22 de outubro de 2026

Boas reflexões sobre “Tocando em Frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira

?Miro/VEJA / Divulgação.

 Sinceramente, chega um momento na vida de todo mundo em que o pensamento sobrevoa distâncias nunca vistas. Me refiro aqui, no caso, ao pensamento sobre a própria vida, a filosofia, a arte e todas as coisas que muitas vezes estamos fadados a acreditar que não importam. Quantas vezes nos pegamos pensando sobre o quanto ainda temos para gastar até o fim do mês? Quantas vezes essa pergunta não está ligada ao dinheiro?

As provas, os dias de trabalho, as noites mal dormidas, os filhos que estão adoentados… e mesmo eu não bebendo da mesma fonte sentimentalista do otimismo moderno, gostaria de dizer que entre o corre-corre da cidade grande e a pacata vida no campo, há, no meio de cada detalhe, uma brechinha, um instante, um segundo que seja, onde o amor se esconde. Nós não estamos atentos. Às vezes, nem sabemos que devemos estar.

Esses dias, atarefado como sempre e frustrado com as situações que não deram certo, me retorci na cadeira por muitos minutos pensando no que escrever para vocês. A vida corrida não me ajudava a pensar… a não ser, é claro, sobre ela. Mal sabia que era só o que eu precisava; dessa semente viria todo o resto.

 Não é a rotina que faz mal, não são os pequenos intervalos… é a falta de sentido que se coloca neles. Uma noite mal dormida por um motivo correto, te fará descansar muito mais no futuro do que uma noite bem dormida na irresponsabilidade. Às vezes não precisamos de mais intervalos, só aprender o que fazer com eles.

 Foi com essa sacada que me lembrei de uma música. Uma obra colossal do sertanejo brasileiro. Interessante, um momento em que a correria da vida me frustrou ao ponto de me impedir de caminhar, fui surpreendido por trechos suaves ecoando dentro da minha mente. Meu coração insiste em pensar que é Deus me mandando seguir em frente.

A música, intitulada “Tocando em frente” é uma obra escrita pelos grandes compositores Almir Sater e Renato Teixeira. Nela, os artistas nos fazem acompanhar a aperreada trajetória de um eu-lírico que decide, por fim, viver um dia de cada vez. No corpo da música, brilham sinais de calmaria e paciência, além de, é claro, conselhos sobre como seguir. Levar a vida sorrindo, não desmerecer ninguém, aprender a se reconhecer e apreciar o universo ao seu redor são algumas das lições que podem ser extraídas. As dificuldades estarão presentes independentemente da situação. Isso é comum, não deve ser empecilho. Ora! A colheita se dá depois que as nuvens sangram, é preciso chuva para poder florir.

 Cada um de nós compõe a própria história e leva na mochila o poder de ser assim; de ser feliz. A lua reinará mais uma vez essa noite. O sol se levantará de novo amanhã. Durma um pouco e enfrente o que vier. Dê sentido às coisas que estão perdendo o sentido. Ande devagar, não tenha pressa e leve um sorriso nesse rosto que já chorou demais.

Para mim, a genialidade da obra não está, exclusivamente, em te aconselhar a seguir em frente, mas me mostrou que Deus está do seu lado te dando a mão para seguir contigo. Busque a realidade em cada coisa, busque o amor em cada brecha. Vá por mim, descansar não irá parecer tão cansativo.

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