17 de fevereiro de 2026

Rosana Puccia dá voz a mais dois temas atípicos no mercado musical brasileiro

Em atividade discográfica desde 2016 quando apresentou o álbum “Cadê”, Rosana Puccia é, de verdade, uma colecionadora de canções atípicas, distante do arroz com feijão. Há, em seus perfis nas plataformas de streaming, duas novidades que podem, sem dúvida alguma, reforçar esta minha afirmação. Trata-se dos singles “Tá Estranho”, lançado em fevereiro, e “No Camarim da Ilusão”, de março. As duas interpretadas por Rosana têm temáticas pouco explorados. A seguir, irei tentar, ao meu modo, comentá-las resumidamente, com o apoio de uma entrevista realizada com Rosana sobre “Tá Estranho”.

Tá Estranho

Os compositores de “Tá Estranho” são David Pasqua e o sambista Emo Lage (compositor do Império Serrano), dupla que também assina composições do álbum “Outro Mundo”, entregue por Rosana em 2022. A letra de Elmo, lançado à época em clima de carnaval e que teve edição de Rosana, se concentra em situações não lá muito comuns e de estranheza, ao colocar o não-óbvio em cena. A música, um bom samba divertido, chegou acompanhado de um clipe que ilustra a ideia da letra. Nas cenas, a analogia foi feita com instrumentos, onde Rosana e Davi Pasqua assumem a condução de instrumentos atípicos ao seu cotidiano.

Rosana nos dá também uma outra visão desta letra. “O Elmo Lage compôs esta letra baseado nas coisas que mudam com o passar dos anos, hábitos e situações que acabam se transformando, mas ele conta que, por exemplo, a música fala de jacaré andando no asfalto, e no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, os jacarés realmente atravessam as ruas asfaltadas; e que os ratos já perderam o medo dos gatos há muito tempo; e que tem um percussionista sensacional na bateria da Império Serrano que é japonês. Ou seja, são situações que ele retrata na letra que são possíveis. A letra surgiu de ideias assim, que soam impossíveis mas, de repente, até podem ser verdadeiras!”, diz ela.

Sobre a sonoridade, a artista acrescenta: “Com relação à sonoridade, o David Pasqua, na primeira parte da música, o refrão, que ressalta essas situações, ele faz uma melodia mais minimalista, com a intenção de ressaltar a letra, para o ouvinte prestar atenção à ela, então ele não quis “inventar” muito para poder privilegiar a letra. Depois, no restante, cai para um gingadão nas outras estrofes. A música foi surgindo aos poucos e, mais tarde, tive a ideia de fazer o clipe e o Neto (diretor) teve a ideia de fazer as “clonagens” que aparecem no vídeo, com eu e o David trocando de lugares, interpretando papéis que não os nossos de costume, e isso ficou bem dentro da ideia da própria letra, o que é muito legal.”

Música

Música: David Pasqua

Letra: Rosana Puccia e Elmo Lage

Voz: Rosana Puccia

Piano: David Pasqua

Violão: Ed Vianna

Baixo: Marcelo Rocha

Bateria: Edson Ghilardi

Pandeiro: Cleiton Pelado

Arranjos: David Pasqua e Rosana Puccia

Produção musical: David Pasqua (Estúdio Fábrica)

Mix e master: Nobilemix

Produção e edição de vídeo: Onemax Cinema

No Camarim da Ilusão

Lançada no dia 27 de março, “No Camarim da Ilusão” celebrou o Dia Munidal do Teatro com uma música que muito diz respeito. A melodia é de autoria também de Davi Pasqua, mas com letra de Emo Lage em parceria com Marco Trindade. A letra é sobre os artistas teatrais que encerram sua carreira somente com o martelo da morte, enquanto vivem com saúde se apresentam. É, portanto, uma música sobre despedida, despedida de um artista que não mais poderá pisar nos palcos, não porque não queira, mas porque o trem das 7 chegou.

“No Camarim da Ilusão” é uma nítida celebração a arte do teatro. Este aplausos aos atores/atrizes deste mundo chega com instrumentos especiais: violino, viola e cello, o que, juntos, sob os arranjos de Vinicius Almeida, nos cerca de uma sensação de passagem, de tensão, de algo-desconhecido. “chama a atenção para o dilema do artista diante de sua despedida dos palcos. Naquele momento de adeus, tal artista vê o filme de sua vida passar e, diante do espelho, ensaia uma fuga, mas logo cai em si: fugir para onde?”, comentam os letristas.

Assim como em “Tá Estranho”, a música “No Camarim da Ilusão” também foi lançada com clipe. Gravado na Oficina Cultural Oswald de Andrade, na capital paulista, o vídeo tem a atuação do oncologista e ator José Carlos Malafaia interpretando um ator pronto para sair de cena em direção a outro plano de vida, com Rosana encarnando a voz do adeus e a presença dos deuses. Davi Pasqua aparece com seu piano de cauda, causando mais atmosfera ao vídeo.

Música:
Música: David Pasqua
Letra: Elmo Lage e Marco Trindade
Voz: Rosana Puccia
Piano: David Pasqua
Violino: William Prates
Viola: Daniel Lima

Cello: Camila Hessel
Baixo acústico: Marcelo Rocha
Bateria: Edson Ghilardi
Arranjo: David Pasqua e Rosana Puccia
Arranjo de cordas: Vinicius Almeida
Produção musical: David Pasqua (Estúdio Fábrica)
Mix e master: Nobilemix
Videoclipe:
Roteiro e direção: Gabriel Jammal e Andrea Rosas
Produção, montagem e finalização: Gabriel Jammal
Direção de fotografia: André Souza
Assistência de fotografia: Beto Assis
Cenografia: Andrea Rosas e André Souza
Figurino: Andrea Rosas, Rosana Puccia e José Carlos Malafaia
Produção de set: Gabriela Pagano
Elenco: Rosana Puccia, José Carlos Malafaia, David Pasqua
Agradecimentos: Poline Lüders, Antonio Maria Lopes Jr., Valdir Ravaben,
Marcus Moreno, Giovanni D’Angelo, Duarte Mariano.
Gravado na Oficina Cultural Oswald de Andrade em março de 2023.

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