21 de abril de 2026

COMO NASCEM AS CANÇÕES? (lista de lançamentos, p.3)

Já é um sucesso o nosso quadro LUPA NA CANÇÃO, focado em lançamentos nacionais de artistas emergentes. Já são dezenas de edições publicadas, e, agora, apresentamos um novo lado desta ideia, no qual iremos focar no processo criativo. Para isso, apresentaremos sempre cinco artistas, que irão contar com suas próprias palavras como nasceram suas canções, seus novos lançamentos. Vale dizer que o conteúdo produzido por eles tem exclusividade da Arte Brasileira, escrito sob encomenda. A sequência foi escolhida via sorteio, ou seja, não há “melhores e piores”.

Helen Ailith“Sanções e Falhas”

A fagulha para “Sanções e Falhas” do álbum “Meu Mundo em Colapso” nasceu durante uma madrugada navegando por manchetes sobre tarifas, sanções e a pressão que isso vem causando aos blocos econômicos e países individualmente, principalmente porque estava no meio de uma mudança entre Balboa (Dólar) e o Euro, e em parte até reais brasileiros. Enquanto Trump gritava suas tarifas para todos, em números astronômicos e depois remodelava esses números, e logo a rápida retaliação chinesa, sinto que o mundo está trocando de donos, e novos blocos ganharam poder, e um deles a união do BRICS no qual Brasil é parte importante, o que conflita parcialmente em ser grande player no ocidente. E é interessante como isso acontece num palco digital, envolvendo Musk como algum tipo de Co-presidente, é um momento interessante na história. Aquela sequência de “Trump subiu tarifa, e o leste inflamou / A China devolveu, o dólar vacilou” surgiu como um estalo: a ideia de traduzir o jogo
da geopolítica em verso e batida seca, em vocal direto para espelhar o choque financeiro que reverbera nas camadas do mercado, atingindo seus participantes de forma inesperada, no meu caso perdi uma quantia relevante.

Na construção da letra, quis explorar a geopolítica de maneira facilitada, com analogia de um jogo mesmo, como um tabuleiro de xadrez em que as peças têm poder, mas nenhuma garante vitória. Usei metáforas fáceis, como “moeda escorrega, ouro sobe na pressa”, para mostrar que, quando o dólar (FIAT) vacila obrigando a nação a imprimir mais, o ouro sobe, assim como o bitcoin e outras reservas de valor paralelas, nisso tudo treme: fábricas, mercados, até as esperanças de estabilidade, dependendo em que mercados apostou, sua vida é bastante impactada. A escolha de usar Helen Ailith como uma personagem carregando esse tópico, rima bastante com o momento de um novo poder relevante chegando, o qual afeta a segurança nacional dos países e economia do planeta, que é a tecnologia da inteligência artificial, um convite a sentir as tensões invisíveis que afetam o nosso dia a dia, mas também nações estado. Durante o processo criativo, recorri à musicalidade e concisão afiada do Tim Minchin, o qual
aprecio muito, dado os tópicos que decide tocar, e transformar em música. Queria conteúdo atual e importante para mim, mas com ganchos melódicos confortáveis de se consumir. A batida grave para simular o peso de um dado geopolítico caindo no tabuleiro. Porque afinal tem
muitas camadas de jogos políticos acontecendo, e quem tá no campo sente a pressão em medidas muito diferentes.

Escrever essas linhas foi também um exercício de reflexão: lembrar que, por trás de cada notícia de cliques com ADs, existem vidas afetadas, na escala dos milhões, civis, pessoas de verdade, com medos e sonhos, que só querem paz. Por isso há referências à Ucrânia e à Rússia, não só como atores estatais, mas como cenários humanos, imersos no campo de batalha que ressoa em escala global, mas com a velocidade da atenção de hoje, é como se eles fossem “notícia velha” dado o contexto “Israel e Palestina”. A letra virou um convite para enxergar a geopolítica como uma dança trágica, onde cada movimento altera o ritmo da vida de milhões de pessoas reais.

A mistura final foi um jogo de contrastes: o seco da percussão com vocais diretos de uma personagem, o peso das palavras esperançosas contra golpes rítmicos. Quando a última batida se apaga, “Fim da partida… ou nova era?” fica a provocação: entendemos o silêncio antes da
guerra, ou já mergulhamos no próximo lance sem nem perceber? Fala sobre atenção, sobre política, economia e pessoas. Além de blocos econômicos e trocas de poder. O euro cresceu com pressão no dólar nos últimos meses uma diferença de uns 15%, BRICS cresce forte,
nesse lugar Brasil é uma aliado da Rússia, assim como a China, porém não militares, mas econômicos, e a principal arma americana é sua própria moeda, o dólar, é utilizado como sanção e, surpreende ver a resistência russa. Enquanto o Brasil potencializa PIX atrapalhando
VISA e Mastercard. O que acaba sendo positivo para China, como player galgando rumo a nação mais poderosa do planeta. Todo esse contexto me instiga e inspira a essa e outras canções.

Comentário de Border Less (Helen Ailith)

Mathias Baddo“Love Is on Your Way”

Da janela do meu quarto, hoje, posso olhar para o quarto onde escrevi essa canção, há cerca de 24 anos atrás. E, em 2024, voltei a ela para escrever um refrão, como sugerido por um amigo, em 2018. Algo que ocorreu de forma fluída, simples, rápida e incomum, pois escrevi a letra depois, o inverso do que costumo fazer.

“Love Is On Your Way” surgiu de um cenário imaginado, porém, bastante comum na vida. Na minha vida, também: mudanças.

Quando chegamos em um lugar novo, sem amigos, sem nada familiar, eventualmente, encontramos um sorriso acolhedor. Muitas vezes, é justamente em um novo lugar que nos encontramos! Uma nova escola, um novo trabalho, novas amizades, novos amores!

O amor está no seu caminho! Para isso, é preciso ir em frente, trilhar um caminho, vários caminhos, errando e acertando, tentando… vivendo! “Love Is On Your Way” é um retrato da vida acontecendo, com uma boa dose de esperança e uma grata sensação de autorrealização.

Cabe citar a colaboração muito especial do músico, amigo e professor Adriano Maciel na definição da melodia que embasou todo o desenvolvimento da canção.

Comentário de Mathias Baddo

Caio Bars“Corações Imaginários”

Ela desenha corações imaginários no meu corpo” é a frase que abre a canção. Pode parecer uma construção poética, uma metáfora, mas é um acontecimento real, assim como toda a letra da música. Eu a fiz para dar de presente de aniversário para minha companheira. Foi só anos mais tarde que a canção entrou para o repertório do meu primeiro álbum e acabou dando nome a ele. Assim, “Corações Imaginários” ganhou um significado ainda mais abrangente, englobando toda a coleção de canções que compõem o disco. Do projeto, foi a única música que ganhou um videoclipe (e não um visualizer); uma animação que conta a história de amor entre Coração e Imaginação, com direito a troca de fitas K7 e o Spotify como vilão da trama. Esse clipe é a produção que encerra o ciclo de lançamentos relativos ao álbum, que durou 12 meses e contou também com a Mixtape K7 digital, 12 singles e 11 visualizers.

Comentário de Caio Bars

Ina Magdala“Cabe Quem Quiser”

“Cabe Quem Quiser” nasceu de uma inquietação íntima: como traduzir em música a ideia de liberdade real, aquela que não se limita a um ideal romântico, mas que exige escolhas conscientes, riscos e entrega? A composição surgiu em um processo visceral, entre ensaios e
conversas sobre o que significa ser livre em meio às contradições da vida.

A canção é o encontro entre groove e poesia. Enquanto a base instrumental traz um balanço dançante — atravessado por ecos de baião e do funk/groove americano —, a letra se constrói como um manifesto íntimo: um convite para que cada um se reconheça nas próprias escolhas, mesmo quando elas envolvem dor e incerteza.

No estúdio, a faixa foi construída em camadas, com cada instrumento gravado em diálogo com as demais partes para preservar a sensação de performance coletiva. Renato Neto (teclados), Marco da Costa (bateria), Fabio Sá (baixo), Conrado Goys (guitarras/violão), Felipe Roseno
(percussão) e Paulo Viveiro (trompete) deram corpo ao groove e às texturas da canção. A engenharia de gravação e mixagem é de Luis Paulo Serafim, que assegurou unidade e intensidade à sonoridade.

O processo de escrita também foi um exercício de espelho: olhar para dentro, revisitar experiências e transformá-las em letra e melodia que pudessem abraçar outras vivências. A canção equilibra fragilidade e potência, refletindo a consciência de que ser livre é definir o que
importa.

Assim, “Cabe Quem Quiser” se firmou como a faixa que dá nome ao álbum e sintetiza sua essência. Mais do que uma música, é uma declaração artística: a de que a liberdade cabe a quem ousa se permitir.

Comentário de Ina Magdala

Martin Leopold Piribauer“Esses Olhos”

Senti que muitas mulheres estavam na mesma situação quando escrevi essa música na praia de Ilhéus. Muitas mulheres não têm coragem de expressar seus sentimentos. Tenho certeza de que muitas mulheres tiveram pensamentos semelhantes aos descritos na música. E acredite, os olhos são o mais importante.

Comentário de Martin Leopold Piribauer

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