7 de junho de 2026

Calu Manhães vive Maria Bethânia em “Gal, o Musical” e nos conta detalhes dessa experiência.

COMO FOI PRA VOCÊ OLHAR NOS OLHOS DE MARIA BETHÂNIA, INCORPORADA NA RESPONSA DE INTERPRETÁ-LA?

Pra mim foi muito especial porque, realmente, foi como uma abertura de caminho, como uma passagem. E o que ela disse pra mim, né? VITÓRIA, FORÇA, VAI!

E foi algo que eu tive muito medo, pra ser sincera. Eu não sabia como ela ia receber isso, alguém que ia interpretar ela e contar um pouco dessa história. Me deu medo também.

Mas quando ela me olhou nos olhos e ela me deu a permissão pra isso, sabe?
Com as palavras dela, com o olhar dela, com o abraço dela, isso me deu muito conforto e muita coragem mesmo para seguir e vir pra cá, viver tudo que tenho vivido até agora. Então, é muito especial, me sinto muito, muito, honrada com esse momento também.

Eu acho que ele é um momento, na verdade, chave, pra eu viver essa experiência da maneira que eu estou vivendo. Com tanto respeito, com tanta devoção e presença, sabe? que ela merece!



CONTA PRA GENTE COMO ESTÁ SENDO ESSA EXPERIÊNCIA BETHÂNICA!?

Primeiramente, eu sinto que a minha conexão com Bethânia vem a partir da Natureza. Ela é muito conectada com o Vento, com a Terra, com a Água. E eu acho que inicia aí, por eu ser da Chapada Diamantina, por ter já essa conexão também com a Terra.

Tem sido muito interessante, assim, estudar Bethânia porque, para além de algo técnico que eu tenha que interpretar enquanto atriz e trazer isso pro palco com todas as técnicas de canto também, para poder impostar na voz dela, eu sinto que Bethânia está me ensinando muito a me colocar no mundo, a ser uma mulher corajosa, a ser uma mulher forte…

E é muito bonito ver a trajetória dela. A história dela, a chegada pro Teatro Opinião, como ela repercutiu e como ela foi importante para a vida dos Doces Bárbaros e pra vida da Gal. Ela a conduziu a muitos caminhos, ao Gantois, à primeira gravação… Então, é lindo poder vivenciar essa mulher forte e potente que ela sempre foi.

Vivenciar o musical está sendo uma experiência completamente nova porque eu já estive nos palcos, né? sempre fui cantora de palco e como atriz no audiovisual. Tive poucas experiências com Teatro, mas agora estar num musical e perceber a necessidade de ser atleta da Arte, né? Perceber a necessidade de ser um corpo que tem que estar ativo durante muito tempo.

Então. está sendo um estudo muito interessante também, como cuidar do corpo, pra poder dançar e sustentar várias sessões no mesmo dia.

A convivência com o coletivo é muito bonita. A coisa de se olhar no olho, de se apoiar, de estar ali presente, confiante. Todos juntos. Muita experiência rica.

E também estar em São Paulo, que eu sei que o eixo Sul-Sudeste é o eixo que, realmente, tem o dinheiro pra Arte e isso é uma grande tristeza e é uma grande glória por estar aqui. Mas, ao mesmo tempo, pensar que a gente tem tanta gente boa no nosso Nordeste, tanta Cultura, tanta Arte e que não tem o valor que tem aqui. E tem sido muito bonito vivenciar a Arte nesse lugar de valor, de respeito, de um bom teatro, de uma boa equipe, de ser bem cuidada. Então, está sendo uma grande honra viver essa experiência.



VOCÊ SE IDENTIFICA COM A FÉ ECUMÊNICA DE BETHÂNIA?

Betha traz pra mim a sensação do sagrado, sabe? Do sagrado em todos os lugares, do sagrado ao pisar no palco, do sagrado ao se preparar para um show, do sagrado nas palavras, do sagrado pra voz, do sagrado no que dizer ao mundo, né?

Ela traz muito essa coisa da missão que é cantar. E eu sinto essa mesma coisa, desde antes, assim. Desde que comecei a cantar, eu sempre levei o meu canto e a arte de cantar como uma missão mesmo, pro coração das pessoas e pro mundo.

A partir de Betha, mais do que qualquer religião específica, o que me conecta é o sagrado das coisas, da vida. Ela está sempre rezando, sempre presente, sempre atenta a esse cuidado. Isso é uma coisa muito bonita e é algo que eu tenho levado sim pro meu camarim, que eu tenho levado pra minha cena, que eu levo pra quando eu vou me preparar pra entrar e cantar.



O QUE VOCÊ DIRIA, PULSANDO COM O CORAÇÃO QUE BOMBEIA BETHÂNIA AO FLUIDO QUE PERCORRE SEU CORPO INTEIRO, ÀS PESSOAS QUE TAMBÉM TÊM MISSÃO NOS PALCOS?

Eu diria para cada um se conectar com a sua Arte da maneira mais genuína, né?! Mais verdadeira, mesmo, possível. E que a gente sempre esteja atento ao que a gente está falando, ao que a gente está propagando, para quem a gente está falando, como a gente quer falar.

Eu acho que a consciência do fazer artístico é algo que tem muito valor, assim, porque quando a gente tem consciência dessa missão, a gente passa a tratar ela com primor, apesar das mazelas da vida artística, eu acho que esse cuidado de visualizar o fazer artístico como uma missão torna o caminho mais sagrado, eu acho que dá um norte para aquilo que a gente quer comunicar.

Então, enfim, eu acho que é seguir o coração. Eu diria, sigam os corações de vocês, estejam atentos ao que está sendo dito, ao que está sendo comunicado e que seja de verdade. Porque quando é de verdade, já está tudo certo, já comunica o que é necessário comunicar.

Crédito da foto de capa da entrevista: Marilidia Manhães

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