1 de outubro de 2026

[ENTREVISTA] Luizza Milczanowski lança seu instigante livro de estreia

(Divulgação)

A escritora Luizza Milczanowski lançou, recentemente, seu livro de estreia pela Editora Penalux. Intitulado “O diálogo”, o romance traz uma estória um tanto diferente e, ao mesmo tempo, instigante para qualquer tipo de leitor. Para Alexandra Vieira de Almeida, Doutora em Literatura Comparada pela UERJ, “A escritora é bem jovem e já tem um domínio inventivo das técnicas narrativas, com um amadurecimento incomum para sua idade.”

O livro é dividido em cinco capítulos e, só pelo fato de não estarem intitulados, já demonstra subjetivamente o que vem por aí. Isso porque “O diálogo” traz Luizza, narrando em terceira pessoa, a personagem central (que não recebe nome) vivendo aflita as verdades que não contou ao mundo, à ninguém. Tal sofrimento vem de um abuso.

Ao longo das páginas, o interlocutor (o abusador) morre e, então, aquilo que não poderia ser digo, será que, enfim, pode será ser dito? É essa e muitas questões, entre silêncios, que está a atmosfera e a essência dessa obra.

Nós convidamos a escritora para uma entrevista. Confira a seguir!

Matheus Luzi – Quem é a pessoa e a escritora Luizza Milczanowski?

Luizza – Sou carioca e escrevo desde sempre. Gosto de experimentar a linguagem, de dançar e brincar com a palavra em diferentes formatos. Por isso digo que simplesmente escrevo prosa e poesia. A escrita e a vida não se separam em mim. Sou o que vivo e o que escrevo. A literatura é a forma que escolhi estar no mundo.

Matheus Luzi – Quais são suas referências na literatura?

Luizza – Acho que são muitas as referências que acabam se assentando de forma mais ou menos consciente na minha escrita. Mas, eu diria que minhas grandes referências conscientes são Hilda Hilst, Vladimir Nabokov e Marguerite Duras.

Matheus Luzi – Como surgiu o livro?

Luizza – Há muitos anos eu queria escrever algo em torno dessa personagem, que sempre aparecia nos meus textos. Os outros elementos foram surgindo aos poucos, até que tive de escrever um projeto e a essência do livro surgiu. Tudo já estava ali, sem que eu soubesse.

Matheus Luzi – Qual a estória do romance?

Luizza – O Diálogo fala sobre uma mulher que guardou, por muito tempo, a verdade dentro de si. Com a morte do seu abusador, ela finalmente se sente livre para dizer, para romper o silêncio.

Matheus Luzi – Como foi seu processo criativo? Em quanto tempo o livro foi escrito?

Luizza – Foi um livro demorado, que me exigiu muito emocionalmente. Demorei cerca de dois anos para escrevê-lo. Eu planejo aquilo que é necessário para continuar, que preciso como fio condutor, e de resto me permito ser livre.

(Divulgação)

Matheus Luzi – Como você define, resumidamente, este lançamento?

Luizza – Foi um momento muito importante para mim, já que é o primeiro livro que dou ao mundo. Foi também uma bonita surpresa, ainda mais porque já estávamos em isolamento social e eu não sabia o que esperar.

Matheus Luzi – O que o público pode esperar deste livro?

Luizza – Um livro que fala sobre silenciamento, abuso, morte, memória e esquecimento. Um livro feito de dentro, do que é ser um indivíduo no mundo, com suas contradições e complexidades, e dessa relação com o meio social. Um livro que faz, como a memória, um movimento, indo para trás e para frente.

Matheus Luzi – No livro há alguma “moral da estória”?

Luizza – Não penso ou acredito muito nessa ideia de moral da estória. Uma obra de arte é sempre um incompleto. O autor só dá aquilo que é necessário para que o leitor tenha suas próprias ideias, questionamentos e reflexões. O leitor é essencial para completar os sentidos de um livro.

Matheus Luzi – Você tem alguma história ou curiosidade interessante para nos contar sobre este livro?

Luizza – É um livro repleto de referências, mais ou menos evidentes. Eu adoro referências. Jogar pistas e dicas no que escrevo, para brincar com o leitor, e porque levo comigo essas experiências de leitura, da cultura, da vida.

Matheus Luzi – Fique à vontade para falar o que quiser.

Luizza – se eu pudesse dizer alguma coisa, seria: leiam os contemporâneos. Aproveitem os autores enquanto eles ainda estão vivos, pulsantes.

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