7 de maio de 2026

Quando o céu decidiu esperar no guarda-roupa (por Fredi Jon)

Por Fredi Jon, do grupo Serenata&Cia (maio de 2026)

Há dias em que a vida desmonta tudo de uma vez.
E há outros, raros, em que ela, em silêncio, prepara uma resposta.
Naquele fim de tarde de maio, a casa de Regina ainda carregava janeiro. A ausência da mãe não tinha ido embora, só tinha aprendido a ficar quieta. E foi com esse silêncio nos ombros que Regina abriu a porta, trazendo Leonardo nos braços: o começo da vida… no meio de uma saudade que não acaba.
Mas o improvável já estava acontecendo.
A pedido de Humberto, pai de Leonardo e guardião daquele instante, Fredi Jon estava escondido dentro do guarda-roupa, vestido de anjo, asas recolhidas, esperando a hora certa de existir. Quem sustentava o segredo era Marisa, a empregada da casa, cúmplice silenciosa de um gesto que não podia falhar. Ela cuidou de cada detalhe como quem protege algo sagrado.
E então Regina entrou. A porta do guarda-roupa se abriu.
O violão falou primeiro.
As notas entraram na casa como quem já conhecia aquela dor.
E, sem pedir licença, começaram a reorganizar o que estava quebrado.
Canções leves, quase inocentes. Sobre começo, colo, futuro. Sobre Leonardo.
Mas, no fundo… sobre permanência.
Porque aquela serenata não era só homenagem, era uma travessia entre o que partiu e o que ficou.
Regina caiu no choro daquele tipo de emoção que desmonta e reconstrói ao mesmo tempo.
Como se, ali, alguém dissesse sem voz: “o amor não foi embora.”
Humberto permaneceu em silêncio, não por falta de palavras, mas porque sabia que algumas verdades não se dizem… se entregam.
E Leonardo, pequeno demais para entender, já começava a viver o essencial:
ser amado antes de compreender o amor.
O anjo saiu do guarda-roupa. A serenata acabou, mas o que aconteceu ali… não terminou.
Porque naquele instante, Regina não recebeu apenas uma serenata.
Ela recebeu uma resposta que a vida demora a dar: que nenhuma perda é maior do que o amor que a atravessou.
E, pela primeira vez desde janeiro, ela não sentiu falta…Sentiu presença.

Conheça a nossa arte da serenata – serenataecia.com.br / 11 99821-5788

CONTO: A ansiedade do vovô na hora que o cometa passou (Gil Silva Freires)

Seo Leonel tinha nascido em 1911, um ano depois da primeira passagem do cometa de Halley neste século vigésimo. Dessa.

LEIA MAIS

Rock Popular Brasileiro, Edson Souza?

Baião com rock foi uma investida polêmica de Raul Seixas, entre outras misturas. Apesar disso, o cantor e compositor baiano.

LEIA MAIS

Pietro desce às regiões pelágicas do ser

Apesar dos sete mares e outros tantos matizes somos um. Henriqueta Lisboa 1. Malgrado as secas periódicas e as terras nem.

LEIA MAIS

Artistas destacam e comentam álbuns de 2023 e de outros anos

Sob encomenda para a Arte Brasileira, o jornalista Daniel Pandeló Corrêa coletou e organizou comentários de onze artistas da nova.

LEIA MAIS

A conexão musical entre Portugal e Brasil, contada pela siberiana Svetlana Bakushina

Artigo escrito por Svetlana Bakushina com exclusividade para Arte BrasileiraPortugal, agosto de 2024 Nasci e cresci na Sibéria, onde a.

LEIA MAIS

Literatura: uma viagem literária (Clarisse da Costa)

Em se tratando de literatura posso dizer que ela é assim como a vida, uma caixinha de surpresas. A literatura.

LEIA MAIS

Tropicalismo: o movimento que revolucionou a arte brasileira

  A designação de Tropicália para o movimento que mudou os rumos da cultura brasileira em meados e fim dos.

LEIA MAIS

A Via Dolorosa de Iaperi Araújo

A Via Dolorosa de Iaperi Araujo Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.E nasce.

LEIA MAIS

ENTREVISTA – Conversa Ribeira e seu Brasil profundo

Três artistas de cidades interioranas, Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e acordeão) e João Paulo Amaral (viola caipira.

LEIA MAIS

VÍCIO ELEGANTE – A história de um clássico de Belchior

  “Vício Elegante” é o nome do último álbum de estúdio do nordestino Belchior, lançado em 1996, e que sem.

LEIA MAIS