tem alguma(s) história(s) ou curiosidade(s) que queiram nos contar?

Andressa Munizo: Eu sinto como se o EP inteiro fosse uma grande história sobre o que passamos desde a minha vinda a Brasília, muita gente esteve envolvida nesse processo, muita coisa aconteceu, muitas dificuldades e também aventuras. Só quem participou de perto de todo o processo e viveu todas as angústias com a gente sabe, mas estamos bastante orgulhosos e gratos por ver tudo isso sendo transformado em linguagem musical.

 

Fiquem à vontade para falar algo que eu não perguntei e que vocês gostariam de ter dito.

Andressa Munizo: Bem, gostaria de agradecer à Revista Arte Brasileira pela oportunidade e dizer que, em tempos difíceis como esse, eu me sinto bastante grata por saber que a minha arte pode contribuir de alguma forma na vida de algumas pessoas. Esse EP é totalmente feito para quem acredita no amor, liberdade e em um futuro melhor.

 

 

 

Dione Caldas: transversais no tempo e no espaço

Olhos acesos sobre o mundoo que não dorme desconhecea sua própria efígie. Henriqueta Lisboa 1.Dione Caldas nasceu em Natal (15.05.1964)..

LEIA MAIS

“Sertão Oriente”, álbum no qual é possível a música nordestina e japonesa caminharem juntas

A cultura musical brasileira e japonesa se encontram no álbum de estreia da cantora, compositora e arranjadora nipo-brasileira Regina Kinjo,.

LEIA MAIS

Pietro desce às regiões pelágicas do ser

Apesar dos sete mares e outros tantos matizes somos um. Henriqueta Lisboa 1. Malgrado as secas periódicas e as terras nem.

LEIA MAIS

Djalma Paixão: de quando a arte busca sua marca e seu número

Os domínios da luz, onde as potênciasse integram no equilíbrio de uma formaos domínios da luz, parque tranquilosobrevoado de aspiração.

LEIA MAIS

Editoras para publicar seu livro de ficção científica e fantasia

Para aqueles que amam a fantasia e a ficção científica, sejam leitores ou escritores, trago aqui três editoras brasileiras que.

LEIA MAIS

Nilson dos Santos: o registro da etnografia de um tempo extinto++++++++++++++++++++++++3

Há pouco se apagou de vezno reduto dos dicionárioscerta palavra-chave. Henriqueta Lisboa 1. Nilson dos Santos (17.06.1970) nasceu em Currais.

LEIA MAIS

Com a IA, o que sobrará da literatura?

Dá para fazer livros razoáveis com Inteligência Artificial. Há casos de autores com centenas de livros já publicados com a.

LEIA MAIS

A resistência do povo negro nas mãos do escritor Samuel da Costa

A nossa literatura brasileira vem de uma hierarquia branca, desde escritores renomados a diplomatas e nesse meio poucos escritores negros.

LEIA MAIS

O Abolicionista e escritor Cruz e Sousa

A literatura brasileira se divide em várias vertentes e dentro dela encontramos diversos escritores com personalidades diferentes e alguns até.

LEIA MAIS

Celebrações pelo mundo: eventos culturais que transformam qualquer viagem

Viajar é mais do que conhecer paisagens ou tirar fotos em pontos turísticos. É também mergulhar de cabeça na alma.

LEIA MAIS