21 de outubro de 2026

[INDICAMOS] Filme “Matou a Família e Foi ao Cinema”, de 1969

(Cena do filme)

O pesquisador Eduardo Cesar Soares apresenta com exclusividade na Arte Brasileira uma série de indicações sobre filmes do cinema brasileiro dos anos 1960 e 70. “A possibilidade de analisar e indicar grandes produções cinematográficas me fez rever e conhecer ainda mais filmes desse período, que atualmente é quase nula em nossa TV é também na mídia em geral”, conta Eduardo.

O período foi recheado por mudanças e grandes acontecimentos. É por isso também que o colunista acredita que “Nesse momento, houve efervescência na cultura e história no Brasil. E não poderia ser diferente no cinema. Temos grandes obras em todos os gêneros do cinema”.

 

 

SINOPSE OFICIAL

Um rapaz de classe média baixa carioca mata os pais a navalhadas e vai ao cinema ver Perdidos de Amor. Márcia, uma jovem rica e insatisfeita, aproveita uma viagem do marido para ir à casa de Petrópolis, onde recebe a visita de uma velha amiga, Regina.

Intercaladas com as cenas entre elas, que dançam, conversam sobre homens e se acariciam, aparecem pequenas histórias autônomas de assassinatos no interior de famílias pobres. Entre essas crônicas familiares, uma história destoa: a do preso político torturado até a morte.

 

https://www.youtube.com/watch?v=WiXSnz0cs58&feature=emb_title

 

A CRÍTICA

Primeiramente o filme já se destaca por ultrapassar umas das barreiras cinematográficas, por trata de um filme dentro do filme, isso gera uma estética diferenciada das demais, pois acompanha durante boa parte do filme, o ator principal assistindo o filme juntamente com o público.

No contexto geral é um filme agradável de assistir, conta com cenas de humor, tensão e características da cultura brasileira presentes nessa produção dirigida por Júlio Bressane. O filme se trata de uma dura e direta crítica a fatos cometidos no período militar brasileiro, além de ser um das obras cinematográficas pioneiras na discussão da homossexualidade no Brasil. O filme conta com cenas de violências que em muitos momentos chega a ser exagerada ao meu ver, porem não muda nada na bela estética e conjunto final do filme.

Acredito que essa produção é um divisor de águas na produção cinematográfica nos anos 60 no Brasil, até mesmo pela conjuntura social e política que vivíamos em 1969, que não possibilitava o debate e a crítica social relativa à transformação que nossa sociedade passou durante aquele momento conturbado de nossa historia.

 

 

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