13 de janeiro de 2026

Quando o algoritmo pede bis e a vida desafina

Por Fredi Jon – Vivemos numa época curiosa: tudo tem aplicativo, menos paciência. A tecnologia nos dá mapas, estatísticas, predições. Só não sabe lidar quando a pergunta é simples demais: o que é sentir?

A verdade é que não estamos diante de uma guerra entre humanos e máquinas. Estamos, na real, num campeonato de quem aguenta mais notificações antes de surtar. E, por enquanto, estamos perdendo feio.

O problema do “sempre online”

Chamamos de conexão, mas o que temos é uma overdose de ruído. A vida virou um feed infinito, e cada deslize é apenas mais um scroll. Mas quem foi que decidiu que “viver” é estar permanentemente atualizado?

Parece piada, mas não é: se o mundo acabar numa terça-feira, provavelmente vai ser no meio de uma reunião no Zoom. E alguém ainda vai perguntar: “Você está no mudo?”

A arte como contra-ataque (gentil)

A arte não serve para otimizar nada. Ao contrário: ela atrapalha o cronograma, bagunça o algoritmo e nos obriga a sentir coisas que não estavam previstas na agenda. Um acorde fora do lugar pode salvar a canção. Um silêncio no meio da fala pode dizer mais que um relatório inteiro.

Enquanto a tecnologia nos dá eficiência, a arte insiste em oferecer algo escandalosamente inútil: **sentido**.

E porque a tecnologia, afinal?

Ela não é vilã. É como aquele parente tagarela do almoço de domingo: ajuda, diverte, mas às vezes a gente precisa pedir para respirar. O problema não é a máquina criar, mas nós esquecermos que ainda cabe a nós decidir o que vale criar.

Se uma IA compõe uma canção que me emociona, ótimo. Mas aí surge a pergunta: – O que faço com o tempo que sobrou?  Vejo mais uma série ou finalmente sento para ouvir a vida sem pressa e reflito sobre o que é viver?

Algumas pequenas regras de sobrevivência

Intervalo não é luxo: até os robôs reiniciam. O erro é ouro: porque a vida sem tropeço vira tutorial de YouTube.

Cochilo é sabedoria: já dizia minha avó, nenhuma ansiedade sobrevive a uma soneca bem feita.

Três perguntas para o amanhã

1. O que eu nunca deixaria ser automatizado, mesmo que pudesse?
2. Qual dor merece cuidado lento, e não solução rápida?
3. Qual música me lembra que não sou engrenagem?

Talvez a tal verdade esquecida seja esta: um mundo habitável não depende só de processadores mais rápidos, mas de corações menos apressados. Porque, se for para viver apenas como algoritmo, até os robôs vão nos achar sem graça.

Conheça nossa arte das serenatas através do site – serenataecia.com.br / 11 99821-5788

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