10 de outubro de 2026

O “Coração que Sente” de Halina Shumer

Uma reflexão sobre o amor, é essa a ideia de Halina Shumer na canção “Coração que Sente”. A obra, construída com o apoio elementar de IA, tem um peso humano considerável, especialmente no que dis respeito à sua gênesis e sua capacidade de atingir corações.

Diante disso, solicitei uma entrevista à artista, no intuito de compartilhar com nossa audiência as principais sínteses sobre “Coração que Sente”. Fique com a música (Youtube) e a entrevista na íntegra.

O que diz a letra, qual sua mensagem?

“Coração Que Sente” fala sobre amar com consciência. Sobre entender que aquilo que ninguém vê ainda diz muito sobre quem somos. Amar não é fechar os olhos nem deixar de ser quem somos; é reconhecer que nossas escolhas deixam marcas. No fim, colhemos aquilo que escolhemos deixar nascer.

E como essa composição surgiu?

Nasceu de uma situação real. Um homem casado demonstrou interesse por mim e usou o velho ditado “o que os olhos não veem, o coração não sente” quase como justificativa. Aquilo me fez pensar: será que o que não é visto realmente deixa de existir? Dessa pergunta nasceu a música — e uma reflexão maior: quem escolhemos ser quando ninguém está olhando?

Fale sobre o uso de IA nesta música e como ela colaborou para o resultado final.

A IA entrou como uma ferramenta criativa no processo de produção, colaborando na experimentação de arranjos e sonoridades, como cello, violino e violão. Foi mais um instrumento dentro do processo criativo; a composição, a mensagem e a identidade da música nasceram de uma experiência profundamente humana.

Quanto à musicalidade e sonoridade, quais ideias e gêneros musicais você trabalhou?

Busquei uma sonoridade contemporânea, melódica e emocional, deixando espaço para a letra respirar. Mais do que me prender a um gênero, quis que a música acompanhasse a própria mensagem: começa no questionamento e cresce até encontrar consciência e escolha.

Há algo de curioso sobre o lançamento que você queira destacar?

Talvez a maior ironia seja que a música nasceu de alguém tentando justificar aquilo que poderia permanecer escondido e acabou se tornando justamente uma canção sobre não se esconder de si mesmo. Uma frase que durou poucos segundos acabou virando uma música inteira.

Letra de “Coração que Sente”

Quem um dia irá dizer que não existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá me dizer que não existe razão?
Se eu sinto tudo, então resguardo meu coração
Minha joia preciosa já cheia de lapidação

Em um mundo que aprendeu a separar emoção Das situações ditados antigos ainda dizem:

“O que os olhos não veem, o coração não sente”

Pura ilusão, frase de quem precisa de separação. Desculpa de quem se esconde de um vazio escuro.
Aquele que sofre na solidão.

Se aqui se planta o que se colhe
Por que pensar assim?

Amar o outro como a si próprio
Desilusão?!

Amor não se esconde do olhar, nem vive do que não se quer enxergar.
Se eu decido onde isso vai dar, então eu escolho amar.
Amar com o olhar, amar com o coração sentindo.
Amar sem se esconder.
Amar sabendo quem sou.
Amar com consciência no limite exato,
Entre o que eu dou e o que eu sou.

Quando o olho à minha volta e decido quem quero ser
Lembro que o outro também faz parte de mim mesma
E de quem eu decido ser quando tomo decisões

Amor não se esconde do olhar, nem vive do que não se quer enxergar.
Se eu decido onde isso vai dar, então eu escolho amar.
Amar com o olhar, amar com o coração sentindo.
Amar sem se esconder.
Amar sabendo quem sou.
Amar com consciência no limite exato
Entre o que eu dou e o que eu sou

Eu planto no gesto, no agora, no que eu escolho ver
Porque no fim eu só posso colher
Aquilo que eu deixei nascer

Newsletter

“O único assassinato de Cazuza” (Conto de Lima Barreto)

HILDEGARDO BRANDÂO, conhecido familiarmente por Cazuza, tinha chegado aos seus cinqüenta anos e poucos, desesperançado; mas não desesperado. Depois de.

LEIA MAIS

Lupa na Canção #edição22

Muitas sugestões musicais chegam até nós, mas nem todas estarão aqui. Esta é uma lista de novidades mensais, com músicas.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: As artes quilombolas (com Nino Xambá)

Este episódio tem como finalidade desbravar as artes quilombolas. São mais de 35 minutos de conversa entre o jornalista Matheus.

LEIA MAIS

Podcast Investiga: O quê realmente faz o diretor de imagem? (com Diogo Pace)

Este episódio tem o intuito de investigar uma profissão essencial de toda produção audiovisual, como programas de entretenimento e jornalismo,.

LEIA MAIS

Gabriel O Pensador, sempre insatisfeito em “Matei o Presidente”

Reportagem escrita por Nathália Pandeló em outubro de 2018 e editada por Matheus Luzi   Há quem diga que o.

LEIA MAIS

Bárbara Silva: mais um caminho para compreender a Nova MPB

Recentemente, nós publicamos sobre “o que é, afinal, a Nova MPB?”. A matéria que pode ser acessada aqui nos traz.

LEIA MAIS

“Pra não dizer que não falei das flores”, o hino contra a ditadura

  Dizer que a música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré foi um hino contra.

LEIA MAIS

A obra de João Turin que sobreviveu a 2ª Guerra Mundial

No Memorial Paranista, sediado em Curitiba (PR) com intuito de preservar e expor a obra do paranaense João Turin, há.

LEIA MAIS

Filme nacional que arrecadou mais de R$ 19 milhões, “Lisbela e o Prisioneiro” foi lançado

No dia 22 de agosto de 2003, ia aos cinemas “Lisbela e o Prisioneiro”. Aposto que não sabiam, mas estavam.

LEIA MAIS

Certamente, esse filme é um dos mais atrapalhados que eu já vi (Crítica de Matheus

Ontem fui dormir cedo, e não sei porque acabei perdendo totalmente o sono quando acordei as 2 horas da madrugada..

LEIA MAIS