17 de agosto de 2026

Em meio ao desenrolar da COP30, artistas se unem em “AMASSUNU”, uma canção pela ancestralidade indígena e pela selva

“Amassunu” (ou “ruído das águas”, em tupi) não é apenas o novo lançamento do artista, ator e diretor Venusto; é um manifesto. Chegando às plataformas digitais em 20 de novembro de 2025, a obra se coloca no centro do debate cultural e ambiental ao ser lançada dentro do período da COP30 em Belém do Pará. 

Aos 40 anos, Venusto consolida sua trajetória das Artes Cênicas para o som, entregando um EP que transcende o formato de trilha sonora. O trabalho é um convite à escuta que o artista define como um “movimento vital de retorno à origem”. 

Amassunu é um tratado; um acordo com o tempo, com a natureza e principalmente com o próprio corpo. O EP une uma sequência de canções sensoriais que transmitem, com singularidade, a essência da vida humana. 

Longe de celebrar as memórias como simples nostalgia, cada música visa conectar o ouvinte ao seu eu criança, sua comunidade, sua cultura, e, principalmente, à vida como ela é. Amassunu é um brinde à vida, à floresta, à lembrança e ao “eu menino” que espera ansiosamente pela felicidade comprada na volta. 

Ao lado de Clara Potiguara e Thais Kokama, Venusto celebra a ancestralidade indígena, as canções populares, o ativismo ambiental e a presença dos povos originários no cenário cultural brasileiro. Em Amassunu, a música é o território e a memória é o alimento. 

Na penúltima faixa, Junto do duo experimental Pym Pym, Venusto embarca em uma travessia sonora que conecta o Cerrado à Amazônia. A canção é um rito poético de união entre corpo, água e afeto: nasce das primeiras gotas que rompem o solo seco e seguem o curso das águas rumo à floresta, como metáfora do amor e do renascimento.  

O disco se equilibra entre o carimbó e o canto ritual indígena que convida ao recolhimento. De um lado, o ritmo dançante, do outro, a contemplação do sublime e do sagrado. Suas canções visam celebrar a união entre o humano e o natural: Amassunu surge como um grito que ecoa a importância da natureza em um mundo completamente cercado por uma selva de pedra. 

Faixa a faixa na voz do artista

Em “Beira do Rio”, o convite é ao silêncio e à presença: é o instante de colocar os pés na água e respirar fundo. Nessa canção, o tempo desacelera e a natureza fala, conduzindo o ouvinte a um estado de contemplação e escuta interior. 

Já em “Guyraetê”, somos mergulhados numa ambiência que mistura vocalizes e violões em camadas sonoras que formam uma floresta imersiva. É como atravessar um portal atemporal, onde o som dos pássaros e o canto em tupi nos convidam a caminhar “sem temer”, em busca da liberdade e da reconexão com o território. 

Em “Pyngos”, o feminino e o natural se entrelaçam — as vozes de Joana Carvalho e Camila Becker se fundem em um canto que é também chuva, rio e mar. Misturando o orgânico, o ancestral e o contemporâneo, Pyngos convida à escuta daquilo que é essencial: a água que habita em nós e nos refaz. O resultado é uma experiência sonora de comunhão e celebração da natureza, ecoando o ciclo das águas. 

Em “Tacacá, Maniçoba e Açaí”, a música é também alimento: um banquete simbólico que celebra a memória e a ancestralidade, convidando o público para uma festa típica amazônica de carimbó. É uma canção que saúda os sabores e afetos do Norte, transportando quem escuta para o calor das feiras populares, o cheiro do tucupi e a dança das marés.  

Sobre os artistas

VENUSTO  

Nascido e radicado em Brasília (DF), Venusto (40) é um artista de trajetória consolidada que transita entre a Música, o Cinema e o Teatro. Sua carreira musical começou como um “rito de passagem” com o EP Atravessa a Pele, e agora se aprofunda no universo da música brasileira de raiz. Em “Amassunu”, ele assina a direção geral e produção, unindo o olhar do diretor de arte (vencedor de prêmio no Festival de Cinema de Brasília) à voz que narra a saudade e o afeto da Amazônia. 

THAIS KOKAMA  

Artista visual, produtora e comunicadora indígena das etnias Kokama e Sateré-Mawé, Thais Kokama traz para o EP a presença viva da Amazônia. Seu percurso envolve o grafismo, a pintura corporal e a documentação da cultura amazônica, destacando-se por projetos como o documentário “Traços da Resistência”. Sua participação em “Beira do Rio” não é apenas um vocal, mas a voz do próprio rio e da floresta, nascida de um instante intuitivo durante as gravações. Thais reafirma a força e a visibilidade dos povos originários no cenário cultural contemporâneo. 

CLARA POTIGUARA  

Cantora e compositora paraibana do povo Potiguara, Clara Potiguara é uma das protagonistas da juventude indígena em articulação no Nordeste. Sua voz transita entre a canção popular e a ancestralidade, integrando seu trabalho à cultura comunitária, ao ativismo territorial e às causas ambientais e LGBTQIAPN+. Em “Guyraetê”, sua expressão vocal potente ecoa as matriarcas e os cantos da terra e transforma o canto em tupi em um manifesto sobre a liberdade, a resiliência e o retorno à terra ancestral. 

PYM PYM  

O duo Pym Pym, formado pelas cantoras e compositoras Joana Carvalho e Camila Becker, é um encontro de vozes femininas que investigam os limites entre o som e o silêncio, a natureza e a cidade, o ancestral e o contemporâneo. Suas composições transitam entre o experimental e o popular, combinando improvisação vocal, timbres orgânicos e atmosferas eletroacústicas em diálogo direto com a paisagem do Cerrado. O trabalho das artistas propõe uma escuta ritualística e livre, em que a criação é também manifesto — um canto de resistência e celebração da vida. Em “PYNGOS”, o duo amplia seu território poético, reafirmando a arte como corrente viva entre biomas, corpos e vozes. 

Ficha Técnica

EP AMASSUNU – Trilha Sonora Original do Filme Amassunu 

Ano: 2025 

Formato: EP digital 

Produção independente  

FAIXAS 

  1. Beira do Rio

Voz: Thais Kokama e Venusto 

Letra e Música: Thais Kokama 

Percussão: Venusto 

Violão: André Chayb 

  1. Guyraetê

Voz: Venusto e Clara Potiguara 

Letra: Clara Potiguara, José Romildo Araújo da Silva, André Chayb, Venusto e Camila Araujo 

Música: André Chayb, Camila Araujo e Venusto 

Violão: André Chayb 

  1. Pyngos 

Letra: Joana Carvalho, André Chayb e Camila Becker 

Voz: Joana Carvalho, Camila Becker e Venusto 

Guitalelê: André Chayb 

Percussão: Janari Coelho 

Cordas: Débora Zimmer 

  1. Tacacá,Maniçoba e Açaí 

Voz: Venusto 

Percussão e Banjo: Marcelino Santos 

Letra: Venusto 

Música: Venusto e André Chayb 

Violão: André Chayb 

Créditos Adicionais 

Produção Musical: André Chayb 

Gravação, Mixagem e Masterização: Débora Zimmer 

Direção geral e Produção Executiva: Venusto 

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Venusto em foto de Pryscilla Kacilda 

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 Clara Potiguara em foto de Daniel Moreira 

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Thaís Kokama em foto de Carlos Borges 

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Joana Carvalho e Camila Becker em foto de Célio Maciel 

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