12 de agosto de 2026

A “Fábula” censurada de Eduardo Gudin é revelada em seu 18º disco

Na foto: Eduardo Gudin acompanhado pelas cantoras do disco, Léla Simões e
Naila Gallotta – Crédito: Luis Villaça / Divulgação.

CENSURA ? Ontem (3), o 18º disco do músico Eduardo Gudin (@eduardogudin) chegou aos streamings. “Valsas, Choros e Canções”, álbum navegante além do mar do samba, gênero predominante no trabalho do artista, é especial, como tudo que sempre fez.

No entanto, a Arte Brasileira destaca apenas uma das treze canções, mas condicionada pelo critério contextual. Entre o pacote de inéditas, situa-se como nona faixa a reveladora “Fábula”, interpretada por Lela Simões (@lela_simoes) e Naila Gallota, companheiras do artista neste álbum.

Censurada pelos militares nos anos 1970, a canção não chegou a integrar um dos dois primeiros discos de Eduardo, assim como era planejado. Escrita por ele e Sérgio Natureza, a letra é uma paulada desgostosa para qualquer regime ditatorial e agressivo. Nela, menções nítidas sobre presos e mortos durante a ditadura, e a intenção de relembrar o ocorrido.

Essa vida sob perigo era uma constante para o compositor, que teve mais duas músicas censuradas, ambas compostas com Paulo César Pinheiro, e que, graças a inteligentes alterações, foram gravadas em 1976.

CONFIRA A LETRA NA ÍNTEGRA

Foram anos tão longos

Nós éramos tão moços

Repartindo caroços

E ossos pelos nossos

Destroços do poder

Um vício de quererver

A luz quebrando as vidraças

O sol nas praças, no ar

A voz rasgando as mordaças

Esquecer jamais

Sempre relembrar

Foram anos tão longos

E os poucos que restaram

Contaram-nos histórias

Heroicas, suicidas

Mil vidas eu morri

Amigos que perdi

São marcas na minha memória

Manchas não dão pra apagar

Mesmo com dor e sem glória

A noite passou e amanhecerá

Esquecer jamais

Sempre relembrar…

Gostou dessa pauta? Torne-se um dos nossos apoiadores e colabore com a nossa Revista.

?Fonte: matéria de Augusto Diniz @jornalistaaugustodiniz publicada no Carta Capital @cartacapital.

Damião Costa: a pintura como morada do instante

O artista Damião Costa (São Vicente, RN, 1987), desde a infância, quando os olhos se detinham nos leilões televisivos de.

LEIA MAIS

Tom Zé já dizia: todo compositor brasileiro é um complexado

O álbum “Todos os Olhos”, lançado em 1973 pelo cantor e compositor Tom Zé, traz a seguinte provocação logo em.

LEIA MAIS

O Ventania e suas ventanias – A irreverência do hippie

(Todas as imagens são reproduções de arquivos da internet) A ventania derruba árvores, derruba telhas, derruba vidas. Mas a verdade.

LEIA MAIS

Os Excluídos da Educação no Brasil

Pensando em muitos fatores relevantes no Brasil, exclusão, desigualdade social, discriminação e a privação da cidadania é que venho escrever.

LEIA MAIS

Entre a sinestesia e a sistematização, Zé Ibarra se consolida como voz de sua geração

PERFIL ⭐️ Em meio a exuberante flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Zé Ibarra comenta com fluidez e.

LEIA MAIS

Maringa Borgert guia passeio pela história, cultura e artes do Mato Grosso do Sul

O Mato Grosso do Sul é um estado independente e unidade da Federação desde o final dos anos 1970 quando.

LEIA MAIS

BEDEU – Em emocionante entrevista, a compositora Delma fala sobre o músico gaúcho

Em Porto Alegre (RS), no dia 4 de dezembro de 1946, nascia aquele que daria o ar da graça ao.

LEIA MAIS

A vida em vinil: uma reflexão filosófica sobre a jornada da existência

A vida, assim como um disco de vinil, é uma espiral contínua de experiências e aprendizados, em que cada fase.

LEIA MAIS

Celebrações pelo mundo: eventos culturais que transformam qualquer viagem

Viajar é mais do que conhecer paisagens ou tirar fotos em pontos turísticos. É também mergulhar de cabeça na alma.

LEIA MAIS

Dione Caldas: transversais no tempo e no espaço

Olhos acesos sobre o mundoo que não dorme desconhecea sua própria efígie. Henriqueta Lisboa 1.Dione Caldas nasceu em Natal (15.05.1964)..

LEIA MAIS