10 de setembro de 2026

[ENTREVISTA] A psicodelia poética de Paulo Henrique

Paulo Henrique da Silva Pereira, nasceu em 6 de janeiro de 2003 em Mossoró, Rio Grande do Norte. Escritor desde onde se lembra, sua maior paixão pela escrita se deu no início de sua adolescência, quando buscava na arte medidas de enfrentar os baques da vida. Viveu sua infância em uma rua sem crianças, o que lhe diminuía o contato com pessoas de fora de sua própria casa. Paulo brincava sozinho, lia sozinho, sonhava sozinho – isso é, quando podia. Desde pequeno esteve diretamente atento e cuidadoso em relação aos problemas e necessidades de seus pais. Seu pai é surdo e cego de um dos olhos, sua mãe é dona de casa e ansiosa. A vida o exigiu maturidade suficiente para ser adulto desde pequeno.  

Sua preocupação com a situação de sua família e a falta de amigos de sua idade por perto seriam fatores que o colocariam à frente de seu tempo. Ele leria poesia pra se distrair, escreveria pra suportar mais um pouco. Sempre um dia de cada vez. Paulo aprendeu a aproveitar cada detalhe. Tudo isso antes dos 15 anos.

Um de seus poemas.

É verdade que a solidão é capaz de moldar até mesmo o mais forte e resistente dos homens, de fazê-lo conhecer a si mesmo, de liberar todos os seus anseios e pensamentos, e tornar seu coração um bunker apaixonado para abrigar toda simplicidade do mundo. Com Paulo não foi diferente.

Perdido em um mundo completamente hostil, encontrou na literatura o conforto necessário para gritar de peito aberto seus sentimentos, medos e angústias. Aprendeu a rechear a vida com metáforas e dar sentido às coisas constantemente tidas como irrelevantes.

Hoje, Paulo Henrique divulga seu psicodelismo poético nas redes sociais, principalmente pelo instagram com o perfil “@betelgeusehs”.

 

 

“vincent virou tinta

fez de si pintura

com seu

próprio sangue

 

o mundo perdeu as cores

e hoje é vítima

daqueles que o pintam

com sangue novamente”

(Poema “Rancor” de Paulo Henrique)

 

Nildo Morais: Com quantos anos começou a escrever? Teve algum motivo especifico?

Paulo Henrique: Comecei a escrever quando tinha uns 7 anos. Comecei a escrever pois eu sempre tive uma forma diferente de pensar e ver as coisas, muitas vezes eu acabava por não ser compreendido pelas pessoas, então passei a escrever, onde me sentia confortável e podia colocar metáforas da vida que só eu entendia, então passei a escrever sobre sentimentos, fases, o significado das coisas e “tal”.

 

Nildo Morais: Se você pudesse definir toda sua poesia em uma única palavra, qual seria?

Paulo Henrique: Melancolia.

 

Nildo Morais: Me conte um pouco sobre suas obras, como a melancolia é retratada, o impacto causado por ela nos leitores… afinal, escrever é moldar um coração a marteladas. Você dispara, todo mundo sente. Como você acha que a pancada chega?

Paulo Henrique: Eu retrato a melancolia da forma mais pura, procuro sempre não deixar faltar nada do que estou pensando nas minhas poesias, pois querendo ou não, ela é também uma válvula de escape pra mim. Quanto ao impacto nas pessoas, acho que as faz refletir sobre as coisas nem que por um curto período de tempo, às vezes peço algumas opiniões e me dizem que não compreenderam ou me pedem alguma explicação, mas nunca sei o que achar, já que sempre escrevi pra mim mesmo, e sempre tenho metáforas novas a cada vez que leio meus próprios poemas.

 

Mais um texto escrito pelo poeta.

 

Nildo Morais: Qual sua maior motivação, seu maior sonho?

Paulo Henrique: Acho que ser feliz, me desprender da materialização, da superficialidade das relações sociais, busco um dia poder olhar para o céu com os olhos cheios de poesia e sentimentos bons, viver uma boa vida e cultivar esses sentimentos.

 

Nildo Morais: Obrigado, Paulo. Você tem um espaço agora. Há algo que queira dizer, um recado para dar, um sentimento para os que, como você, trilham esse árduo caminho que é tentar ser feliz? Qualquer coisa. Seja você.

Paulo Henrique: Só tentem ao máximo ser verdadeiros consigo mesmo e com seus sentimentos. Buscar coisas que te completem e agreguem, aprendam com os erros dos outros e busquem evoluir como pessoa. Busquem ser completos de si mesmos, há muito mais poesia por aí e dentro de você, só precisa ser verdadeiro para encontrá-la.

Analice Uchôa: o vinco da arte nas dobras da realidade

Se acaso me tivessem dado o jugo e o poder de apontar a obra de um pintor naïf como um.

LEIA MAIS

“Repousa”, o R&B sensual de ÀRT e Vini Del Rio

Os cantores e compositores cariocas ÀRT e Vini Del Rio se unem no single “Repousa”, um sensual R&B. Amigos de.

LEIA MAIS

Geração com cérebro desperdiçado (Clarisse da Costa)

Se buscamos conhecimento, somos viajantes nesse vasto mundo. Mas quando deixamos o saber de lado o que somos? Em pleno.

LEIA MAIS

Filme nacional que arrecadou mais de R$ 19 milhões, “Lisbela e o Prisioneiro” foi lançado

No dia 22 de agosto de 2003, ia aos cinemas “Lisbela e o Prisioneiro”. Aposto que não sabiam, mas estavam.

LEIA MAIS

A luta da mulher e a importância de obras que contribui nessa jornada

Não tem uma receita básica, não nascemos prontas. Aprendemos com a vida. Diariamente temos que lutar para se afirmar. Porque.

LEIA MAIS

BEDEU – Em emocionante entrevista, a compositora Delma fala sobre o músico gaúcho

Em Porto Alegre (RS), no dia 4 de dezembro de 1946, nascia aquele que daria o ar da graça ao.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: Quem foi o poeta Roberto Piva (com Jhonata Lucena)

O 10º episódio do Investiga se debruça sobre vida e obra de Roberto Piva, poeta experimental que viveu intensamente a.

LEIA MAIS

“Pra não dizer que não falei das flores”, o hino contra a ditadura

  Dizer que a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré foi um hino contra.

LEIA MAIS

Além deste sertão: a pintura de Celina Bezerra

É curioso observar a trajetória da professora norte-rio-grandense Celina Bezerra. Advinda das terras quentes da região do Seridó, de antigas.

LEIA MAIS