20 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Conheça a história de Zero, protagonista do novo livro de Edmilson Felipe

Divulgação

 

A estética da existência, termo apontado por Michel Foucault no terceiro volume da obra HISTÓRIA DA SEXUALIDADE – O CUIDADO DE SI, traz como reflexão a possibilidade de criação de outros estilos de vida em resposta à reprodução de padrões e valores de uma determinada sociedade, tendo em contraponto a transformação da existência humana em obra de arte. O escritor Edmilson Felipe parte deste pressuposto para desenvolver o enredo de seu novo livro, O CIO DA SALAMANDRA NÃO SEDUZ CAMALEÕES, romance que sai pela Editora Penalux.

Na história apresentada por Edmilson, um homem solitário carrega consigo o desejo de mudança. Apelidado de Zero, este personagem vivencia, tal como um camaleão, diversas situações pelas quais novos lugares e personagens passam a fazer parte de sua história, acentuando forte interação entre passado, presente e futuro.

Os outros personagens que surgem no romance assumem formas tentadoras diante de Zero, como as mulheres com as quais ele se relaciona sexualmente. São presenças decorrentes de seus relacionamentos antigos, namoros desmanchados. Essas relações fugazes traduzem a vida em seu estado mais passageiro. Aspecto que merece atenção especial, pois representa o ponto central do livro. Ante esta questão, o escritor aponta a rota filosófica do seu enredo: “Novas subjetivações, sociabilidades e encontros. Desejos incandescentes que promovam outros níveis de vínculo com a realidade. Um cotidiano pautado por encontros e desencontros; situações-limite que induzam ao questionamento da própria vida na sua dimensão efêmera, atemporal e sobretudo artística”.

Todavia, existe alguma autenticidade entre os personagens, mesmo inseridos neste contexto tão fugaz. Zero, o protagonista, alimenta em seu íntimo o desejo de mudança. Ele que vive uma vida de padrões, trabalho, sexo, está sempre com uma ânsia que o impele a mergulhar em um oceano de acontecimentos. Libertar-se de uma vida comum é a pulsão que move a engrenagem da narrativa em torno da vida de Zero: a procura de um estilo de vida diferente em meio à transitoriedade de sua existência.

“Acredito que o livro possa contribuir para uma reflexão mais aprofundada de como todos estamos estancados num estilo de vida tão retilíneo e uniforme que não dá mais conta de ser vivido”, diz Edmilson Felipe, justificando sua proposta ficcional. “O cenário contemporâneo requer um olhar para essas mudanças, tanto comportamentais, como situacionais, em que um melhor entendimento do real possa ser analisado e superado”, finaliza.

 

SERVIÇO

 O cio da salamandra não seduz camaleões, romance –Edmilson Felipe (Editora Penalux, 2018; 120 páginas).

Preço: R$ 36,00

Link para compra:

http://editorapenalux.com.br/loja/o-cio-da-salamandra-nao-seduz-camaleoes

Como foi para você desenvolver a personalidade dos personagens do livro?

Bom, a personalidade do protagonista (Zero), assim como as outras foram pensadas e concatenadas ao contexto atual em que vivemos, ou seja, em uma sociedade que pode-se chamar do ‘instantâneo’, em que a fragmentação dos acontecimentos favorecem novas percepções e outras maneiras de lidar com as mudanças cada vez mais efêmeras e voláteis.

 

 

ENTREVISTA COM O AUTOR

 

E a estória em geral, como foi cria-la?

Foi interessante, pois me fez criar sequências não tão amarradas. A cada capítulo busco dar títulos novos e inserir outros personagens que aparecem e alimentam a trama.

 

Ainda nessa pergunta. Da onde surge o enredo da estória?

Pode-se pensar o enredo justamente nesta justaposição de acontecimentos-imagens que ao final vão se encaixando em torno de um acontecimento maior.

 

Há alguma mensagem no livro? Ainda que de forma subjetiva?

Sim, a mensagem é a de que podemos projetar nossa conduta frente ao mundo em que vivemos, o que não significa necessariamente que as coisas irão ocorrer. Contemplar a impermanência é algo necessário.

Outra mensagem é a de que não podemos nos apegar tanto aos padrões de vida que foram nos ensinados e estabelecidos ao longo dos anos e buscar, cada vez mais, espaços de experimentações de liberdade.

 

Desde de quando o livro vem sendo escrito?

Desde 2017 (1 ano e meio).

 

Tem alguma história ou curiosidade interessante que envolva o livro?

O livro pode ser lido como a continuidade do meu primeiro romance: DIAS DE ROCK AND ROLL, em que o protagonista A. Vick, um andarilho e espírito livre, ressurge e recoloca a temática da liberdade.

 

Fique à vontade para falar o que quiser.

Os dois livros podem ser pensados também como narrativas fílmicas e a grande maioria dos leitores revela esse aspecto, embora eu não tenha pensado a respeito quando escrevi.

 

 

 

 

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