Já é um sucesso o nosso quadro ALÉM DA BR, focado em artistas não-brasileiros. Com o ALÉM DA BR, já divulgamos mais de três mil músicas de artistas de todas as partes do mundo. Agora, apresentamos um novo lado desta lista, no qual iremos focar somente em músicas do gênero rock e de seus subgêneros, sem limitações! Para isso, selecionaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras como foram estes processos de suas novas músicas. Vale dizer que o conteúdo produzido por eles tem exclusividade da Arte Brasileira, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.
Vamos nessa?
1st Eye Collective – “Crazy” – (EUA)
– Qual é a melhor maneira, para você, de descrever este lançamento?
“Crazy” é um hino de alt rock moderno, com guitarras agressivas, bateria pulsante e um clímax cinematográfico. Combina produção contemporânea com a pegada do rock clássico, unindo ganchos de alta energia a uma mensagem que exige atenção.
– De onde veio a composição? Você nasceu ao testemunhar como parceiros manipuladores podem devastar mulheres que me são caras. Eu queria honrar sua dor e resiliência, canalizando isso para uma música que valida suas experiências e se recusa a desviar o olhar.
– Qual é a mensagem da música? Ela confronta diretamente a exploração emocional, chamando a responsabilidade de homens que tratam a conexão com descuido. A canção defende responsabilidade, respeito aos limites e a visão da intimidade como algo sagrado, não um jogo.
– Quais aspectos musicais do universo do rock foram trabalhados na gravação? Guitarras com overdrive e texturas de fuzz, linhas de baixo sólidas, bateria orgânica com sensação de performance ao vivo, vocais focados em dinâmica e agressividade controlada, além de camadas que ampliam o impacto do refrão.
– O que este lançamento diz sobre a cultura e as artes do seu país, os EUA? Reflete a mistura e a liberdade de estilos da cena norte-americana, unindo raízes de rock e blues, energia punk, produção moderna e um forte espírito independente e faça-você-mesmo (DIY) que aproxima artistas e público.
Respostas Christopher Tolen (1st Eye Collective)
Mykel Fate – “Stuck In Your Ways” – (EUA)
– Qual é a melhor maneira, para você, de descrever este lançamento? ” Stuck in Your Ways ” é um lançamento de rock corajoso que mistura emoção crua com energia antológica. Os versos ecoam com perguntas sem respostas, enquanto o refrão atinge com força o desafio do punk rock. É uma declaração contra pessoas no poder que se recusam a mudar. Tentei equipe-la cativante, catártica e relacionável; é uma faixa feita para ser gritada ao vivo.
– De onde veio a composição? Conheci muitas pessoas ao longo da minha vida que são muito fechadas e presas em seus hábitos. Se elas estivessem abertas à mudança e ouvissem a verdade, seria melhor para elas.
– Qual é a mensagem da música? Esteja aberto à mudança e tenha a mente aberta. Trata-se de confrontar alguém que se recusa a crescer ou mudar, não importa quanto esforço você faça. É uma mistura de questionamento, frustração e, finalmente, libertação, percebendo que você não consegue carregar o peso de alguém que não está disposto a te encontrar no meio do caminho.
– Dentro do universo do rock, quais aspectos musicais foram trabalhados na gravação? Estou tentando voltar ao rock. Garanto que todas as minhas músicas tenham um solo de guitarra de rock. Muitas músicas hoje em dia não têm solos de guitarra de rock. Eu quero trazê-los de volta. Também costumo ter uma voz e uma mensagem punk rock, às quais me apego às vezes.
– Há algo curioso que seja interessante destacar? O que torna “Stuck in Your Ways” interessante é como a estrutura da música espelha sua mensagem. Os versos repetem perguntas incisivas, refletindo o ciclo de dúvida e frustração em um relacionamento estagnado, enquanto o refrão se liberta com desafio e poder. Essa mudança de vulnerabilidade para força cria uma tensão com a qual os ouvintes podem se identificar instantaneamente, e o estilo de pergunta e resposta dá uma energia viva e antológica que faz com que a mensagem seja ainda mais impactante.
Respostas Mykel Fate
Summer Bruises – “Death Disco” – (Canadá)
– Qual é a mensagem dessa música para o mundo ? A música é um aviso sobre o perigo de ser seduzido pelo desejo. O ouvinte é livre para interpretá-la como uma história fantástica, como um romance de Lovecraft, ou materialmente, como uma canção de Johnny Cash. De qualquer forma, às vezes a busca pelo prazer ou o desejo de aliviar a dor podem resultar em sofrimento inesperado.
– O que inspirou sua composição? “Death Disco” é o nosso esforço para compor uma música inspirada no som pós-punk/gótico dos anos 80. A música dessa cena tem uma qualidade sombria e romântica que queríamos emular. No fim das contas, é uma música verdadeiramente dançante que esperamos que inspire o ouvinte a se movimentar de forma livre e desinibida.
– Musicalmente, como você descreveria a música, especialmente dentro do cenário global do rock? Nostalgicamente, a música foi escrita para ser tocada no lendário clube gótico de Londres, The Batcave. Embora este lugar não exista mais, imagino que, em todo o mundo, existam muitos lugares secretos como este, nos quais este estilo musical é celebrado. Nosso sonho seria que ele fosse abraçado por esses cenários secretos. Imagino que existam lugares secretos e legais como este no Brasil.
– Conte aos leitores desta lista especial sobre o processo de produção musical deste lançamento. A música foi construída em torno da pulsação do sintetizador, implacável do começo ao fim. A bateria foi desconstruída, com cada peça gravada de forma independente, com o objetivo de criar uma bateria analógica que soasse como uma bateria eletrônica. O piano no meio foi uma ideia de última hora no estúdio, adicionando uma vibe “Hammer Horror”. Era um piano antigo que estava perfeitamente desafinado para o efeito desejado.
– E para finalizar, há algo interessante que você gostaria de destacar? Que a paz esteja com você do Brasil! O Summer Bruises é uma banda de indie rock de coração, e somos bastante positivos em geral. Embora o Death Disco explore alguns temas mais sombrios em termos de letra e música, mantemos uma abordagem excêntrica à música. No geral, temas e sons sérios ainda conseguem ser lúdicos e divertidos. Até o início!
Respostas Summer Bruises
David Laborier – “It’s Mine” – (Luxemburgo)
– Qual é a melhor sinopse deste lançamento? “It’s Mine” é um instrumental funk com guitarras avançadas que mistura grooves firmes, guitarras em camadas e uma seção de metais impactante em uma declaração rítmica e ousada. Imagine uma mistura de Vulfpeck e Prince com um toque de rock. Na sequência de “The Smoothness of You“, indicada ao HIMA, o arranjo de David com várias guitarras conduz a faixa, apoiado por baixo e bateria profundos, e toques de metais que adicionam arrogância e sustentação. Perfeita para playlists de funk, groove e instrumentais, esta faixa traz energia, musicalidade e atitude em igual medida.
– Qual é o tema e sua mensagem universal? No fundo, a música pretende lembrar o ouvinte de não esquecer a criança interior, com toda a sua ludicidade, humor inocente e curiosidade.
– Musicalmente, quais aspectos você trabalhou neste lançamento? O arranjo faz uso de extensa interação entre a guitarra e os instrumentos de sopro, mas permanece cantável apesar de sua natureza rica em riffs. Em termos de guitarra, eu estava experimentando moduladores de anel, sons de wah automático e guitarra barítono neste. Em termos de produção, o objetivo era criar uma construção constante da seção solo até o final, com uma seção final lotada, que sugerisse uma multidão dançando. Pensei em movimentos progressivos ao longo da música, tentando mantê-la divertida e agradável de ouvir.
– Por fim, peço que nos diga como você acredita que este lançamento pode ser útil ao público desta lista especial e o que ele traz de especial e inovador. Em termos de inovação, eu não estava realmente tentando reinventar a roda. O objetivo principal é proporcionar uma experiência auditiva divertida, com muitas surpresas ao longo do caminho. Espero que isso faça algumas pessoas se levantarem e sentirem vontade de dançar por alguns minutos.
Respostas David Laborier
Bedlam 1547 – “Always Ends The Same” – (EUA)
A música é uma explosão de caos com riffs selvagens e vocais ousados, criando energia, atmosfera, atitude e garra.
– Quando surgiu essa composição e o que a inspirou? Alguns anos atrás, retomei o violão, mas, por algum motivo, simplesmente não peguei a palheta. Então, um monte de riffs surgiu ao longo de algumas semanas, apenas tocando com os dedos. Um deles foi o riff de abertura do que acabou sendo ” Always Ends The Same “. Inicialmente, o refrão era o 8 do meio das mesmas partes rítmicas em um arranjo diferente. Eu estava ouvindo no estúdio e era muito padrão, quase chato. Então, eu simplesmente disse ao Jamie que o 8 do meio deveria ser o refrão, esses dois riffs são versos e a parte antiga do refrão pode servir de ponte. Saí por algumas horas, e ele editou a faixa e fez um solo de guitarra fantástico! Tão bom que abandonei a ideia de vocal para o meio. Às vezes é bom seguir o fluxo – nem sempre – mas neste caso estou muito feliz por termos optado pela abordagem espontânea.
– Qual é o tema da música, qual é a sua mensagem? Espero que sem ser um babaca, sempre que possível, gosto de escrever letras com significados complexos. Geralmente não gosto de letras didáticas do tipo “enfie goela abaixo”. Jon Foxx era o mestre das letras, na minha opinião! O ouvinte decide a história – e ela tem muitas histórias. No entanto, a aventura superficial dessas letras é sobre líderes levando pessoas à ruína. Políticos corruptos que só se importam consigo mesmos. Mentirosos sem substância ou experiência e que, francamente, não se importam com as pessoas que se deixam levar por seus encantos. A história está cheia deles. De alguma forma, sempre parecemos ser liderados por malucos e sempre termina do mesmo jeito – ruim.Outra interpretação da letra, no entanto, poderia ser o ego que todos nós construímos para nós mesmos, nossa própria vaidade e autoimportância e o lado sombrio que se esconde em algum lugar no fundo de cada um de nós. Se deixarmos que ele nos guie e cairmos em seus encantos, ele cria apenas mais um idiota que vemos no espelho. Então, talvez, como alguém disse uma vez, mereçamos os líderes que temos.
– Que aspectos musicais você trouxe para este lançamento? Acho que já toquei nesse assunto acima. Mas, para deixar claro, existem tantas bandas ótimas por aí levando o metal e o rock para novos patamares, e vários artistas fazem isso de forma fantástica em todos os tipos de afinações. Mas o Bedlam 1547 não está interessado em tentar ser mais um, e nunca poderia ser, de qualquer forma. Eu sou eu e faço o que quero fazer. Tenho que amar o que componho. Adoro punk de 76-80 e rock/metal clássico, eu misturo essas influências e então jogo um pouco de mim na mistura e vejo o que sai. A criatividade tem que ser honesta — tem que dizer a verdade — ou com certeza vai ser uma merda.
– Há algo interessante que você gostaria de destacar? Para mim, era sempre uma sensação ótima ouvir uma música e querer tocá-la de novo. Você se apaixona assim que ouve – ela simplesmente se conecta com o que você realmente é. [Lembro-me de ouvir “under my wheels” do Alice Cooper pela primeira vez… simplesmente me fez sair do meu lugar no fundo da plateia e ir direto para a frente. Lembro-me de “Run to the hills” do Iron Maiden ou “Burning by the Ruts” do Babylon ou “Tell all the People by the Doors” do StarSailor ou “misguided fool” do StarSailor.] Claro, algumas músicas crescem e muitas vezes se tornam suas favoritas, mas por enquanto o Bedlam1547 compõe músicas que te tocam de cara. Se isso acontece com alguém em algum lugar – se essa pessoa sente essa adrenalina – então trabalho feito. Obrigado, Brasil, por ouvir Bedlam 1547 !
Respostas Tony Gulvin – Bedlam 1547
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