2 de setembro de 2026

“é uma canção que flui como as águas, trazendo a união entre MPB e espiritualidade”, Gustavito Amaral em entrevista exclusiva à ARTE BRSILEIRA sobre seu novo single, “Filha das Ondas”

Gustavito Amaral, cantor e compositor mineiro, lançou no dia 13 de agosto o single “Filha das Ondas”. A música, que é uma das faixas do novo álbum do artista, “Miração”, se define, sobretudo, como uma homenagem à Iemanjá por meio de uma “MPB orgânica, contemporânea e profundamente brasileira”, como o próprio Gustavito nos contou. Ao lado de Laura Catarina, com quem divide os vocais de “Filha das Ondas”, ele ainda nos diz palavras chaves sobre o lançamento, como “águas”, “Espiritualidade”, “Musica do mundo”, “Minas Gerais”, “Bahia”.

Se você sentiu-se interessado, preparamos uma breve entrevista com ele, esclarecendo de forma resumida as principais questões que envolvem este lançamento. Confira!

– Gustavito, em síntese, qual a melhor descrição de “Filha das Ondas”? 

Filha das Ondas é uma canção que flui como as águas, trazendo a união entre MPB e espiritualidade; música brasileira e música do mundo; Minas Gerais e Bahia. Uma canção dedicada a Iemanjá e construída com muito carinho.

– Qual a fonte de inspiração para compô-la? 

A composição é de Júlia Assis, uma excelente compositora de minha terra natal, Belo Horizonte. Eu fiz a direção musical do álbum dela, “Maya”, há 2 anos. Naquela época, eu me apaixonei pela canção; ela se tornou minha favorita de seu álbum e eu passei a incorporá-la no repertório dos meus shows. Assim, quando chegou o momento de gravar o meu novo álbum, senti que ela se encaixava perfeitamente no repertório e fiquei muito feliz quando ela autorizou a regravação.

– Musicalmente, o que você trabalhou nos arranjos e melodia de “Filha das Ondas”? 

Eu trouxe minha própria maneira de interpretar a canção, valorizando e degustando cada parte da melodia. Em alguns pontos eu estendi a melodia original, acrescentei mais repetições e fui aproveitando as diversas possibilidades que a composição apresentava.

Eu também gravei diversas camadas de vozes em estúdio na construção da faixa guia para a gravação, e essas vozes trouxeram uma marca importante do arranjo que depois foi complementado pelas duas cantoras que participam do fonograma. 

O arranjo instrumental foi construído organicamente com os músicos que participaram do álbum, e cada um deles trouxe a sua marcante contribuição. Igor Caracas com sua percussão, Fábio Sá com o baixo acústico, Elísio Fretias com as dobras de guitarra e violão, todos sob a direção de Cesar Lacerda. Os vocais da Jennifer Souza estão em segundo plano, mas trouxeram ainda mais profundidade para a sonoridade e são parte sutil e fundamental para o resultado final do arranjo, ao ressaltar determinadas dissonâncias com sua textura. A atmosfera foi cuidadosa e artesanalmente construída, gerando um resultado único.

É uma música pra ser apreciada com calma, ainda que com intensidade.

– Você divide os vocais com Laura Catarina. Como chegou até essa parceria e o que ela representa para este lançamento? 

A Laura é minha amiga e parceira há muitos anos. Já cantamos juntos ao vivo diversas vezes, e nossas vozes se complementam de uma maneira muito especial. Eu convidei-a inicialmente para fazer os backing vocais femininos do álbum, juntamente com a Jennifer Souza. Laura tem tanta familiaridade com minhas composições que tudo fluiu muito naturalmente e ela criava segundas e terceiras vozes com extrema facilidade. Quando chegou a hora de ela cantar Filha das Ondas, não resisti, senti que aquilo precisava ser mais que um backing vocal e convidei-a ali no estúdio na hora pra que fosse um feat nessa canção. Ela topou e fomos juntos criando ali ao vivo as novas camadas vocais pra se somarem ao que já era literalmente um “mar de vozes”. O trabalho de produção musical feito pelo Elísio em seguida foi precioso e conseguiu lapidar o material no processo de edição e mixagem de maneira primorosa. Ele conseguiu harmonizar todo aquele mar de vozes numa textura geral muito suave ainda que repleta de elementos.

Ainda sobre a participação da Laura, tudo fica ainda mais especial por ser a primeira vez que lançamos uma canção juntos, depois de muitos anos compartilhando nossas vozes em diversos eventos. Ela vive na Bahia atualmente e sua presença na faixa trouxe a energia que ela precisava ao homenagear Iemanjá e trazer a energia da Rainha dos Mares. Fico muito honrado e feliz em realizar esse sonho de entregar ao mundo uma obra musical em parceria com a Laura Catarina.

– A música é uma das faixas de “Miração”, seu novo álbum. O que, então, “Filha das Ondas” diz sobre este novo trabalho?

Filha das Ondas está totalmente inserida na atmosfera geral desse álbum, que fala sobre ondas sonoras, ondas vibracionais, ondas marítimas e internas. Ela dialoga com as outras faixas do álbum a partir da espiritualidade, da natureza e da cultura popular brasileira, que sempre foram minhas grandes paixões na vida. O poder da música de nos levar por vários lugares internamente, nos trazer diversas emoções e produzir sentidos existenciais. Esse trabalho tem uma maturidade musical profunda que construí ao longo de 15 anos de carreira. É meu nono álbum de estúdio e traz em sua sonoridade todo o acúmulo de experiência artística que carrego. Cada faixa convida pra uma escuta atenta e profunda, sem perder a leveza e o entusiasmo característicos da musicalidade que me atravessa. A música é um bálsamo e nessa obra cada canção é um mergulho. 

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