12 de abril de 2026

Conheça Kamila Pistori, atriz que protagonizou filmes de Oswaldo Montenegro

Filme “A Chave do Vale Encantado”, de Oswaldo Montenegro, na qual Kamila trabalhou como atriz.

Formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo e no Curso extensivo profissionalizante Casa das Artes de Laranjeiras, com formação teatral, Kamila Pistori é uma atriz brasileira que, no meio independente, fortaleceu seu nome. Apesar de jovem, já atuou em várias peças de teatro, publicidades e no cinema, no qual atuou em 4 filmes dirigidos por Oswaldo Montenegro.

São eles: “A Chave do Vale Encantado”, “Solidões” e como protagonista em “O Perfume da memória” e “Close”. Indo além, ela foi atriz em “De Sonhos e Segredos”, série também dirigida por Oswaldo.

Tal currículo nos chamou a atenção e, por isso, entrevistamos Kamila. É o que você lê a seguir.

Assista ao trailer de “O Perfume da Memória”

Matheus Luzi – Kamila, obrigado por topar essa pequena entrevista. Primeiramente, acho legal você falar um pouco de quem é Kamila Pistori, e em seguida, falar como entrou no mundo da arte.

Kamila Pistori – Acho que eu poderia me definir como uma workahooloc perfeccionista. E como ninguém é perfeito, imagine o quanto eu sofro. E o que o tempo tem me mostrado, é que metade desse “sofrimento” é inútil. Melhor poupar nossa energia para coisas que realmente exigem preocupações, não é mesmo?

Desde a adolescência, sou uma protetora daqueles que amo, o que me tornou forte.

Sou tímida socialmente e resguardada com meus sentimentos.

Sobre como entrei no mundo da arte, não houve “o momento”. Desde criança, minha brincadeira preferida era montar apresentações de teatro na varanda de minha amiga Luana, tínhamos 6 anos e ali era o nosso mundo encantado. Ou ficar ensaiando uma coreografia de dança na varanda da minha amiga Adriana. Depois, com 9, 10, 11 anos, meus professores descobriam que eu adorava teatro, e me colocavam para montar peças no colégio com meus colegas de classe. Ah… como era bom. Naquela época eu não me julgava, nem me criticava, eu só me divertia naquele auditório lotado de crianças nos assistindo. Ah… como era bom…

Depois, na adolescência, o teatro se tornou a minha válvula de escape. Com meu irmão doente, me fechei. Não contava, não desabafava com ninguém. Chegava do colégio, almoçava, pegava a minha bicicleta e ia fazer teatro com meu amigo, inteligentíssimo, Kleber Garcia. Eram horinhas preciosas, que eu podia esquecer, pelo menos um pouquinho, o que se passava lá em casa.

Aos 15 anos me mudei pra Recife e procurei logo o grupo de teatro do colégio. Ali conheci meu primeiro mestre, eterno amigo querido, Silvio Pinto. Meses depois ele me convidou para fazer a Julieta em uma peça profissional que estava dirigindo e que iria estrear num teatrão de Recife. Eu era a mascote e fui recebida com muito amor, aprendi tanto com aquelas pessoas, todas mais velhas e experientes que eu, afinal, eu tinha 16 anos.

E foi assim o começo. 

Matheus Luzi – Você é formada em Comunicação Social com habilitação em jornalismo. Há alguma relação dessa profissão com a profissão de atriz, na sua opinião?

Kamila Pistori – Fiz vestibular para Jornalismo porque, depois da minha experiência aos 16 anos em que ficamos meses em cartaz com o espetáculo, percebi que não dava para sobreviver e pagar as contas fazendo teatro. Então achei que o jornalismo poderia ser um meio termo. Eu poderia ser repórter ou algo assim e, nesse caso, acredito que o teatro pode ajudar no desprendimento, na desenvoltura, no improviso. 

(Filme O perfume da memória, de Oswaldo Montenegro, foto de Neto Favaron)

Matheus Luzi – Você participou de vários filmes do Oswaldo Montenegro. Nessa questão, tenho algumas perguntas. Aqui vai a primeira, como você entrou para o elenco dos filmes de Oswaldo?

Kamila Pistori – Lembro de ter ficado absolutamente impactada e encantada, quando assisti seu filme “Léo e Bia”. Eu chorava, ria, e no final, fui tomada por um estrangulamento na garganta com tamanho afeto que o filme transmite. Achei a direção incrível, tudo de verdade, tudo à flor da pele. Nunca tinha visto nada assim. Estilo, estética, muito original. Eu só pensava: como eu queria fazer parte desse elenco…

Na época, eu estava em cartaz com uma peça, e comecei a trabalhar como assessora de imprensa do Oswaldo. Um dia mostrei a ele um esquete dessa peça, e surgiu a ideia de filmarmos. Produzimos juntos e ele me dirigiu no quadro da telefonista (“Atendente de Solitários”), que está em seu canal do Youtube. Depois, envolto nesse tema “solidão”, ele me mostrou um texto que escreveu chamado “Solidão de Bar”, e resolvemos filmar esse curta: “Close”. Eu atuando e produzindo, ele dirigindo, fazendo a trilha sonora, editando… Aí, acredito que esse tema tomou conta da cabeça do Oswaldo, que começou a escrever textos sobre solidão, pensando em transformar essas histórias num longa-metragem que abordasse os vários tipos de solidão.  E assim nasceu o segundo filme dele, “Solidões”, que Oswaldo foi escrevendo, dirigindo e produzindo ao longo de um ano e meio. Foi assim que comecei a atuar com ele.

Matheus Luzi – A segunda pergunta seria a respeito da participação como um todo desses filmes. A relação com o elenco, a produção, e enfim, com o próprio Oswaldo Montenegro?

Kamila Pistori – Oswaldo Montenegro é um grande diretor de ator. Extrai o melhor ouro da nossa alma de intérprete. Além de instruções, nos dá segurança, confiança e nos transmite amor, acima de tudo amor pela arte. Ele é tomado por esse sentimento quando está no meio de um projeto. Qualquer um percebe isso. E, ao perceber, fica o aprendizado: não importa o que você faça, faça com muito amor.

Ele é gentil com sua equipe, disciplinado, extremamente criativo e, incontestavelmente, um líder, que sabe a direção que quer tomar e onde quer chegar. De uma força absurda, capaz de mobilizar toda uma equipe para trabalhar com o mesmo amor. Os líderes são assim, eles não só nos apontam uma direção como constroem o espírito do seu time. E aí fica tudo mais fácil, prazeroso, divertido.

Atuar com Oswaldo foi assim, um mergulho na minha criança perdida, aquela que amava brincar de arte. Hoje, só me resta abandonar o autojulgamento, aquele que a vida foi me impregnando, pra voltar a ser tudo exatamente como era naquela doce época. Oswaldo é essa criança. Livre. Um dia eu chego lá.

– E para encerrar esse assunto, qual desses filmes mais te marcou? E por quê?

O filme “O Perfume da Memória”, um marco na minha vida de atriz.

(Filme O Perfume da Memória, de Oswaldo Montenegro)

Edilson Araújo: verde que te quero verde

Verde que te quiero verde.Verde Viento. Verdes ramas.El barco sobre la mar y el caballo em la montãna. Federico García.

LEIA MAIS

Ancelmo: todas as rodagens iam em direção à arte

Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce o sol, e põe-se o sol,.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Por que o rock deixou o mainstream brasileiro? (com Dorf)

As novas gerações se assustam quando escutam que o rock já protagonizou o mainstream brasileiro. Não à toa. Atualmente, o.

LEIA MAIS

Crítica: Rui de Oliveira pelos Jardins Bodoli – de Mauricio Duarte

 Crítica: Rui de Oliveira pelos Jardins Boboli – de Mauricio Duarte   O que acontece quando um mestre da arte.

LEIA MAIS

Dione Caldas: transversais no tempo e no espaço

Olhos acesos sobre o mundoo que não dorme desconhecea sua própria efígie. Henriqueta Lisboa 1.Dione Caldas nasceu em Natal (15.05.1964)..

LEIA MAIS

Quem é Priscilla Pugliese, protagonista da premiada websérie “A Melhor Amiga da Noiva”?

Créditos: Lukkas Marques Formado em Cinema pela Faculdade Nu Espaço, Priscilla Pugliese é atriz, empresária e produtora, funções que exerce.

LEIA MAIS

Dos livros às telas de cinema

Não é de hoje que muitas histórias de livros despertam desejos cinematográficos, algumas dessas histórias ao pararem nos cinemas até.

LEIA MAIS

O disco que lançou Zé Ramalho

Zé Ramalho sempre foi esse mistério todo. Este misticismo começou a fazer sucesso no primeiro disco solo do compositor nordestino,.

LEIA MAIS

Uma nova oportunidade de conhecer a censura no Brasil

Gilberto Gil e Caetano Veloso em exílio na Europa, entre 1969 e 1972. Foto: Reprodução do site da Folha de.

LEIA MAIS

Curta a Festa Junina ao som de “Arraiá da Aydê”

A festa junina originou-se antes mesmo da Idade Média, há séculos. No Brasil, foi trazida pelos portugueses ainda no Brasil.

LEIA MAIS