29 de abril de 2026

“Não tem gênero mais acessível que o Pop”, diz Luiza Nis em relação ao seu EP de estreia [ENTREVISTA]

 

Além dos limites que possivelmente o pop pode fazer em um artista, é assim que Luiza Nis pensa, e é desse jeito que a cantora e compositora fez em seu trabalho de estreia, intitulado PARNASIA. Mas não é só isso. Luiza levou seu pop até mesmo para a linguagem poética, outro marco indiscutível no repertório do EP, que foi lançado ainda em janeiro deste ano.

Com dez faixas inéditas e autorais ,que também foram produzidas por Nis, o EP é um lançamento da editora musical Sync Originals (Londres e São Paulo).

 

 

As quatro faixas do EP são em inglês. Por que decidiu usar essa língua ao invés do português?

Na verdade, não sinto que foi algo que escolhi conscientemente, nunca passou pela minha cabeça escrever músicas em Português, já tentei, mas não deu certo. Creio que vários fatores contribuíram para isso, eu ouço muito mais músicas internacionais, estudo Inglês desde nova e acabei iniciando uma faculdade de Letras – Inglês, mas acho que no fim é uma questão de paixão pela língua e pelo Pop.

 

Pouco se ouve, e já dá pra sentir sua poesia, que é uma marca registrada sua…

É engraçado, porque cantar não foi algo natural, tive que estudar e exercitar muito durante uns quatro anos para encontrar minha voz. Em relação à escrita foi quase o contrário, eu sempre me senti cobrada por ela, porque para mim é muito fácil me expressar em palavras. Desde nova sinto afinidade e facilidade em me relacionar com a linguagem poética, escrevi meu primeiro poema aos nove, depois criei um blog no qual publicava poemas e crônicas diariamente, foi assim dos meus doze aos dezesseis anos, até eu decidir que queria compor e cantar. Sempre busco inspiração artística na poesia, seja lá o que eu for criar, porque acredito que os grandes poetas fazem (ou fizeram) o que há de mais poderoso e difícil na Arte, transcendem a razão através da palavra, que é algo criado pela própria razão.

 

Nesse EP, você usou a música pop, que é uma de suas paixões. Como foi trabalhar com esse ritmo logo em seu primeiro trabalho autoral?

Por mais que o Pop seja uma grande paixão, admiro igualmente a música alternativa e também outros gêneros. Às vezes sinto que o Pop é um pouco limitador, porque você deve seguir algumas regras e fórmulas na estrutura da música e letras, mesmo que inconscientemente. É sempre “verso, refrão, verso, refrão, ponte, refrão” e o refrão tem que soar de tal maneira e o mesmo acontece com as outras partes. Ainda assim creio que gosto desse limite, porque você acaba se esforçando mais para dizer o que quer, de uma maneira que se encaixe nessa estrutura. No final das contas acredito que valha a pena, porque não tem gênero mais acessível que o Pop.

 

Ainda nessa pergunta. As quatro faixas foram compostas por você. Como isso aconteceu? Como foi seu processo criativo? Pelo o que li, esse foi um processo independente também, não é?

Sim, compus as quatro faixas. Eu sempre soube que se eu fosse fazer música escreveria minhas letras, então são letras que havia começado a escrever há quase 4 ou 5 anos e que finalizei depois que havia aprendido a produzir meus próprios beats e instrumentais.

 

Em release, você diz ter recebido críticas e feedbacks de vários lugares do mundo. Como conquistou esse reconhecimento?

Por timidez, eu nunca mostrava minhas gravações para pessoas próximas, eu postava no Soundcloud e deixava lá para quem quisesse ouvir e para quem conseguisse encontrar.  No início, pelo fato de eu apenas gravar covers de músicas mais alternativas e com um nicho de fãs bem específico, pessoas de diferentes lugares do mundo encontravam meus covers, porque não eram músicas muito famosas aqui. Em 2016 eu postei mais um desses covers e ele foi republicado pelos artistas originais que são americanos, isso fez com que pessoas de lá ouvissem meu trabalho.

 

E com o EP novo, você pretende leva-lo além do Brasil?

Quero que as coisas aconteçam de maneira natural, não pretendo vestir a camisa do anseio pela “carreira internacional”. Se tiver que acontecer, acontecerá.

 

Grata pelo interesse no projeto! <3

 

 

 

 

 

Newsletter

Clarice Lispector – Como seria nos dias atuais?

(Crônica de Brendow H. Godoi) Quem seria Clarice Lispector se nascida na década de noventa? Talvez, a pergunta mais adequada.

LEIA MAIS

As várias versões da “Balada do Louco”

No documentário “Loki – Arnaldo Baptista” (2008), o ex-mutantes Arnaldo Baptista é definido como “a própria personificação” do eu lírico.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Cambismo, um crime quase submerso (com Ednilton Farias Meira)

Três afirmações estão próximas de você: (1) talvez você já praticou o Cambismo e muito provavelmente já viu alguém praticar.

LEIA MAIS

Kelline Lima: linhas sinuosas e orgânicas como arquétipos do feminino

O  coração alegre aformoseia o rosto, mas, pela dor do coração, o espírito se abate. Provérbios, 15:13 1. Kelline Lima.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: O funcionamento de um cineclube (com Cadu Modesto e Tiago Santos Souza)

Neste episódio, Matheus Luzi investiga os cineclube, casas de cinema independentes cujo o viés comercial é, na prática e teoria,.

LEIA MAIS

JORGE BEN – Jornalista Kamille Viola lança livro sobre o emblemático disco “África Brasil”

Representante de peso da música popular brasileira, Jorge Ben é um artista que, em todos os seus segundos, valorizou sua.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Como era trabalhar na MTV? (com Perdido)

Nos anos 1990 e 2000, a MTV Brasil, emissora aberta de radiodifusão, não era nada comum para o padrão da.

LEIA MAIS

O Brasil precisa de políticas públicas multiculturais (por Leonardo Bruno da Silva)

Avançamos! Inegavelmente avançamos! Saímos de uma era de destruição da cultura popular por um governo antinacional para um momento em.

LEIA MAIS

“Quer casar comigo?” (Crônica integrante da coletânea “Poder S/A”, de Beto Ribeiro)

Todo dia era a mesma coisa. Marieta sempre esperava o engenheiro chegar. “Ele é formado!”, era o que ela sempre.

LEIA MAIS

Bossa Nova é homenageada pelo compositor islandês Ingvi Thor Kormaksson em single lançado pela banda

Islândia, 2025. É no norte europeu que ressoa a voz de uma brasileira com cidadania islandesa, Jussanam. Ela é uma.

LEIA MAIS